Artigo 17:49 - 16 de abril de 2019

Com as eleições de 2018 definidas, vários governadores, com viés reformista, foram eleitos, assim como o governo federal, que buscou colocar nomes de peso nos principais ministérios. Um grande elemento, então, foi retirado da equação da confiança de consumidores e empresários: conhecer os novos governantes dos próximos quatro anos. As expectativas do PIB apontam para 2,5% de crescimento, em média, com alguns bancos e casas de pesquisa chegando a até 3%. Com a aprovação da reforma da previdência (não há como sair da crise sem essa reforma), o Brasil conseguirá deslanchar, a partir de 2020, conseguindo retomar o ciclo econômico de crescimento. É com esse contexto que o varejo alimentar irá deparar-se, após anos de perdas de vendas, volume e margem. Dessa forma, os empresários terão novas oportunidades e veremos quem realmente se preparou durante a crise para a bonança futura.

Quando falamos de crescimento de canais, por dois anos seguidos, reformas de lojas e abertura de unidades continuaram sendo consideradas as principais intenções de investimentos dos empresários, mas foram frustradas, por 2017 e 2018 terem sido anos de lento crescimento. De 2016 para 2017, a média de perda líquida de lojas foi de 1.388 unidades, sendo que minimercados e mercearias foram os que mais sofreram, com a perda líquida de 1.784, enquanto os atacarejos avançaram ainda mais em abertura. Da crise que saímos, este canal preencheu um espaço de preços em que o consumidor, na extrema necessidade de economizar na sua maior conta no orçamento familiar (alimentos e bebidas junto com moradia), recorreu ao Cash and Carry, que explodiu em vendas. Só em São Paulo, desde 2011, o crescimento anual atingiu 8,6%, na abertura de lojas.

Com a retomada econômica, o aumento do poder de compra do brasileiro, o envelhecimento da população e os millennials do país ganhando proeminência econômica, o modelo deve enxergar uma situação mais dura. A partir de 2020, os lugares que tiverem o preenchimento físico de atacarejos completados irão, finalmente, cair do crescimento de dois dígitos e vamos ter a resposta se o modelo foi uma tendência de crise, se tornando canal de nicho, ou se marcou o próprio lugar, sendo considerado nova força do varejo alimentar. Quando falamos nos estados brasileiros, os que fizeram a lição de casa e estão beneficiando o setor, com mais crescimento, são Paraná, Santa Catarina, e, de alguma forma, São Paulo e Minas Gerais. A quantidade de contratações nos dois estados do Sul, mais Minas, foi excelente, demonstrando a confiança alta do consumidor no futuro, maior que a do Nordeste. Para se ter uma ideia, Santa Catarina saltou de 3,2%, em 2011, para 7,2%, no faturamento do setor no país.

O Paraná, de 6,9% para 10%, ameaçando roubar o terceiro lugar do Rio Grande do Sul, que sofre com sucessivas crises fiscais e arroubos ideológicos na economia. Minas, mesmo com uma folha de pagamento chegando a 80% do orçamento do estado, segue, soberana, em segundo lugar, graças à indústria centenária que confere poder de compra alto para a população. Para fechar, não há como não mencionar concentração de mercado. O setor não sai mais consolidado que antes, e permanece pulverizado, comparado a outros países. As dez maiores empresas do país dominavam, em 2014, 40% do mercado. Em 2017, último dado, caiu para 38,9%.

Se pegarmos o mesmo período para os 50 maiores, saímos de 49,9% para 51,4%, com altas e baixas ao longo dos anos, demonstrando que não houve movimentos de compra relevantes. Continuamos com um setor competitivo, regionalizado, com um interior forte e estados marcados por bandeiras que competem com os gigantes. É neste cenário que as empresas do setor saem da crise e os que se prepararam irão capturar a retomada do ciclo econômico de forma mais rápida e com nacos maiores, gerando novos vencedores.

 

THIAGO BERKA: Graduado em Economia, pela UFSC, e em Administração pela Univali, com MBA em Finanças pelo IBMEC, é economista da APAS.

 

 

 


Veja também