Notícia 12:05 - 31 de agosto de 2020

Passado o período de extrema incerteza em como lidar com a nova rotina imposta pelo coronavírus, algumas das perguntas que ficam entre os varejistas e os demais setores da economia são: quais os rumos que as empresas devem tomar nos próximos quatro meses? Será que essa leve retomada continuará crescendo ao ponto de voltarmos ao cenário de antes?

Não são perguntas fáceis, mas na live da SuperVarejo de ontem (dia 27), com o gerente do Shopper & Retail Strategy-Insights da Kantar, Rafael Kroger Couto, a respeito dos “Insights de consumo: o panorama de compras,  canais, e-commerce e muito mais”, a gente tentou descobrir. “Não são perguntas tão simples de responder, mas alguns insights já podemos obter depois da nossa última pesquisa sobre ‘Consumer Insights 2020: Você está preparado para um novo consumidor?’. Algumas tendências, como o delivery e o e-commerce vieram para ficar, ainda que os índices de consumo possam diminuir com o passar dos meses, se essa retomada permanecer. Já outras práticas, mais relacionadas aos hábitos de compra do shopper, talvez até desapareçam. É uma questão de estar atento à maneira como as pessoas continuarão comprando, o que elas consomem, quais as categorias, e adaptar-se rapidamente”, explica.

Como exemplo, o especialista em varejo, mercado de consumo e inteligência de mercado, cita a sua própria rotina, ao revelar que antes da pandemia, como muitos consumidores, procurava ir ao atacarejo semanalmente e agora, vai apenas a cada 15 dias. “Esse meu novo hábito dificilmente vai mudar depois disso tudo e é o que vemos agora, com os levantamentos. A frequência de compra nos supermercados e atacarejos tem diminuído, mas em compensação o volume de compras tem aumentado, e isso ainda precisa continuar sendo observado ao longo dos próximos meses”.

A pesquisa da Kantar, que procura detalhar os movimentos de consumo realizados no 2º trimestre deste ano, revelam outros dados curiosos, como por exemplo:

- Todas as classes sociais foram impactadas, por conta da retração de renda; o aumento no desemprego, gerado pela atual crise; o receio das pessoas em gastar sem saber o que pode acontecer no futuro, e consequentemente, a retração econômica do País.  

- O aumento do consumo nos lares e a diminuição fora deles também tem levado à compra cada vez maior de produtos de limpeza do lar (com destaque de +70% para o desinfetante); higiene pessoal (incluindo o papel higiênico); ingredientes para o preparo de receitas como leite condensado, farinha de trigo, maionese, chocolate culinário e creme de leite; e a procura por mais cervejas e vinhos.

- Houve inclsuive um crescimento das marcas locais, por transmitirem maior afinidade com os clientes em suas comunicações, e das marcas próprias, conquistando novos compradores, dispostos a experimentar e a economizar cada vez mais.

- Depois do “boom” nos gastos com o abastecimento (no mês de março) nos lares, sem saber o que viria pela frente, o shopper atualmente tem desacelerado cada vez mais as despesas, o que pode indicar, segundo a Kantar, os primeiros reflexos da crise financeira, que já deve atingir a sua renda, e a revisão das suas prioridades de gasto.

- A diminuição das compras de abastecimento e a volta das compras menores e mais regulares também estão sendo retomadas.

Por conta de todo esse cenário já analisado, Couto acredita que cada varejista precisa fazer a sua lição de casa, se posicionando melhor diante dessas mudanças, de acordo a região em que atua. “Os supermercadistas precisam identificar se a sua loja, por exemplo, é de abastecimento ou de urgência, e pensar as formas de aumentar o seu ticket médio. Já o e-commerce, por mais que seja o canal que continua crescendo, precisa resolver os seus gargalos, tais como: as questões econômica e de infraestrutura, as barreiras funcionais e ligadas a pessoas, entre outros”, deixa a dica.

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