Uma Andorinha que faz verão

Uma Andorinha que faz verão

Apaixonado pelo trabalho, o gerente de loja conta a relação com supermercado e os caminhos percorridos até chegar ao atual cargo 

por Mirella Scattolin

Um caso de amor. Se fosse para definir a relação entre supermercado e José Ildemar Lima Gomes, essa seria a frase perfeita. Apaixonado pelo que faz, o gerente de loja, formado em Administração, não poupa elogios quando se refere ao setor, principalmente ao falar da sua “casa”, o Hiper Center Andorinha.

Há 22 anos figurando a cartela de funcionários da empresa, Ildemar Gomes, como é mais conhecido, mantém o brilho nos olhos e a empolgação nas palavras, como se fosse o primeiro dia de trabalho na loja. “Meus tios faziam compras aqui e moravam na região. Eu os acompanhava e sempre tive vontade de trabalhar no Andorinha. Não sei, mas chamou a minha atenção. Foi amor à primeira vista. E esse amor continua até hoje”, afirma, com um sorriso no rosto e um afago nas palavras.

Além da paixão pelo trabalho, o gerente de loja também carrega na essência a simplicidade de uma infância sem muito luxo, porém, com muitas lembranças. Nascido em Malta, uma cidadezinha no interior da Paraíba, e criado pelos avós, o gerente de loja guarda os ensinamentos e os momentos que marcaram seu crescimento. “A minha infância foi muito boa lá no Nordeste, né?! Muita liberdade, aquela coisa de sítio, uma região rural. Eu trabalhava muito com o meu avô na roça, sempre muito envolvido, e estudava de noite”, lembra.

E foi durante esse mesmo período que Gomes teve os primeiros contatos com o setor varejista e começou a perceber que esse poderia ser um caminho de sucesso. “Meu avô produzia alguns itens, como frutas e legumes, e a gente (ele e os irmãos) já começava a vender na rua para complementar a renda. A cultura do meu avô sempre foi aquela coisa: ‘Eu te dou a vara e te ensino a pescar, mas não dou o peixe’. Então, ele fornecia subsídios para que nós conseguíssemos a nossa renda. Assim, sempre tive os olhos voltados para o comércio”.

Com apenas 17 anos, ele deixou o interior do Nordeste e veio para São Paulo, com o intuito de estudar e retornar à Paraíba. Mas foi aí que o destino resolveu entrar em ação e mudar os planos do jovem. “Vim para cá e comecei a trabalhar. Daí fui ficando, fui ficando… E estou aqui há 22 anos. Não consegui mais voltar”, conta.

Antes de começar a longa e notória trajetória em meio às gondolas, Gomes mudou o foco, mas nunca o setor. Ainda no varejo, ele trocou as frutas e legumes cultivados com o avô pelas roupas e pelo comércio ambulante com o tio. Mas foram apenas dois meses na massiva e cansativa rotina de vendas na capital.

“Acordávamos às três horas da manhã para montar a banca na rua e ficávamos até as 22h. Depois que meu tio optou por loja, ainda trabalhei um tempo com ele, até que decidi sair e tentar a vida no supermercado, em 1995”, detalha.

Foi quando outro tio, que trabalhava no Andorinha, surgiu em sua carreira profissional. Ele avisou Gomes sobre vagas abertas na empresa. Mesmo sem nunca ter trabalhado com carteira assinada e sem ter experiência no setor supermercadista, ele foi tentar a sorte.

“O Andorinha foi o meu primeiro emprego. Eu comecei como empacotador e passei pelas funções de reposição, logística, frente de loja, entre outras. Percorri um longo caminho aqui dentro até chegar a gerente de loja, que é o meu cargo atual. Depois que eu ingressei nessa área, eu não saí mais. Peguei amor pelo supermercado”, admite.

Mas não só de amor pode-se resumir essa relação. Muito suor e força de vontade também estiveram e estão presentes no dia a dia do nordestino. “Eu sempre fui muito determinado e demonstrei isso com atitudes. Sempre busquei fazer um trabalho que realmente chamasse a atenção e que fizesse a empresa crescer pois, com certeza, as oportunidades viriam”, comenta.

E falando em evolução, o administrador não foi o único que cresceu ao longo dos anos. O Andorinha também conquistou espaço e foi ganhando notoriedade no setor. Desde 1974 em atividade, o que era um mercado de uma porta se tornou o expressivo Hiper Center da Zona Norte de São Paulo, que, hoje, conta com mais de 6 mil metros quadrados de área de venda e 94 checkouts, além de um centro de compras com dois pisos.

Durante um breve passeio pelas gôndolas, o gerente cumprimentou clientes e funcionários, recolheu papéis que estavam no chão, ajeitou algumas caixas e até ajudou um colaborador a repor produtos que tinham acabado de chegar do estoque. E tudo isso sem desgrudar os ouvidos atentos do radinho pendurado na cintura, que não parou de funcionar e precisou ser silenciado.

Mesmo consolidado em sua carreira, Gomes não está pensando em diminuir o ritmo. O nordestino continua arretado e garante que os próximos passos já estão apitando em seu radar. “O céu é o limite! Quem quer que a empresa cresça, quer crescer junto. Essa é a minha visão. Quero continuar estudando, quero continuar buscando, quero sempre, a cada dia que passa, mostrar que eu realmente sou capacitado para fazer uma gestão adequada dentro dessa empresa”.

Prestes a completar 40 anos de idade e 23 anos de empresa, o gerente geral, quando olha para trás, percebe que pode passar um pouco da experiência para quem ainda está no começo de tudo.

“O supermercado, apesar de muitos virem como uma simples porta de entrada, é um conglomerado de oportunidades. E assim, qualquer coisa que você for fazer na vida, nunca enxergue como ‘Eu fiz porque não tinha outra oportunidade’. Sempre veja como aquela oportunidade que você tem no momento. Eu olho o varejo como uma oportunidade. Eu sempre vi dessa forma. Quem cria as oportunidades somos nós. E eu sempre busquei criar as minhas”, conclui.


menu
menu