Notícia 14:04 - 17 de junho de 2019

A alta do dólar, cotado em torno de R$ 4,00, gerou um impacto no preço dos itens básicos comprados no dia a dia nos supermercados. Levantamento feito pela APAS (Associação Paulista de Supermercados) mostra os principais itens que tiveram avanço nos preços no último ano, que vão desde carnes a produtos de limpeza.

“Nos últimos 12 meses o consumidor percebeu aumentos em produtos que adquire com frequência, como carnes, pão, macarrão, sabão de roupa líquido, entre outros que possuem matéria-prima cotada na moeda estadunidense. Ou também aquele item que o produtor vê mais vantagem em exportar do que em abastecer o mercado interno, já que o lucro em dólar é maior”, explica o economista da APAS, Thiago Berka.

O frango apresentou alta de 31,65%, que começou por conta da morte de cerca de 70 milhões de aves durante o período da greve dos caminhoneiros em maio de 2018, uma vez que os insumos para alimentá-las não chegava às granjas. Aliado a isto, o câmbio ficou mais atrativo para exportação, que foi alavancada pela reabertura do mercado externo.  

Como o Brasil não é autossuficiente na produção das matérias-primas de pão francês e macarrão e mais da metade do que se consome do produto vem do exterior, os itens tiveram, respectivamente, alta de 10,04% e de 12,51%. Além disso, o trigo é uma commodity, ou seja, é cotado em dólar. Por conta disso, fica mais caro importar, o que resulta em um preço maior na produção e, consequentemente, para o consumidor nos supermercados.

Opção de proteína mais em conta, a carne suína teve aumento de 8,51% no preço, pois sofreu menos o impacto da alta do dólar. Porém, em 2019 o cenário mudou. Cerca de 35% do rebanho suíno chinês (que é metade do rebanho do mundo) morreu por conta da febre suína africana. Com a moeda dos EUA em alta, os preços ficam mais competitivos para exportar. Somente neste ano, a alta da carne suína no Brasil foi de 6,43%.

“O Brasil é o quarto maior produtor de proteína animal do mundo, o que tradicionalmente torna o país um grande exportador. Com o dólar em alta, essa tendência se intensificou. Isso faz com que os preços internos aumentem e a previsão é de que haja mais aumentos nos próximos meses, caso esta conjunção de fatores - dólar acima de R$ 4,00 e a crise na produção chinesa - permaneça inalterada”, conclui Berka.

Diferente do cenário de 2018, quando os preços estavam comportados, a carne bovina registrou alta de 7,68%, uma vez que os produtores enxergaram na alta do dólar a oportunidade para exportação, melhorando, assim, margens e lucros. Além da elevação da moeda estadunidense, outro fator que alavancou a exportação de carne bovina foi a diminuição da rejeição da carne do país após as polêmicas das operações carne fraca. O aumento atingiu todos os cortes, como por exemplo o acém, opção popular, que subiu 19%.

Na área de limpeza, destaque para os aumentos de sabão de roupa líquido (11,73%), desinfetante (10,47%), inseticida (11,54%) e alvejante (9,44%). Quanto mais pesado em componentes químicos é um produto de limpeza, maior a provável dependência do dólar, uma vez que o Brasil não é autossuficiente nas matérias-primas para a produção. Por conta disso, a indústria não consegue absorver todos os custos para produzir e esta alta é repassada ao consumidor.


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