Inadimplência das empresas cresce 9% em agosto

Inadimplência das empresas cresce 9% em agosto

O volume de empresas com contas em atraso e incluídas nos cadastros de inadimplentes registrou, em agosto, um aumento de 9% ante o mesmo período do ano passado, segundo dados do Indicador de Inadimplência da Pessoa Jurídica apurados pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

A alta foi puxada mais uma vez pela região Sudeste, que subiu 16,31% no número de empresas devedoras. Com exceção da região Norte, que teve um avanço na quantidade de devedores (1,9%), as demais também apresentaram aceleração: 4,4% no Sul, 3,2% no Centro-Oeste e 3,1% no Nordeste.

Com relação ao número de pendências devidas pelas empresas, o crescimento foi de 7,4%. Ao avaliar as dívidas por setor credor, serviços apresentou maior alta: um crescimento de 9,7% na comparação com o ano passado. Em seguida aparece a indústrias (5,8%) e o comércio (1,8%). Já o ramo da agricultura foi o único a ter queda na inadimplência (1,7%).

Na avaliação do presidente da CNDL, José Cesar da Costa, os dados ainda são reflexos das dificuldades econômicas presentes no cenário brasileiro. “Apesar de a economia dar sinais de recuperação e a inflação ter recuado, há uma considerável distância entre os níveis atuais de atividade e os que antecedem a crise”, analisou.

Outro indicador mensurado pela CNDL e pelo SPC Brasil é o de Recuperação de Crédito, que avalia o processo de quitação das dívidas em atraso. O índice vem acelerando desde junho, e em agosto, a variação acumulada dos 12 meses foi de 2,6% — maior alta desde dezembro de 2015.

A análise da recuperação de crédito por setor devedor revela que, do total de empresas que saíram do cadastro de devedores mediante pagamento, a maior parte (45%) atua no setor de comércio. Além dessas empresas, 41% atuam no setor de serviços e 9% na indústria.

Inadimplência das micro e pequenas empresas

O Brasil registrou um novo recorde na inadimplência das micro e pequenas empresas, em agosto deste ano. Ao todo, são 5,276 milhões de MPEs com dívidas atrasadas, o maior resultado desde o início da série histórica (2016). Na comparação com agosto de 2017 (4,788 milhões), a alta foi de 10,2%. Na relação com julho deste ano (5,208 milhões) o crescimento foi de 1,3%.

Segundo a avaliação dos economistas da Serasa Experian, o crescente número de MPEs que estão no vermelho aponta como a lenta recuperação da economia brasileira continua a exercer grande impacto na atividade de micro e pequenos negócios.

Em contrapartida, os juros mantidos em patamares baixos incentivam oportunidades mais vantajosas para renegociação de débitos pendentes o que pode contribuir para uma estabilização do indicador, e viabilizar uma retomada gradual do uso do crédito para investimento na expansão de empreendimentos com esse perfil.

Por segmentos, em agosto deste ano, o setor de Serviços representava 47% dos 5,276 milhões de micros em pequenas empresas inadimplentes e registrou crescimento mensal de 2%. Comércio tinha participação de 44,1% e apontou alta mensal de 0,7%. Indústria representava 8,5% e também cresceu 0,7% na mesma relação. As demais empresas tinham participação de 0,4% e subiram em agosto, na comparação com julho deste ano, 0,9%.

Na mesma comparação mensal, entre as regiões brasileiras, apesar de o Sudeste ter a maior parte (54,4%) na participação, o Centro-Oeste foi a região que teve o maior crescimento no número de micro e pequenas empresas no vermelho, com alta de 1,6%. Na sequência, o crescimento de 1,4% foi observado nas regiões Sudeste e Sul. Norte mostrou alta de 1,3% e o Nordeste, de 0,5%.

Com 1,742 milhão de micros e pequenas empresas com contas em aberto, o equivalente a um terço (33%) do total do país, São Paulo segue isolado no topo da lista de estados brasileiros em agosto deste ano. Minas Gerais (11%) e Rio de Janeiro (8,4%) também permaneceram, respectivamente, na segunda e terceira posições do ranking.

Na variação mensal de agosto x julho de 2018, se destacam com as maiores altas de MPEs inadimplentes o Amapá (2,9%) e Goiás (2,6%). No outro extremo, registraram decréscimo no indicador Alagoas (0,3%) e Pernambuco (0,2%).

Abaixo os indicadores de participação e a variação mensal de todos os estados:


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