Coronavírus 17:44 - 25 de maio de 2020

Foi nesse tom descontraído que Abílio Diniz, presidente do conselho de administração da Península Participações e membro dos conselhos do Carrefour Brasil e Global, conversou nesta quinta-feira (dia 21 de maio) com João Sanzovo Neto, presidente da ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados e com o mediador da live, Ronaldo dos Santos, presidente da APAS.

“Essa é uma das crises mais violentas que já vi, afinal as pessoas estão com medo do coronavírus, medo de morrer, medo da crise econômica e de perderem os seus empregos, mas é preciso enfrentar tudo isso com serenidade. E, no caso dos supermercardistas, com maior atenção para os negócios e o caixa, que depois da saúde, é uma das partes fundamentais para que o estabelecimento se mantenha de pé”, afirma Diniz.

Para se ter uma visão mais razoável do que estar por vir, ele acredita que é preciso separar o medo real do medo imaginário. Ou seja, não alimentar a ilusão de que a vida voltará ao normal, antes da criação de uma vacina ou remédio que realmente detenha a Covid-19. “Não acredito no que dizem sobre o mundo nunca mais ser o mesmo. Acho que as pessoas vão continuar querendo sair, viajar, jantar, encontrar os seus amigos. E nesse quesito, algumas coisas que estamos vendo são acelerações de processos que já existiam. As vendas do e-commerce vão aumentar, mas ele já existia. O trabalho em home office vai aumentar, mas também já existia. Por outro lado, quando vier a flexibilização, as pessoas vão precisar continuar usando máscaras, evitando aglomerações, e isso não tem a ver com a vida ‘normal’, ao meu ver”, defende Diniz.

E sendo assim, os supermercados terão que continuar usando os protocolos de segurança, depois que o isolamento social terminar. As pessoas também vão continuar dando preferência para as lojas de conveniência dos bairros. “Mas isso também já existia, então não vejo muita coisa mudando depois dessa crise, exceto para os consumidores, que devem priorizar mais a alimentação saudável, e para os supermercadistas, que com a queda nas taxas de juros, inflação inexistente e real desvalorizado podem ter futuramente uma ótima oportunidade de crescer no varejo alimentar, depois que tudo isso passar”, conclui Diniz.


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