SEM REFORMAS, O PIB NÃO CRESCERÁ

SEM REFORMAS, O PIB NÃO CRESCERÁ

ENTREVISTA CARLOS KAWALL LEAL FERREIRA fotos MOACYR NETO, textos RENATA PEROBELLI revista@supervarejo.com.br

Carlos Kawall Leal Ferreira é graduado em economia pela USP(Universidade de São Paulo). Uma década após a defesa de tese de mestrado e doutorado na Unicamp, assumiu, em Brasília, a diretoria financeira do BNDES e, na sequência, o cargo de secretário do Tesouro Nacional, por nove meses, no primeiro mandato do PT. De volta a São Paulo, atuou na BMF&Bovespa e no Citibank. Há cinco anos, mudou-se para o Banco Safra, como economista-chefe. Em meio às projeções macroeconômicas, dá aulas no programa de mestrado profissional da FGV/SP. Em entrevista exclusiva à SuperVarejo, Kawall é cético: “Sem as reformas, o país não anda e a crise doméstica pode agravarse ainda mais”. O economista, de fala tranquila e muito didático, se mostra preocupado também com a incerteza da eleição presidencial para 2018.

Com quase 13 milhões de desempregados, o senhor entende que esta é a pior crise econômica do Brasil?

Vivemos uma crise doméstica sem precedentes. A crise foi fabricada por nós e nós é que temos que resolvê-la. No fim do ano, estaremos melhores ou piores por aquilo que nós tivermos feito aqui, no Brasil. Passamos pela pior crise de todas, sem dúvida, a mais sé- ria de toda a história econômica brasileira registrada em estatística. Não há precedentes nessa crise que vivemos em 2016 e 2017, levando a uma queda superior a 7% do PIB (produto interno bruto, que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país). Estamos há oito trimestres consecutivos com contração do PIB, achamos que essa tendência se encerra ao longo dos próximos trimestres. Entre 60%/70% do PIB vêm do consumo que parou de crescer há dois anos consecutivamente. Isso é muito importante do ponto de vista da retomada. Ainda não vemos sinais consistentes de melhora do consumo, daí a expectativa de um ano que o PIB não crescerá muito mais do que zero, embora já haja alguns sinais de estabilização da produção industrial, que caiu muito fortemente ao longo da crise. Minha projeção é de que o PIB fique em 0,2% este ano e 0,5% em 2018.

E o câmbio? Como o dólar vai se comportar no mercado interno em 2017 e 2018, com as 3 altas do FED (Federal Reserve System)?

Se os juros sobem muito lá, você teria uma força de elevação do dólar nos mercados internacionais e, provavelmente, traduzindo-se também no enfraquecimento do real, que, por um lado, pode ser bom para os exportadores etc., mas para a economia como um todo significa menos desinflação e, eventualmente, um pouco mais de juro. Então, tem que ficar de olho aí, neste ano, sobre qual é a trajetória do juro americano e o que isso pode implicar no cenário do câmbio. Neste momento, a previsão é de que o dólar feche o ano a R$ 3,30 e no que vem a R$ 3,50. A estimativa inicial para 2017 era de R$ 3,50, houve a revisão por conta do cená- rio mais favorável, com certo otimismo aqui dentro diante as reformas, Risco Brasil, além do preço das commodities num patamar elevado.

E também a supersafra, com 220 milhões de toneladas de grãos, injetando R$ 155 bilhões na economia?

Isso, a supersafra com bons preços. Existem duas forças opostas, talvez o juro lá fora subindo mais em algum momento, o dólar para cima, mas a gente tem também o lado das commodities, que vão nos beneficiar neste ano. Passamos por um ciclo de alta, sobretudo no minério de ferro, que dobrou de preço em relação ao ano passado.

As reformas precisam ser aprovadas para o Brasil voltar a andar. A reforma da previdência e a PEC do teto dos gastos públicos são o ponto de partida desse equacionamento, desse desajuste estrutural

Diante de todo esse cenário, qual o impacto das novas “‘listas”’ do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e as fases da Lava Jato?

Desde o ano passado, há uma fonte de instabilidade política que é muito clara, a Lava Jato, ao lado da crise econômica. E a premissa inicial sempre foi a seguinte: em um ambiente tão conturbado como o que estamos vivendo, é impossível ou muito difí- cil você fazer grandes progressos na agenda de reformas. Mas a situação foi andando, e fica claro que há um esforço das lideranças políticas, dos partidos que apoiam o presidente, para que ela avance como um contraponto, inclusive à própria Lava Jato. No sentido, de que “poxa, se eu ficar parado, o Brasil em crise e só falar das delações e lista do Janot, isso vai ser negativo e arrastaria o país para uma crise até muito maior”, do ponto de vista político, claro. Em 2018, não beneficiaria as forças políticas que apoiam as mudanças. Já se configura, aparentemente, numa eleição na qual o status quo dos polí- ticos será muito questionado. Mas se você tiver uma crise muito maior, uma nova recessão, mais desemprego, isso não ajudaria a classe política e aumentaria muito a chance do surgimento de não somente um outsider do processo político – e acho que hoje já é uma realidade –, mas uma força política nova, inteiramente de fora, um aventureiro, vamos dizer assim.

