Notícia 10:35 - 04 de agosto de 2020

Pesquisa do IPC Maps 2020 estima uma retração de 5,39% por causa dos efeitos do coronavírus. Trata-se da maior desde 1995, ou seja, o que era uma “sensação” já pode ser revelada em números, de acordo com o estudo de consumo realizado pelo IPC (Índice de Potencial de Consumo), empresa especializada há mais de 25 anos no potencial do consumo brasileiro, com base em dados oficiais.

Pelo levantamento é possível constatar que por conta da pandemia, o consumo dos brasileiros já se iguala aos índices de 2010 e 2012, representando uma retração estimada de 5,39% em relação a 2019, e a maior desde 1995, se descartada a inflação e forem considerados os acréscimos anuais. Consequentemente, levando o PIB para uma taxa negativa de 5,89%, bem diferente do que era projetado para este ano, antes da pandemia: +2,17%, conforme o Boletim Focus do Banco Central.

A exemplo de 2019, as capitais seguirão perdendo espaço no consumo, respondendo por 28,29% deste mercado. Enquanto o interior e as regiões metropolitanas avançarão 54,8% e 16,9% este ano, respectivamente.

Para Marcos Pazzini, sócio da IPC Marketing Editora e responsável pela pesquisa, essas quedas incluem também a redução na quantidade de domicílios das classes A e B1 para outras classes. “Essa migração das primeiras classes impactará positivamente no consumo da classe B2, com uma vantagem de 6,8% sobre os valores de 2019, mas as outras classes, por sua vez, terão queda nominal do potencial de consumo de 2,94% em relação a 2019”, explica.

Se para a classe média a migração da classe alta para os demais estratos é positiva, para quase metade dos domicílios (48,7%), caracterizados como classe C, o total de recursos gastos cai para R$ 1,475 trilhão (35,6% ante 37,5% em 2019). Já a classe D/E, que ocupa 28,3% das residências, consome cerca de R$ 437,9 bilhões (10,6%). O mesmo vai acontecer na área rural que, embora no ano passado tenha conquistado uma evolução significativa, este ano deve cair dos R$ 335,9 para os R$ 319,6 bilhões.

Hábitos de consumo

Em função de tudo isso, os itens básicos continuam sendo os mais consumidos, conforme segue:

- 25,6% dos desembolsos destinam-se à habitação (incluindo aluguéis, impostos, luz, água e gás);

- 18,1% para outras despesas (serviços em geral, reformas, seguros etc);

- 14,1% vão para alimentação (no domicílio e fora);

- 13,1% para os transportes e veículo próprio;

- 6,6% para os medicamentos e a saúde;

- 3,4% para a educação, vestuário e calçados.
 

Curiosidades

A população de idosos já supera a margem de 30 milhões em 2020. E entre as faixas etárias economicamente ativas, as pessoas com idade entre 18 e 59 anos já passam dos 128 milhões, o que representa 60,5% do total de brasileiros, sendo mulheres em sua maioria.

A região Centro-Oeste do País ampliou em 7,9% a sua participação no consumo, respondendo por 8,86% dos gastos nacionais, ainda que a lista continue encabeçada pelo Sudeste com 48,42% e o Nordeste, com 18,53%. A região Sul aparece na sequência, com 17,97% e, por último, a Norte, com 6,23%.

No ranking dos municípios, os principais mercados permanecem sendo São Paulo e Rio de Janeiro, seguido por Brasília, Belo Horizonte, Curitiba e Salvador.

Imagem de capa: iStock

 


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