Notícia 16:27 - 13 de novembro de 2020

Em meio a tantas perguntas sem respostas, o varejo pode ter duas certezas sobre o futuro: as datas das festas de fim de ano permanecerão intactas no calendário e as celebrações serão completamente diferentes.

Diante de cenários nunca antes vistos, como os possíveis encontros reduzidos em número de pessoas, uma das principais dúvidas paira sobre o impacto que a pandemia trará às operações dos supermercados.

“As perspectivas para o Natal são positivas, apesar do aumento do desemprego e da redução de renda e do auxílio emergencial”, analisa a diretora da Trade Design e professora da ESPM e da FIA, Tania Zahar Mine.

A especialista em trade marketing cita dados da Rakuten Advertising que, em sua pesquisa global The Road to Recovery: 2020 Shopping Peaks Re-Imagined, identificou, no Brasil, a intenção de gastar mais com familiares (34%) do que com amigos neste Natal. “Além disso, cerca de 86% dos brasileiros pretendem comprar online e a maioria via mobile. Os varejistas devem se preparar com estoques para abastecer as lojas físicas e o e-commerce”, orienta.

Tania acredita que justamente pelo fato de famílias e amigos se unirem em grupos menores, as ceias devem se multiplicar. “O consumo de produtos natalinos em domicílio vai crescer. Em função do ano difícil que passamos, as famílias devem aumentar o tíquete médio com a compra de itens melhores para celebrar a saúde e a vida”, diz, complementando que, neste ano, as vendas de cestas para doação provavelmente também vão subir.

Para atender à alta demanda sem ruptura, planejamento é essencial

Fazer acordos prévios com a indústria é uma medida essencial. “Desde o início da pandemia, os supermercados gerenciam um alto nível de ruptura de marcas e isso implica a necessidade de planejamento antecipado para evitar desabastecimento no período das festas. Como a cadeia estendida está pressionada, as empresas devem avaliar a recomposição de margens, a redução de ofertas em preço e a melhoria do mix”, pontua Tania.

Ela alerta, ainda, sobre o cuidado redobrado com relação a itens sensíveis, como farinha de trigo, margarina, bebidas em latas de alumínio e arroz. “É importante mapear esses produtos e detectar possíveis gargalos, pois as chances de faltarem são grandes nas festas de final de ano.”


Pesquisa prévia com os clientes

Da mesma forma que se antecipar com a indústria é uma atitude inteligente, conversar com o consumidor também é. “Creio que uma boa alternativa para os varejistas é estabelecer ou fortalecer os programas de CRM e criar um diálogo com os clientes, fazendo pesquisas sobre suas necessidades para as ceias de Natal.”

Como o cenário será diferente dos anos anteriores, a iniciativa ajudará a direcionar a preparação e a escolha de um sortimento especial para a ocasião. “Isso pode acontecer digitalmente, com um incentivo para os clientes mais frequentes responderem. As redes varejistas também podem se antever à necessidade dos consumidores anteciparem suas compras e evitarem a aglomeração nas lojas. Uma maneira de fazer isso é lançar kits diversos, pensando também nos públicos vegetariano, vegano e saudável.”

PDV e pratos prontos

Quando o assunto é preparar o PDV físico para as compras de fim de ano, o consultor de varejo, Marco Quintarelli, indica ter “cuidado na logística de entrega, biossegurança e segurança alimentar. As boas práticas de produção e manipulação de alimentos estão em alta, tudo para garantir a qualidade e a segurança ao consumidor final”.

Quintarelli reforça que são grandes as chances de crescimento no segmento de pratos prontos, que merecem uma atenção especial. Segundo o consultor, as apostas nessa frente deverão prosperar.

Ceias de Natal com preços alinhados ao seu público podem ser um excelente negócio”, afirma a sócia-fundadora da Evolution, Cristina Lopes, consultora de varejo. “Eu faria propostas de vários menus com diferentes preços, desde a mais completa à mais básica.”

Oferecer uma boa experiência de compra será outro diferencial. Nessa linha, entram aspectos como definir com quantos dias de antecedência o consumidor deve fazer o pedido, facilitar o pagamento e, por que não, estimular harmonizações de bebidas e combinar com presentes em diferentes faixas de preço, a fim de incentivar a centralização dos pedidos em uma só loja. “É necessário negociar taxas junto ao banco com o qual a empresa trabalha para conseguir taxas melhores e, assim, estimular o consumo”, diz Cristina.

Ela acrescenta que oferecer delivery dos produtos e a opção de coleta em loja continua sendo boa alternativa, mesmo com o afrouxamento das regras de isolamento. E, no caso dos pratos prontos para a ceia, é fundamental informar bem o número de pessoas que serve, o período da entrega e se a opção prevê ou não finalização.

Ações online são alternativas ao preparo de pratos

No caso dos supermercados que não pretendem incluir opções prontas no sortimento de fim de ano, Cristina sugere outra estratégia para atrair o consumidor: dar aulas de receitas típicas online. “Uma ou duas semanas antes das festas, os nomes das receitas podem ser divulgados junto com os produtos necessários para a execução e o pré-preparo”, sugere. “Nessas aulas, feitas em parceria com a indústria ou por conta própria, também é possível divulgar itens de bazar."

Quer saber mais sobre o perfil do shopper no pós-pandemia e incrementar ainda mais suas ações para o fim de ano? Confira outro artigo especialmente desenvolvido para ajudá-lo a melhorar os resultados nos próximos meses: https://www.supervarejo.com.br/materias/o-que-o-shopper-espera-da-sua-marca-neste-natal

Imagem de capa: iStock


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