Como ficam as reformas com a proximidade das eleições? Elas correm o risco de não sair?

A janela para a realização das reformas tem mais uns quatro meses, para que você chegue ali no final do terceiro trimestre com isso aprovado ou não, mesmo que mais ou menos, e inicie o período eleitoral. Hoje, a expectativa que temos e os cenários que todo mundo constrói estão baseados na ideia de que alguma coisa da reforma da previdência passe, mesmo com negociações e atrasos. Entretanto, há uma coisa que é, vamos dizer, maior que do que a Lava Jato: a crise. A Lava Jato é um negócio que não tem mais volta, com uma visibilidade enorme da população. Não tem como! A gente tem que conseguir um consenso de tal sorte que a Lava Jato continue “doa a quem doer”, mas que, ao mesmo tempo, a agenda de reformas ande. Quer dizer, o desafio é esse!

Por que as reformas da previdência, trabalhista e a PEC do teto dos gastos são essenciais na retomada da economia?

Porque o orçamento da despesa pú- blica é insustentável e a gente precisa, neste momento, ter a percepção de que há viabilidade a longo prazo. Hoje, esse é o grande fiador da queda do juro. Mas o juro vai cair porque a inflação caiu? Só por algum tempo, desde que a inflação não volte e o câmbio não exploda, mas não assegura que o juro real brasileiro vai ser baixo ao longo dos próximos cinco, dez anos. Só as reformas vão garantir isso. Então, quem está olhando o Brasil a médio e longo prazo vai dizer: “Ah não! Puxa, que ótimo, a Selic no final do ano vai ser de 8%”. Mas 8% porque a recessão é brutal e tem milhões de desempregados? E, tão logo a economia se recupere, vai voltar a inflação e o juro vai subir? Ou a gente acha que vamos ter um regime de política econômica, um ajuste estrutural que permita um Brasil viável para os próximos cinco, dez anos? Qual o maior risco para o juro não ir a um dígito? Não é nem o Trump nem a eleição da França, é a reforma da previdência não passar. Então, a saída é mudar a Constituição. A reforma da previdência e a PEC do teto dos gastos públicos são o ponto de partida desse equacionamento, desse desajuste estrutural. Hoje, o governo já gasta quase 60% do orçamento com previdência social. O maior problema está na falta da idade mínima, entre outros pontos. Não há nenhum país importante entre as 40 maiores economias do mundo que não tenha idade mínima da previdência em torno dos 65 anos. Será que a gente pode chegar à situação de não pagar o aposentado? Sim, temos o exemplo próximo do Rio de Janeiro.

Mas e se a reforma da previdência não passar?

Mostra definitivamente que é um país que, em tese, não é viável. Você tem uma crise brutal, uma ligação forte com as questões fiscal e estrutural, mas está na Constituição. Então, a Constituição dita o rumo do país. Se ela diz que você tem que ir nessa direção e cair no abismo, então, está bom, vamos seguir e despencar. Não! Não dá! Vamos mudar a Constituição e acabar com isso. Hoje, o diagnóstico é tão simples e aritmético quando a gente olha a previdência e as contas públicas, que fica evidente que esse passo tem que ser dado. E o outro problema que ficou claro foi o da aberração da legislação trabalhista, uma máquina de gerar desemprego. Trata-se de uma legislação cara. Agora, o pior mesmo é a falta de flexibilidade numa hora como esta, de não poder fazer redução de jornada e salário e prevalecer o acordado sobre o legislado. Existe também o assunto terceirização. Enfim, a gente tem um legado no Brasil.

O brasileiro vive a armadilha da renda média? O que é isso?

Você não consegue passar para cima, você não consegue galgar após ter decolado. O problema aqui é cultural, com a visão de que a igualdade social, a superação dos problemas sociais, mesmo econômicos, se dão via legisla- ção. Não é trabalhar, buscar, estimular a produtividade, o incentivo à força do trabalho, não! Eu vou buscar uma lei que beneficie o setor rural, o aposentado de tal classe ou uma vantagem para a minha empresa, uma isenção. Ou mesmo um direito constitucional que garanta a saúde universal, o ensino, os gastos mínimos nessas áreas e tal. Aposentadoria se dá por anos trabalhados; o salário mínimo que tem que ser corrigido. Ou seja, você pensa a ideia por trás disso é: vamos garantir um país com justiça social, com igualdade, por meio de um instrumento legal que, inclusive, não pode ser mudado em alguns casos. O que adianta o direito se você entra num caos, numa falência econômica como já está ocorrendo em alguns estados? O direito não existe frente a uma coisa que não seja concreta.

