Vendas nos supermercados se mantêm estáveis em junho - SuperVarejo
Vendas nos supermercados se mantêm estáveis em junho

Vendas nos supermercados se mantêm estáveis em junho

O faturamento real dos supermercados no estado de São Paulo (deflacionado pelo IPS/FIPE e calculado pela Associação Paulista de Supermercados), no conceito de todas as lojas – que considera todas as unidades criadas no período pesquisado –, apresentou alta de 2,78% no mês de junho em relação ao mesmo período do ano passado. Este resultado fez o acumulado de 2018 chegar a 5,19% de crescimento em relação a 2017.

Já no conceito de mesmas lojas – que considera as unidades em operação no tempo mínimo de 12 meses –, o resultado de junho de 2018 foi 0,92% superior ao mesmo período de 2017, o que fez o acumulado do ano chegar a um crescimento de 3,39%.

“O consumidor brasileiro fugiu dos maiores preços de bares e restaurantes (as pesquisas mostraram que até 92% decidiram assistir os jogos em casa), isso fez com que os supermercados tivessem forte aumento nas vendas, principalmente nas categorias típicas do torneio (cerveja, carnes, petiscos, entre outros)”, explicou o economista da APAS, Thiago Berka.

Fatores que estabilizaram o pós-greve

Entre 25 a 27 de maio, início da paralisação dos caminhoneiros, boa parte da população fez grandes compras de abastecimento com medo de ficar sem alimentos e bebidas, estocando produtos em casa, com isso adiantando compras que seriam feitas em junho. Por conta disso, o cenário se apresentava para um mês negativo.

“Junho foi o mês em que os dias de greve dos caminhoneiros tiveram os picos de problemas, com muitos caminhões com produtos dos supermercados presos nas rodovias e as rupturas (falta de produto em gôndolas) atingiram seu maior patamar”, avaliou o economista da APAS.

Apesar do cenário ruim que se apresentava, alguns fatores amortecerem o que poderia ter sido um mês desastroso para o setor. Um deles foi a Copa do Mundo, evento que mobiliza toda a população em torno do consumo de produtos específicos e que aumenta as vendas – em alguns casos, foram observadas alta de até 50%.

“Muitos produtos tiveram grande saída durante a Copa, como por exemplo a cerveja, com aumento de até 50% nas vendas comparadas com dias ou meses normais para categorias. Outros produtos que também tiveram crescimento de vendas como carnes, derivados de carne (petiscos), mercearia doce e salgada, demonstram como a Copa rivaliza em vendas com datas como Páscoa (segunda melhor para o setor)”, comentou Berka.

Outro fator importante está no inverno mais quente que o normal o que tem efeito direto no maior consumo justamente da cerveja, impulsionando ainda mais as vendas. Como a cerveja é um produto que resulta em venda de “acompanhamentos” (carne, petiscos, salgados específicos) as margens menores que ela tem são minimizadas.

Além dos dois fatores já citados, outro que também ajudou a amenizar os efeitos da paralisação foi o estoque. No momento da greve, muitos varejistas tinham estoques acima do normal (seja por gestão ou por erros de expectativa para um recuperação mais rápida da economia) e assim muitas empresas passaram sem sentir o “desabastecimento”, ganhando participações pontuais de mercado.

“Esses mesmos fatores que ajudaram os supermercados a não ter queda de vendas com um cenário totalmente adverso, poderiam ter feito com que o mês de junho atingisse número recorde de vendas”, avaliou Berka.

Apesar de tudo, a Copa fez com que nem todo o aumento obtido em maio fosse devolvido nas duas regiões negativas. O interior de São Paulo segue demonstrando força neste ano e conseguiu ter, novamente, resultado positivo nas vendas.

“Esse resultado no interior se deve ao emprego formal retomando seu crescimento de forma mais consistente e a competição menos acirrada como em Campinas e Grande São Paulo”, concluiu o economista da APAS.


menu
menu