Varejo atualizado

Varejo atualizado

por Daniela Guiraldelli

Investir em soluções tecnológicas que auxiliem na gestão do negócio e aproximem a loja do cliente, no ambiente real ou virtual, deixou de ser apenas uma estratégia para as bandeiras varejistas ao redor do mundo. No Brasil, essa realidade já bate à porta dos supermercados, que passaram a entender que investir em tecnologia torna o negócio competitivo e o deixa em sintonia com o cenário atual vivido pelo varejo mundial e pela demanda crescente dos consumidores.

“Podemos considerar que o mercado de soluções tecnológicas voltadas para o varejo, em geral, e para os supermercados, em particular, se encontra atualizado com as últimas novidades e tendências no Brasil. Tanto as grandes empresas fornecedoras de tecnologia de varejo, que em sua maioria têm atuação global, quanto as de capital nacional estão preparadas para fornecer ao setor o que existe de mais avançado para o desenvolvimento do negócio”, afirma o sócio da DSG Brasil Consultores de Negócio, Luiz Duarte.

Embora muitos ainda não percebam, o Brasil já está avançado em diversos aspectos quando se trata de automação para varejo. “Visitei o Canadá e pude constatar que estamos bem adiantados em meios de pagamento. Lá, se você faz um depósito hoje, só vai cair na conta após 72 horas, por exemplo. Enquanto no Brasil essa melhoria já é antiga”, compara o diretor executivo e CEO da Ledware Tecnologia – empresa desenvolvedora de softwares para o varejo, Mario Sardinha Giovanni.

Ele salienta que nos Estados Unidos, até pouco tempo, você passava o cartão de crédito e assinava a notinha, não usava senha. “E ainda há alguns locais que funcionam assim. O Brasil é muito mais evoluído em termos de tecnologia bancária, justamente porque tem que lidar com fraude. Essa evolução influencia toda a parte de pagamento do varejo”, completa Giovanni.

Quando se trata do investimento em tecnologia, as empresas supermercadistas buscam cada vez mais por soluções que apoiem os principais pilares do negócio, que englobam pessoas e gestão. “A inovação é extremamente importante no mercado em que atuamos. A tecnologia evolui rapidamente e isso faz com que a TI tenha que acompanhar as tendências, buscar inovações, aproximar-se cada vez mais das áreas de negócios e liderar a empresa rumo às novas tecnologias disruptivas”, afirma o gerente de Tecnologia da Informação da Coop – Cooperativa de Consumo –, Milton Molina Nogarol. A rede atua com 31 lojas físicas no estado de São Paulo.

De acordo com o executivo da bandeira varejista, entre as últimas atualizações realizadas pela companhia esteve a mudança de sistemas para gerenciamento de frente de caixa, focando principalmente nos componentes dos PDVs. Hoje, todos os terminais de caixas utilizam SAT.

A rede também substituiu antigos equipamentos utilizados no atendimento por novos hardwares, melhorando a performance e garantindo a segurança. Da mesma forma, foram feitos investimentos em IA e Analytics, privilegiando a área comercial e de gestão de clientes. “Temos tido resultados satisfatórios, acompanhados por meio de indicadores pela área de tecnologia. No entanto, devemos ampliar os investimentos em Analytics, focando no relacionamento com clientes, na área comercial e na logística. Procuramos trabalhar com parceiros que consigam garantir a qualidade das entregas a custos acessíveis e que tenham potencial para acompanhar as ambições de crescimento da Coop”, ressalta.

Parceiro ideal

A tecnologia, hoje, é uma aliada das bandeiras varejistas, pois pode customizar ferramentas que forneçam diferenciais competitivos. “O varejo de supermercados é um setor de alta competitividade, e esse cenário exige constante evolução e aprimoramento dos processos. Nesse sentido, a tecnologia se apresenta como uma parceira”, destaca Giovanni.

Entretanto, como definir os melhores fornecedores de tecnologia, uma vez que cresce o número de empresas disponíveis no mercado, muitas delas impulsionadas pela explosão de startups? A seleção do prestador de serviço adequado, nesse campo, deve ser feita pelo supermercadista, levando em conta o fator custo versus benefício da solução apresentada, além de conhecimento da eficiência do produto, por meio da avaliação de sua atuação em outros mercados.

É importante considerar, antes de decidir, empresas que tenham a tradição de oferecer serviços confiáveis e, principalmente, fornecedores que apresentem um nível alto de atendimento ao cliente. Além de ter um software tecnológico e prático para a operação, o fornecedor de tecnologia tem que disponibilizar atendimento rápido e eficiente para não causar paralisação na operação de seus clientes. Um supermercado ou uma loja de varejo com pausa na operação gera muito prejuízo. Por isso, para qualquer sinal de problema no software ou sistema de gestão em geral, o fornecedor precisa estar apto a atender a demanda da loja imediatamente.