É preciso buscar explicações e tentar entender por que a retração econômica do próprio consumo é mais perene e dura de ser superada do que em outros momentos

O senhor deixa claro que o Brasil só vai retomar o crescimento se fizer a lição de casa. Qual a chance de vermos isso acontecer?

Eu sou otimista. Não irá acontecer na velocidade que a gente quer, como desejaria, mas acho que, agora, a gente vai colocar o trem nos trilhos. Só que leva tempo! Não vamos crescer muito neste ano nem no ano que vem, mas acho que há uma percepção, e, além disso, é um fenômeno regional. É preciso enxergar que este ciclo populista recente tem uma raiz na região, na nossa eterna tentação populista e que foi viabilizada pelo ciclo de commodities. Então, você vê que a região teve respostas diferentes, onde o ciclo político eleitoral fez com que no início, partidos de esquerda populistas estivessem no poder, a longevidade foi muito maior, porque a disponibilidade de dinheiro era superior. Onde isso não aconteceu, o populismo mais ou menos passou com histórias muito diferentes. Colômbia, Peru e Chile têm movimentos distintos aos da Venezuela, da Argentina e do Equador, que conheço menos. Mas o fato é que há uma certa ligação com esse ciclo que abateu a nossa região e que agora está em refluxo. Além disso, vivemos a grande incógnita da eleição.

Por quê? De que forma as eleições de 2018 comprometem a economia?

Disse, recentemente, num evento do Safra, que a gente está suficientemente perto da eleição, para que, quem vive disso – os analistas políticos e tal –, já tivessem uma resposta no sentido de saber se os candidatos serão a, b, c ou d. Já ter uma ideia de quais chances um ou outro terá. Eles sequer apresentam a lista de candidatos.

Não tem como ou em que apostar?

É, a gente está num passo anterior. A incerteza sobre quais serão as candidaturas é muito elevada. Assim como vemos em outros países, é um ponto crítico do surgimento de outsiders, que são pessoas que não necessariamente estão fora do sistema político tradicional, dos partidos tradicionais, mas outsiders enquanto história, como o Donald Trump, ou em São Paulo, o João Doria. Embora ambos com a semelhança de serem empresários e de terem disputado por partidos tradicionais. Quer dizer, é importante o candidato estar inserido dentro dessa estrutura, que diria não estar abalada. Então, é essa a maneira como a gente está, em geral, construindo os cenários e as visões econômicas com relação ao ano de 2018.

Mudando para o varejo, qual a relação entre a inflação mais baixa da história recente e o consumo?

Particularmente, quando a inflação de alimentos é baixa e ajuda muito a baixa renda, você observa um efeito quase que imediato de recuperação de consumo de supermercados. Eu imaginaria que isso viria a ocorrer, mas não é o que acontece na prática. É preciso buscar explicações e tentar entender por que a retração econômica do próprio consumo é mais perene e dura de ser superada do que em outros momentos.

Não é porque o consumidor sai empoderado desta crise? Vivia bem até a recessão chegar. Houve queda no poder de compra e então aprendeu a pesquisar e economizar?

É, primeiro eu concordo no sentido de que isso também tem uma ligação com a confiança. Saber se estou seguro com meu emprego ou se você está desempregado e acha que a perspectiva vai melhorar. Então, eu não acho que a gente preenche esse tipo de condição, porque o desemprego ainda vai piorar antes da economia começar a melhorar. Pensamos algo entre 13,5 e 14 milhões de desempregados. Hoje, estamos com 12,9 milhões. Desse ponto de vista, ainda piora um pouco. Uma coisa é o lado da confiança, o outro é o que os dados mostram como os consumidores estão reduzindo o nível de endividamento. O raciocínio é mais ou menos assim: quando você pegou o ciclo do governo Lula, a renda crescia todo ano, 3%, 4% real. O consumo cresceu muito mais rápido do que isso, porque, além da renda, tinha o crédito. Quando o cré- dito alavanca o crescimento, você tem quase uma poupança negativa. Na hora do aperto, da perda de renda, o consumidor fica mais cauteloso. Sua tendência é poupar mais, e, no momento em que está endividado, tenta reduzir as despesas. Portanto, inverte a lógica, o consumo tende a ter uma performance até pior do que a da renda. É isso que a gente nota, vendo que o estoque de dívida das famílias está caindo. O consumo brasileiro, que cresceu muito acima do reajuste do salário, da renda até 2010, 2011, por conta do crédito, hoje vive um movimento contrário. A renda cai e o consumo cai ainda mais do que a renda, porque há um movimento de desalavancagem do pagamento das dívidas, o que também dificulta a recuperação do consumo. Isso ficou muito claro em outras crises, inclusive na crise americana recente, na qual a riqueza de dados facilita essa percepção. No Brasil, a gente não tem índices de poupança das famílias. Isso não existe.

