Por Redação
14 de abril de 2026Consumo de café recuou 2,3%, mas setor manteve força no Brasil em 2025
Mesmo com queda no volume, faturamento cresce com alta de preços e produto segue presente em 98% dos lares
No Dia Mundial do Café, os dados mais recentes da Associação Brasileira da Indústria de Café mostram um cenário de resiliência do setor no Brasil. Entre novembro de 2024 e outubro de 2025, o consumo nacional somou 21,409 milhões de sacas, uma queda de 2,31% em relação ao período anterior. Ainda assim, o país mantém a posição de segundo maior consumidor global da bebida, atrás apenas dos Estados Unidos.
Apesar da retração no volume, o faturamento da indústria de café torrado alcançou R$ 46,24 bilhões em 2025, alta de 25,6% na comparação anual. O avanço foi impulsionado, principalmente, pelo aumento dos preços no varejo, que acumulam alta de 116% nos últimos cinco anos, refletindo a pressão sobre a matéria-prima, que subiu mais de 200% no período, tanto para o conilon quanto para o arábica.
No recorte por categorias, cafés gourmet registraram aumento de 20,1% em 2025, enquanto os especiais subiram 4,3%. Já os tradicionais e extrafortes avançaram 5,8%, ao passo que cápsulas apresentaram queda de 16,8%. No mesmo período, o preço médio do café torrado e moído subiu 5,8%, desacelerando em relação a 2024, quando a alta foi de 37,4%.
Mesmo diante desse cenário, o café segue como um item essencial no consumo das famílias brasileiras, presente em 98% dos lares e representando 37,9% da safra nacional de 2025, estimada em 56,54 milhões de sacas pela Companhia Nacional de Abastecimento.
Para 2026, a expectativa é de alívio nos preços ao consumidor a partir do segundo semestre. De acordo com a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, a combinação de uma safra recorde no Brasil com o aumento da produção global deve reduzir os preços no atacado e contribuir para a desaceleração da inflação do produto, ainda que o repasse ao varejo ocorra de forma gradual.
