Notícia 09:30 - 18 de dezembro de 2020

O estudo Consumer Insights, realizado pela Kantar, líder global em dados, insights e consultoria, revelou alguns dos principais desafios da retomada de consumo. De acordo com os dados registrados no terceiro trimestre deste ano, o valor de bens de consumo massivo (FMCG), realizado dentro do lar, caiu 3,8%, na comparação com os meses de abril, maio e junho. Mesmo assim houve também um crescimento de 12%, se comparado ao mesmo período do ano passado.

Grande parte desse impulso deve-se ao auxílio emergencial, concentrado na base da pirâmide social, visto que 72% da classe DE e 61% da classe C declararam ter recebido o valor. Esse dinheiro foi destinado para três despesas principais: compras de alimentos e bebidas (63%), pagamento de serviços básicos (47%) e abastecimento de produtos de limpeza (38%).

No caso do consumo fora do lar, a flexibilização nas restrições do confinamento gerou uma estabilização na tendência de queda do consumo (+0,2%) no Brasil, entre julho e setembro, porém o cenário para o consumo out of home ainda é negativo se comparado a 2019 (-17%).

A volta dos consumidores para as ruas e o desembolso de valores maiores a cada ocasião de compra são os dois fatores que ajudaram nessa estabilização. Os adultos das classes A/B e C, com idade entre 30 e 39 anos, são os responsáveis por puxar essa contribuição em valor e, no geral, eles têm gastado até 7% mais nas refeições principais fora de casa, especialmente nos finais de semana.

No curto prazo, os gastos com bufês e cardápio aumentaram 35%, e com sanduíche e hambúrguer, 27%. No entanto, a procura por snacks industrializados, como salgadinhos, balas e chocolates, caiu 19%.

Diante da possibilidade de voltar a fazer refeições fora de casa, entre julho e setembro, bares, restaurantes, lanchonetes e padarias viram suas vendas crescerem 59%, 11% e 36%, respectivamente, nesses meses.

A flexibilização do isolamento, juntamente com o impacto nos preços, influenciou na escolha de quais produtos o brasileiro levou para casa entre julho e setembro.

Alguns alimentos se destacaram ao conquistar novos lares compradores, são eles: o pão industrializado (+11,8 p.p.), o creme de leite (+8,7 p.p.) e linguiças (+8,3 p.p.). Ao mesmo tempo, alguns produtos perderam relevância, como o bolo pronto (-4 p.p.), os caldos (-3,8 p.p.) e salgadinhos (-2,8 p.p.). Em relação às bebidas, o consumo de embalagens maiores e retornáveis cresceu, enquanto as embalagens menores tiveram resultado contrário.

A cesta de limpeza também cresceu 4% em unidades neste último trimestre, com destaque para as embalagens maiores e econômicas, principalmente das categorias de água sanitária, desinfetante e cloro. Já a cesta de higiene e beleza caiu 3,7% em unidades no curto prazo, mas categorias como cremes para pele, deo colônia, tintura para cabelo e maquiagens voltaram a ganhar compradores com o retorno gradual das rotinas fora do lar.

Para o futuro, 81% dos consumidores se declararam muito preocupados com o cenário da Covid-19: 24% com a saúde das pessoas de modo geral, 16% com a falta de hospital para todos e 13% com a saúde dos filhos e crianças da família. Apenas 4% colocam a economia entre as principais preocupações, mas 53% acreditam que o País estará em situação econômica pior em 2021.

Imagem de capa: iStock

 


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