Tudo é colaboração, tudo é compartilhar

Essa frase não é minha, mas de Robin Chase, cofundadora do Zipcar – sistema de compartilhamento de carros. Ela detalha em seu livro Peers Inc, a base dessa incrível revolução que vem acontecendo, em que três condições básicas estão inventando a economia de colaboração ou algo mais ousado: reinventando o capitalismo. Essas condições básicas, na maioria dos casos, já existem, e o que muda é a forma que elas são organizadas e/ou disponibilizadas. Capacidade excedente – pessoas – plataformas. Ao organizar capacidade excedente em plataformas disponíveis para que pessoas utilizem dentro de suas necessidades específicas, temos um novo modelo ou uma nova solução para as necessidades existentes.

Muitos são os setores nos quais esse modelo já foi lançado e vem crescendo de maneira incrível. Os mais conhecidos são: bicicletas, quartos de hotéis, residências, carros (em diferentes formas – carona, aluguel de diversas opções etc.).

O tema é inspirador e ao mesmo tempo nos entusiasma e motiva a pensar novas maneiras de resolver problemas estruturais ou em grande escala, que enfrentamos em nosso dia a dia. O que precisamos aceitar, antes de mais nada, é que, o nosso modelo mental e a forma convencional de fazer negócios precisam ser postos à mesa, para uma profunda revisão. Os exemplos citados acima são implementações de menor complexidade e que rapidamente vêm se ajustando, à medida que o uso evolui em ritmo acelerado.

Temos desafios importantes que, na grande maioria, também são oportunidades para rever a forma e o caminho da solução, criando estratégias mais inovadoras. Todos conhecem os principais desafios do setor supermercadista e que são debatidos a longos anos, por exemplo, a ruptura. Vejamos: na grande maioria dos casos, não é falta de capacidade, ou seja, temos capacidade ociosa; temos pessoas (consumidores) interessados em consumir esses produtos; mas a plataforma que utilizamos não tem sido suficiente para resolver o problema ou aproveitar tais oportunidades.

Já estive no lado da indústria como executivo na área comercial, sentindo na pele tais consequências de não resolver à altura as demandas do mercado e causando rupturas. Mas o que precisa acontecer em larga escala é uma TOTAL COLABORAÇÃO E COMPARTILHAR de tudo o que envolve, sejam dificuldades, sejam os recursos disponíveis, e isso por parte de todos os envolvidos na cadeia – dentro e fora da empresa. Estar disposto a redesenhar tudo, de fato. Mas, enquanto não superarmos a barreira comportamental, que nesses casos é potencializada pelo modelo de poder (comando e controle da hierarquia e pela pouca abertura entre as empresas que estão nas duas pontas do processo), produção e distribuição. Nosso sentimento é que passa ano a ano e o que muda é o nome de um mesmo jeito de fazer, no qual o resultado é de pouca ou nenhuma diferença ao processo anterior.

Tenho vivido algumas experiências junto aos meus clientes, nas quais o grande desafio é integrar e desarmar “espíritos” para que uma ampla colaboração e compartilhamento tenham espaço adequado, começando pelos sentimentos. Não tenho mais dúvidas, precisamos nos entregar aos processos de maneira menos insegura, e por meio do relacionamento que começa nas lideranças, gerar confiança e motivação para todos os envolvidos na criação de mais solução e mais valor para todos. Exemplos e oportunidades para atuar em nossas empresas não faltam.

alcione


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