Tendências em alta

Para Giovanni, no Brasil, o varejo caminha no sentido de ter acesso ao máximo de informações sobre os clientes, o que traz oportunidades para que as empresas de tecnologia construam soluções e serviços totalmente personalizados para o canal. Mas isso só é possível com a alta tecnologia aplicada ao big data.

Por isso, é necessário que as empresas enxerguem essa oportunidade e invistam em tecnologia. “As empresas que desejam sobreviver e estar presentes em um novo ciclo devem olhar e caminhar nesse sentido. Mesmo o pequeno que não investir em experiência do usuário e tecnologia vai ficar no prejuízo e acabar fechando”, afirma o executivo, que também presta consultoria na área.

O que os fornecedores estão fazendo?

O uso da tecnologia pode fazer com que o supermercado conheça a fundo o perfil do seu cliente e, por meio dessas informações, consiga investir em promoções específicas para cada tipo de consumidor. De olho nessa e em outras tendências, os principais nomes da tecnologia do setor no Brasil já disponibilizam soluções customizadas. Perguntamos aos entrevistados quais produtos ou serviços de suas empresas seriam destaque em temas como gerenciamento de promoções, atendimento ao cliente etc. Confira, a seguir, as respostas dadas por essas empresas.

  • Gerenciamento de promoções

Com o objetivo de personalizar ofertas no PDV, a Consinco trouxe para o canal um aplicativo de smartphone que permite o envio de ofertas pensadas para cada tipo de cliente. Com base em um sistema de recomendação de ofertas, o supermercado identifica as opções personalizadas que podem ser enviadas ao aplicativo para cada pessoa. O cliente pode, então, ativar as ofertas e ter acesso aos preços quando passar pelo caixa do supermercado.

Já com foco em identificar a eficiência das promoções, a Senior desenvolveu uma ferramenta de pricing que nasceu da necessidade de o supermercadista analisar o impacto que os modelos promocionais e tabloides causam sobre a lucratividade dos produtos, assim como a variação das vendas diante de uma alteração de preço.

Utilizando algoritmos, a aplicação possibilita analisar a rentabilidade e as margens, avaliar a média de vendas no período, o custo e o lucro de cada produto em cada modelo promocional. “A solução fornece informações vitais para a tomada de decisão em relação ao objetivo das campanhas promocionais, de forma que se tenha a visualização do lucro ou prejuízo obtido”, explica o diretor de Varejo/Supermercado, Anísio Iahn.

  • Atendimento ao cliente

A Consinco lançou um armário inteligente que permite ao varejista complementar o seu serviço de entregas aos clientes. Após a separação dos itens de um pedido feito à loja via e-commerce ou telefone, o supermercado envia ao cliente um código de barras (QR Code) que serve como uma chave para que ele abra o armário.

O consumidor vai até o local onde o armário está localizado, apresenta o QR Code gerado no momento da compra para o leitor disponível no equipamento, que imediatamente libera a porta de acesso aos produtos adquiridos. “A diferenciação na oferta de serviços é a tônica do varejo eficiente moderno. Quem conseguir oferecer, pode minimizar seus investimentos em redução de preços”, afirma o diretor da empresa, Silvio Sousa.

Em busca de evoluir e aprimorar o atendimento da frente da caixa, a Visual Mix trouxe para o varejo brasileiro o checkout, ou caixa de alta performance, que mantém a presença do operador, mas oferece maior dinamismo ao processo de finalização da venda. Após o operador de caixa escanear todos os produtos comprados pelo cliente, ele entrega uma comanda ao consumidor, que é direcionado para a área de pagamento. Nesse momento, enquanto o cliente realiza o pagamento na máquina – por métodos eletrônicos ou dinheiro –, o operador do supermercado segue escaneando a compra do próximo cliente da fila. “Seguindo esse fluxo, existe uma redução de até 25% do tempo do operador”, ressalta a diretora comercial, Roseli Morsch.

Outra inovação trazida pela empresa, também com foco na frente de caixa, torna o consumidor independente no momento de realizar seus pagamentos e na saída da loja. Após fazer suas compras, o cliente se dirige à estação de checagem, quando o equipamento confere o conteúdo adicionado ao carrinho. Com a tecnologia, as principais etapas do abastecimento são realizadas sem que seja necessário enfrentar filas, principalmente no momento de pagar. “Esse produto significa a automação total da frente de caixa. É o futuro que chega como realidade aos supermercados brasileiros”, declara a executiva.

