Soja tem preços elevados devido tabela de fretes

Soja tem preços elevados devido tabela de fretes

As vendas da nova safra de soja, além de ter custos adicionados aos agricultores, estão atrasadas devido a lei que impõe preços mínimos de frete para caminhões no Brasil, que entrou em vigor após a greve dos caminhoneiros em maio, conforme informou o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de óleos Vegetais (Abiove), André Nassar.

Ainda segundo o executivo, comerciantes de grãos começam a comprar soja antes do plantio, e a imposição de preços mínimos de frete a taxas mais altas é motivo de preocupação, ainda mais diante de um impasse sobre a constitucionalidade da lei.

Após um forte ritmo de vendas registrado anteriormente, os negócios antecipados não supriram as expectativas do que registrado nesta época nos últimos anos. Dados da consultoria Datagro desta semana apontaram que os agricultores já venderam 30,3% da safra, ante 31,6% da média para o período, de acordo com informações do portal G1.

“As empresas só vão comprar a soja quando tiverem clareza sobre o frete. Precisa ter clareza no órgão regulador e no Supremo”, disse Nassar, em referência a um processo no Supremo Tribunal Federal, movido por empresas, que põe em questão a constitucionalidade da lei.

Na noite de quarta-feira (12/12), o ministro do STF, Luiz Fux, revogou uma liminar sobre o assunto, o que na prática retoma a validade da cobrança de multa para quem desrespeitar a tabela que instituiu preços mínimos. Isso ocorreu após alguns bloqueios na Rodovia Presidente Dutra no início desta semana e ameaças de novos protestos por caminhoneiros.

Na semana passada, o próprio ministro havia concedido a liminar. “O Supremo deu uma decisão e depois revogou. Tem empresa combinando com o produtor para entregar CIF (custos e frete incluso), pois FOB não dá, por causa da incerteza sobre as regras do preço do frete”, afirmou.

De acordo com a Abiove, se as empresas arcarem com o custo adicional da tabela, teriam custos adicionais de R$ 5 bilhões.

Ainda de acordo com o G1, a questão assusta o setor no país – maior exportador global de soja – que está próximo de começar a colheita de uma safra recorde de mais de 120 milhões de toneladas da oleaginosa.

A Abiove argumenta ainda a tabela utiliza metodologia falha, que não se aplica à realidade do transporte rodoviário de cargas. “Não há clareza sobre como aplicar a tabela de preços mínimos para cargas a granel que utilizem veículos diferentes de 5 eixos”, afirmou a entidade.

A associação disse que “até o momento as ações dos órgãos competentes não buscam solucionar as ilegalidades do tabelamento, apenas agravam a situação ao criar processos para punir os contratantes de frete”.


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