Sempre que choveu, parou

Sempre que choveu, parou

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por RODRIGO MARIANO revista@supervarejo.com.br

O Brasil já passou por diversas crises e não acabou; e não será esta crise, que começa a ser superada, que derrubará a economia brasileira. Por mais esforços que façam, acredito que é uma missão quase que impossível destruir a economia brasileira. Se as últimas gestões do governo federal não conseguiram, acredito que esta é uma tarefa mais complexa do que imaginamos.

Sempre que choveu, parou! Nenhuma tempestade e chuva alguma duram para sempre. E a atual crise da economia brasileira não durará eternamente. Pelo contrário, sairemos fortalecidos do ponto de vista estrutural e com alicerces para a construção de um caminho de crescimento econômico sustentado, que, em parte, dependerá da capacidade das próximas gestões do governo federal em promover as condições necessárias para que a economia flua no sentido de aumentar o bem-estar da população. Assim, as perspectivas para o médio e longo prazo são boas. Mas o tão desejado curto prazo também demonstra sinais mais animadores. Porém, vale indagar: de onde vem o tal otimismo?

A atividade de alguns setores já aponta sinais de redução da queda expressiva verificada ao longo dos últimos 24 meses, e alguns setores já apontam crescimento; o desemprego ainda se mantém elevado e com tendência crescente para os próximos dois meses, mas em ritmo menor ao verificado ao longo de 2015 e 2016; a inflação vem desacelerando e contribuindo para o aumento do poder de compra da população; melhora no ambiente de confiança da indústria, o que tende a se traduzir em produção maior; e há uma maior interlocução do governo federal com o setor produtivo para entender as demandas diversas de cada setor. A junção desses indicativos tem contribuído para a elevação da confiança por parte do empresariado e dos consumidores, confiança essa, que é um dos fatores que contribuirão para a retomada mais rápida da economia brasileira.

A confiança é um dos principais motores da economia real, que faz o trabalhador consumir mais e, confiando que estará empregado, ele irá adquirir produtos e, consequentemente, o consumo aumenta. E é essa mesma confiança que faz o empresário investir no aumento da produção e, assim, produzir mais, gerando mais emprego e mais renda.

Desse modo, o otimismo e a confiança em relação à economia no curto prazo estão diretamente relacionados à capacidade da economia brasileira em gerar mais empregos. É importante ressaltar que o desemprego afeta a confiança e, consequentemente, o consumo de maneira expressiva. Mesmo um trabalhador empregado, ao perceber esse cenário, reduz sua confiança na economia e seu consumo, aguardando a economia melhorar. À medida que o desemprego desacelera, a confiança daqueles que estão empregados retorna, e o consumo tende a voltar. Posteriormente, a criação de vagas impactará no aumento de renda daqueles que estavam desempregados. E a junção desses fatores deve elevar a confiança, que se traduzirá em aumento de consumo, principalmente nos supermercados, em 2017.

Assim, no curto prazo, a confiança ditará o quão rápido será a retomada da economia brasileira, e este aumento ou não de confiança dependerá da capacidade da gera- ção de empregos no Brasil. No médio e longo prazo, há a necessidade de reformas estruturais para que o crescimento econômico seja promovido nos próximos anos, contribuindo para uma elevação da renda da população com reflexos positivos no bem-estar das famílias.

Mas vale ressaltar que a sociedade brasileira não pode se iludir que as reformas propostas trarão benefícios imediatos, pois não trarão. As reformas, sejam elas quais forem (política, tributária, trabalhista e previdenciária), trazem benefícios de médio e longo prazo que garantem crescimento econômico com desenvolvimento socioeconômico.

O mais importante é haver a confiança de que, sempre que choveu, parou!


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