Artigo 16:28 - 02 de agosto de 2019

 

Por Fernanda Dalben

Bem-vindo(a) à "Era da Disrupção"!

Mesmo parecendo uma palavra assustadora, a disrupção deve ser “abraçada” como um modo de autorreinvenção pelas empresas, as quais acreditam que este fenômeno mudará dramaticamente a forma como a indústria e o varejo evoluem e operam. É importante e necessário pensar em como sobreviver no ambiente empresarial moderno, além de saber como se preparar para um futuro incerto. A principal dúvida e dificuldade das companhias é como reagir e acompanhar esse ritmo acelerado de mudança, já que a transformação está em toda parte, inclusive na alimentação.

Por essa razão, a Puratos, uma das maiores empresas do mundo de insumos para panificação, confeitaria e chocolate, encomendou um estudo mundial sobre o presente e futuro da alimentação, que foi conduzido pelo Instituto de pesquisas Ipsos. A pesquisa reuniu em torno de 40 países, com 20 questionários e ouviu mais de 17 mil consumidores (sendo que só no Brasil foram 1.200) e apresentou nove tendências, insights e inovações sobre as novas formas de se alimentar e de se relacionar com o consumidor.

Dentre as nove tendências mundiais no consumo de alimentos, podemos destacar por ordem de importância e relevância ao consumidor:

1. Sabor: Está acima de tudo e é o aspecto mais importante. Por volta de 80% das pessoas preferem sabores tradicionais, mas 20% (os mais jovens) têm preferência por sabores mais exóticos e estão abertos ao novo. A textura é o componente chave do sabor, sendo que 71% dos entrevistados experimentam alimentos com diferentes texturas. Quando os consumidores leem as informações nutricionais, em torno de 50% procuram pelos percentuais de gordura, açúcar e caloria como prioridades na escolha. No Brasil, o primeiro item é gordura, depois o sódio e em terceiro lugar o açúcar. Além disso, a pesquisa mostrou os "ingredientes poderosos" do ponto de vista do consumidor e que chamam mais atenção nos rótulos: grãos integrais, frutas, adoçantes naturais, fibras, cacau e nozes.

2. Frescor: Cerca de 35% dos consumidores sul americanos consideram que os alimentos tendem a ser menos frescos no futuro muito por conta dos novos canais de compra, como por exemplo, aplicativos de comidas. São cinco aspectos que definem o que é "frescor": Data de validade (55% dos entrevistados); Cheiro (52% dos entrevistados); Aparência e Coloração (50% dos entrevistados); Data de Fabricação (46% dos entrevistados); Crocância ( 35% dos entrevistados). Além disso, produtos frescos definem a percepção de qualidade para 88% dos consumidores, enquanto 32% consideram os produtos embalados e 29% os congelados. As redes sociais foram apontadas como grandes aliadas para a experiência do consumidor inclusive, o Instagram apontado como uma das principais ferramentas. Esse é o motivo mais forte para investir na apresentação do seu alimento. Um novo termo também foi apresentado: "Smelfie", ou seja, já é possível enviar fotos de alimentos com cheiro em Singapura. Ainda em Singapura, há um restaurante onde o cardápio tradicional é substituído e as pessoas podem escolher os pratos pelo cheiro, conforme imagem abaixo.


Restaurante em Singaura - cardápio por “cheiro” dos pratos.

3. Saudabilidade: As pessoas procuram formas de se tornarem cada vez mais saudáveis. Mesmo assim ainda há uma preferência pelo sabor dos alimentos. Portanto, elas buscam alternativas, como por exemplo, produtos com menos calorias, gorduras, sódio e açúcares. Em contrapartida, produtos com mais fibras, grãos integrais e proteínas cada vez mais possuem preferência de compra. Um dado importante é que 35% dos entrevistados esperam se tornar mais saudáveis no futuro.

4. Transparência: Cada vez mais pessoas confiam em pessoas e não em organizações. Sendo assim, as embalagens e os rótulos dos produtos devem inspirar ainda mais confiança ao consumidor, haja vista que 90% das pessoas leem os rótulos e estão mais atentas aos ingredientes, tabela nutricional, manifestos e posicionamento das marcas. Elas simplesmente procuram nos rótulos o que querem e também o que não querem consumir. Dessa forma, rótulos cada vez mais claros e transparentes conquistam clientes e geram credibilidade.

5. Feito à mão: Produtos feitos à mão tem claramente um valor agregado para os consumidores, que os definem através dos seguintes aspectos: feito manualmente, ingredientes naturais, feito por um artesão, feito ou criado em loja, sem conservantes. Outro ponto importante da pesquisa é o fato de mostrar a disposição para pagar mais por produtos manuais e as principais dicas são: mostre ou informe como você faz os produtos, enfatize a utilização de ingredientes naturais, compartilhe a tradição e história.

6. Estilo de vida ético: As pessoas são o que elas comem e cada vez mais se importam com o planeta. Elas escolhem e procuram produtos sustentáveis e que respeitam o meio ambiente, ou que possuam uma quantidade de plástico limitada nas embalagens, que não são testados em animais ou que são produzidos localmente. Cerca de 68% dos consumidores estão interessados em saber mais sobre a história das marcas, mas apenas 21% leem as histórias nos rótulos das embalagens.

7. Conveniência: Cada vez mais as pessoas querem comprar coisas em qualquer lugar, a qualquer momento, 7 dias por semana, 24 horas por dia. Mas um ponto importante é que prezam pela qualidade, ou seja, querem conveniência, mas não abrem mão dos aspectos qualitativos. Em média, 50% das pessoas estão propensas à Inteligência Artificial, lojas autônomas, pagamentos com reconhecimento facial, delivery automático de comida, assistentes digitais, etc. As soluções digitais são essenciais para a indústria e varejo e ao mesmo tempo as compras online devem continuar crescendo, porém o consumidor não ter abrir mão das lojas físicas.

8. Experiência: Sabor é o Rei. Experiência é a Rainha.Cerca de 80% dos entrevistados concordam que a experiência no em torno da comida importa e é parte de um "jogo crítico". Ou seja, experenciam suas vidas em torno da comida. Alguns elementos tornam a experiência com a comida positiva: sabor, cheiro, apresentação, ambiente, música, recipientes criativos ou inovadores, atendimento com um sorriso, alguma história interessante sobre o prato. Ainda temos as impressoras 3D, capazes de produzir e personalizar alimentos. Em torno de 70% dos entrevistados se disseram interessados em provar comidas impressas em 3D.

9. Personalização: Por volta de 67% das pessoas disseram que a comida é pessoal e deve ser adaptada de pessoa para pessoa. E a tecnologia está personalizando a comida em outro nível, como por exemplo, através da adaptação do consumo de alimentos com base no DNA, ou seja, uma dieta personalizada através dos resultados do exame.


Fernanda Dalben é membro do grupo Mulheres do Varejo (MDV) e faz parte do subcomitê de Eventos e Tecnologia e Inovação. É Diretora de Marketing de rede de supermercados Dalben, de Campinas/SP, administradora e pós-graduada em gestão de projetos, nascida e criada no ambiente varejista de supermercados, atua há mais de 16 anos no varejo.