O senhor projeta mais uma alta de 5 pontos percentuais no desemprego. Quando termina esse ciclo?

Tomara que seja até o próximo trimestre ou o seguinte. O problema do desemprego é que agora a taxa está crescendo mais rápido, porque as pessoas passaram a procurar mais emprego. Então, você agrega gente que estava fora da força de trabalho. Em crises prolongadas, existe o desalento, quando as pessoas param de procurar e até ajuda a taxa cair. Vivemos o efeito cíclico, quem saiu, porque estava estudando e tinha uma renda maior, agora segue o caminho inverso. Por isso, quando a gente fala que vai chegar a 13,5 / 14 milhões, depende um pouco do comportamento dessa onda.

Como o supermercadista deve fechar o ano diante desse cenário?

Eu acho que mais otimista. A gente tem este ano dois choques positivos e um negativo, que variam bastante com a localidade. O positivo é a renda agrícola; se você está numa região de Ribeirão Preto, no interior paulista, por exemplo, provavelmente terá um ano melhor que 2016. O outro, mais horizontal, é o FGTS, que pode ajudar no consumo de produtos com tíquete médio elevado. O negativo é o que está ocorrendo nos governos estaduais e nas prefeituras. No geral, o nosso está com as finanças em dia, mas pontualmente pode afetar uma ou outra cidade. No que toca o estado de São Paulo, os dois positivos prevalecem sobre o negativo, ao contrário do Rio de Janeiro, por exemplo.

Portanto, os supermercados do interior saem na frente em relação à capital?

A renda agrícola como um todo favorecerá os supermercados nessas regiões, de uma maneira geral, assim como hipermercados com o giro de bens duráveis. Já na região metropolitana de São Paulo, por exemplo, bem menos, porque o desemprego permanece alto. Agora, o que é benefício para todo mundo é a inflação de alimentos em queda e o saque do FGTS. Com o dinheiro na mão, o brasileiro vai abater as dívidas e depois consumir.

O varejista deve investir neste ano em reformas, novos projetos ou vale esperar um pouco mais?

Na crise, muita gente quebra, alguns ficam para trás e outros avançam. O setor está mais endividado. Acho que é um ano de você buscar se fortalecer financeiramente, tentar reduzir as despesas, reavaliar as lojas deficitárias e focar na eficiência para ganhar escala; a não ser que seja uma estratégia muito específica dentro da própria lógica do negócio. Atenção, é um erro imaginar que dentro de mais seis meses ou um ano vamos voltar ao mundo anterior. Não vai voltar! É uma ilusão idealizar que terá um cenário como no passado recente, do ponto de vista macroeconômico. A exceção ocorre com os atacarejos e as regiões regadas pelo agronegócio. A cadeia varejista deve se preparar para uma possibilidade de recuperação, que não será espetacular, sobretudo se fortalecendo do ponto de vista financeiro, fazendo caixa.

Como o senhor classifica o boom do consumo na década passada?

Aquilo era normal? Não, não era. A gente surfou na bolha das commodities. Em termos relativos, você ter a expansão de renda e crédito com a combinação explosiva que teve não se repetirá por um bom tempo. A crise é profunda, já machucou muita gente; o acúmulo de erros, a tendência à irracionalidade, é sempre assim! O clássico livro de Kenneth Rogoff e Carmen Reinhart, The time is different, mostra as crises desde a moeda medieval até a catástrofe do subprime, nos Estados Unidos, há alguns anos.

O Natal de 2017 será melhor em comparação às vendas do ano passado?

Tudo leva a crer que sim. Na média do ano, 2017 será muito melhor que 2016. O ano passado foi muito fraco.

Qual o conselho que o senhor deixa para os empresários do setor?

Sempre levar em conta que, quando a gente tem um ciclo de desenvolvimento que é muito apoiado em crédito e taxas de crescimento muito espetaculares por uma conjunção de fatores muito favoráveis, tem que estar sempre atento ao fato de que pouco provavelmente isso vai se perpetuar. Ninguém previa uma queda, um encolhimento na economia de 3.8% em 2015 e 3.6% em 2016. Temos sempre que desconfiar quando tudo está dando muito, muito certo. Pode apostar que esse não é o cenário eterno. Acho que o setor de varejo foi um dos carros-chefe no ciclo de crescimento, assim como a construção civil e o setor de serviços, a indústria saiu prejudicada pelas exportações. A gente já enxergava que era uma coisa totalmente desequilibrada. Mas é difícil quando a gente está indo muito bem, aceitar a ideia que isso não é permanente. É preciso refletir!


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