Você dá respostas ou faz perguntas?

Não responda antes de fazer perguntas desafiadoras!

por ALCIONE ANTÔNIO SANTIN     alcione.santin@outlook.com

As pessoas e, por consequência, seus atos precipitados empobrecem soluções e não melhoram o que precisam, pois não controlam ego nem vaidade, simplesmente por acharem que controlam as coisas, que dominam as soluções e que se acham autores de todas as respostas. Possuem a capacidade limitada de promover um diálogo rico no qual, antes de qualquer resposta, caberão inúmeras perguntas acerca do tema, das condições, dos objetivos, do cenário mais amplo, do histórico, das referências externas e internas, do que ainda não foi testado, do que parece impossível e improvável, das ameaças invisíveis, do que realmente incomoda ou preocupa etc. A observação que cresce sobre a maioria das empresas brasileiras é que o nível de gestão aplicado é ainda muito aquém do que o exigente mercado desafia o desenvolvimento e a competitividade de nossas empresas.

Somos “oportunizados” com uma crise produzida, em sua grande maioria, internamente, por razões que todos sabemos. Mas, independentemente disso, se para alguns setores surgiram barreiras estruturais mais rígidas, temos um bom número de setores que vivem o momento de mostrar que é capaz de superar esse momento com a competência e a inteligência humana, que, sem ego ou vaidade, desenvolve em seus grupos de gestão as soluções mais criativas e consistentes, que, levadas à prática com alta energia, se destaca com excelentes resultados. Também encontramos grupos de gestão que aplicam os conceitos básicos com disciplina e superam seus problemas e seus concorrentes.

Diante de situações adversas, muitos descobrem o que têm de melhor. Também descobrimos o valor verdadeiro da ética e da governança decentes, até então negligenciadas, inclusive em empresas privadas, o que deveria ser uma questão óbvia.

Em situação difícil, no desespero, empresas e empresários saem em busca de respostas para seus problemas, em que, na maioria das vezes, o ego e a vaidade produziram cegueira ou a negação ao problema.

Produzir rodadas de diálogo internamente, direcionadas por questões muito bem formuladas sobre o que se quer construir, é uma poderosa ferramenta com múltiplos benefícios. Esse exercício é de uma riqueza tão expressiva, que se recomenda manter como um programa constante.

Mesmo quando tudo aparentemente parece estar sobre certo controle e normalidade, simular situações mantêm a empresa e suas equipes ligadas a tudo que de potencial pode acontecer, e que soluções criamos a partir de ricos questionamentos.

Já vi e vivi esse mecanismo funcionando muito bem em quase todos os departamentos e áreas, e isso cabe a qualquer setor da economia, se aplica muito a quem gosta de dialogar e ouvir, que prefere as perguntas lançadas ao time de talentos.

Infelizmente, não se aplica aos portadores de ego inflado, pois isso não caberá aos dominados pela vaidade, uma vez que estes têm todas as respostas; pois não possuem espaço para incluir o conhecimento do outro, pois o deles é soberano, mesmo que pobre de conteúdo.


menu
menu