Notícia 16:51 - 29 de julho de 2020

A Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), em parceria com a Alelo (bandeira especializada em benefícios, incentivos e gestão de despesas corporativas) divulgou esta semana os dados que demonstram até que ponto a Covid-19 vem impactando nos Índices de Consumo em Supermercados (ICS) e nos Índices de Consumo em Restaurantes (ICR).

Com base nas transações diárias realizadas em junho e na utilização dos cartões Alelo Alimentação e Alelo Refeição, em todo o País, foi possível constatar nos restaurantes algo que já vinha sendo percebido no dia a dia. O consumidor continua receoso em frequentá-los, por conta da pandemia. Os dados revelam que esse setor registrou uma queda de 33,4% no valor total gasto, acompanhada por uma redução de 53,4% no volume de transações realizadas com vale refeição (na comparação com as médias em junho de 2019).

Nos meses anteriores, as quedas registradas pelo segmento de restaurantes foram de 49,6% (abril) e 39,1% (maio). Além disso, o número de estabelecimentos comerciais que efetivaram as transações no mês de junho foi 14,5% inferior ao registrado no mesmo mês do ano passado.

Grande parte desses resultados negativos se devem às maiores restrições sanitárias, ainda prevalentes sobre a operação das atividades desse segmento, e ao afastamento de trabalhadores dos seus locais de trabalho. “Na comparação com os meses anteriores, é possível verificar que os impactos têm sido amenizados, refletindo a flexibilização parcial da quarentena, vigente em boa parte das capitais e grandes centros urbanos, como São Paulo e Rio de Janeiro”, destaca Cesário Nakamura, CEO da Alelo.

O comportamento nos supermercados

O consumo deste setor continua: “muito bem, obrigado”. Conforme o levantamento, o segmento supermercadista encerrou o mês de junho com um aumento de 5,0% no valor total gasto (em relação a junho de 2019), enquanto o número de estabelecimentos que realizaram transações, utilizando como meio de pagamento o benefício alimentação, permaneceram praticamente estáveis (+0,1%).

Por outro lado, o mesmo mês foi novamente marcado por uma queda de 17,8% no volume de transações em supermercados, na mesma base de comparação (junho de 2019). De acordo com a Fipe, os últimos resultados, em linha com o observado nos meses anteriores, podem estar relacionados à redução da circulação de pessoas nas ruas aliada à concentração das compras semanais em um menor número de viagens aos supermercados.

Além disso, os pesquisadores consideram a hipótese de que o aumento no valor gasto em supermercados (acompanhado de sua redução em restaurantes) esteja relacionado ao aumento do número de refeições preparadas em domicílio, uma vez que a alimentação fora de casa deixou de ser uma opção viável e/ou segura, dado o risco elevado de contaminação e as restrições ainda vigentes sobre o horário de atendimento e lotação máxima nesses estabelecimentos.

Vale destacar que os Índices de Consumo em Supermercados (ICS) acompanham as transações realizadas em estabelecimentos como supermercados, quitandas, mercearias, hortifrútis, sacolões, entre outros; e que os Índices de Consumo em Restaurantes (ICR) focam na evolução do consumo de refeições prontas em estabelecimentos como restaurantes, bares, lanchonetes, padarias, além dos serviços de delivery e retirada em balcão/para viagem (pick-up).

Os impactos por região

O estudo traz também recorte regional dos indicadores, permitindo o acompanhamento do consumo em restaurantes e supermercados de forma desagregada. A análise revela que os efeitos da pandemia se distribuíram de forma heterogênea sobre os estados, refletindo a descentralização e o descompasso na coordenação dos processos de fechamento e abertura das economias locais, bem como a interiorização da pandemia.

Adotando como parâmetro o valor gasto em restaurantes, é possível evidenciar que as regiões mais impactas negativamente em junho foram: Nordeste (-41,9%) e Norte (-38,8%), contrastando com os menores impactos observados nas regiões Sul (-28,9%) e Centro-Oeste (-29,4%). Já na região Sudeste houve um recuo de 33,6% em relação a junho de 2019.

Individualmente, os estados que registraram os maiores impactos negativos no valor gasto em restaurantes em junho foram: Piauí (-63,2%), Maranhão (-61,9%), Amapá (-60,3%), Roraima (-53,7%) e Alagoas (-48,6%), contrapondo-se ao observado em unidades que apresentaram menor uma redução no valor consumido em restaurantes: Mato Grosso do Sul (-9,4%), Santa Catarina (-20,9%), Goiás (-28,3%), Rio Grande do Sul (-29,9%) e Distrito Federal (-30,6%).

Com relação ao comportamento do consumo nos estados mais populosos e economicamente mais representativos do País, as variações registradas no valor gasto em restaurantes foram de -32,1% em São Paulo; -34,5% em Minas Gerais, e de -38,9% no Rio de Janeiro.

Imagem de capa: iStock

 

 

 


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