  • Vendas online

A tecnologia também auxilia a precificação dos produtos por meio das etiquetas digitais, recurso fundamental ao controle de estoque. Nesse campo, a GS1 – Associação Brasileira de Automação – trouxe, entre as muitas opções nesse nicho, um código de barras cuja função é carregar informações adicionais e variáveis, além de identificar o produto, com número de série, data de validade, número de lote de produção, dados que contribuem para melhor gestão da cadeia de suprimentos e automação dos processos.

O código é configurável, o que o torna adaptável a uma grande variedade de necessidades de uso para gestão de informações, desde a retaguarda. “Os padrões GS1 já fazem parte da história mundial nas tendências de identificação e automação. Ao automatizar a leitura e a codificação de itens comerciais na cadeia de abastecimento, os padrões inovaram os processos logísticos e de gestão. A principal vantagem é o país usar padrões globais de identificação e automação”, explica a executiva de negócios, Alessandra de Castro Parisi.

Uma outra área em que a demanda por soluções de tecnologia se torna cada dia mais frequente é a de vendas online. Com essa finalidade, a empresa LifeApps desenvolveu o SuperON, uma plataforma e-commerce para varejistas que realizam delivery. O consumidor pode fazer a compra tanto via aplicativo (iOS e Android) quanto via site. A plataforma permite personalização e a possibilidade de criar um aplicativo exclusivo com a marca do varejista, facilitando a venda via marketplace, onde os estabelecimentos convivem no mesmo ambiente para a escolha do consumidor. Todos os pedidos são feitos e geridos pela plataforma, capaz de informar a evolução da compra até a entrega e pagamento, que pode ser realizado antes ou no momento do recebimento dos produtos.

O objetivo é facilitar a vida dos consumidores finais e aumentar o faturamento e tíquete médio de supermercadistas, pois permite a eles venderem mesmo fora do horário de funcionamento, em regiões da cidade onde antes não atuavam, atendendo a um público que antes não os conhecia. Com isso, o supermercado ganha uma nova vantagem competitiva perante os concorrentes.

A loja também passa a fidelizar consumidores, podendo apresentar ofertas exclusivas e notificações via aplicativo, assim como acompanhar a avaliação de satisfação a cada pedido. “O e-commerce tornou-se uma necessidade de mercado e, em breve, deixará de ser um diferencial para supermercadistas, transformando-se em item de sobrevivência. O consumidor final quer comodidade e tudo ao alcance das mãos”, explica o diretor de operações da LifeApps, Rafael Martins. A solução também é oferecida aos supermercados pela Máxima Sistemas.

  • Informação como ferramenta 

Em um mercado onde a maioria das empresas está equalizada em termos de eficiência operacional, a velocidade e a assertividade com que as decisões são tomadas têm sido fundamentais. E essa é a proposta de duas ferramentas desenvolvidas pelas Arius Sitemas.

Uma delas disponibiliza indicadores de desempenho que auxiliam nas tomadas de decisão, tecnologia que permite aos dados serem armazenados na memória RAM, e não nos bancos de dados de persistência em discos. Essa tecnologia possibilita que até mesmo as análises mais complexas sejam processadas de forma rápida, independentemente do volume de dados.

Já a outra disponibiliza informações de vendas em tempo real, através de dispositivos móveis, além de outras informações importantes, como fluxo de vendas por horário, ranking de produtos, tíquete médio, cancelamentos, tendências de vendas e acompanhamento de metas por lojas, entre outras. “O principal objetivo é tratar os dados do ERP e organizar as informações oferecendo um formato de apresentação em tela ou celular com o qual o varejista está acostumado, sem complicações ou excesso de dados que dificultam as análises”, afirma o diretor executivo da Arius, Rogerio Alegrucci.

Inspirado no mesmo conceito tecnológico que embarca dispositivos móveis como celulares e tablets, a CISS lançou um console que chega ao varejo com o objetivo de mudar o formato tecnológico e toda operação de vendas do caixa. O dispositivo promete reduzir em até 90% o consumo de energia no PDV, quando comparado a um computador convencional. O console está equipado com o sistema operacional Linux, que não exige licenças e ainda oferece níveis de segurança para as informações de cada caixa.

“O conjunto composto por hardware e software pode ser considerado um provedor de benefícios para os gestores, assim como os operadores de caixa. O console cabe na palma da mão e a instalação e configuração é plug and play, ou seja, basta conectar os periféricos e as vendas já podem ser efetuadas pelos operadores. A solução já é uma realidade e está presente em mais de mil checkouts em todo o país, incluindo terminais de gigantes do setor supermercadista”, detalha o gerente de marketing da CISS, Eduardo Colaço.


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