Que legado iremos deixar?

Que legado iremos deixar?

Como você quer ser lembrada (o)? Como aquela (e) que adquiriu isso, aquilo e aquele outro ou quem desenvolveu e implantou conceito, filosofia, cultura, modelos com resultados?

Uma grande e conhecida instituição de São Paulo, que atende a pessoas com um determinado tipo de deficiência, teve em sua fundadora – também deficiente – a grande empreendedora que desenvolveu e semeou um modelo por todo o país, deixando um honroso legado que dura muitos anos após sua morte. Sucessão familiar levou à contratação de modismos corporativos, incompatível com o propósito dessa fundação, e a conclusão. Aos poucos, foi perdendo o legado, e agora um novo trabalho, alinhado com os propósitos da fundadora, começa a ser desenvolvido por novos gestores.

Está nas escolas, nas empresas de todos os ramos, está no setor público e no terceiro setor – conseguimos encontrar quase tudo o que tem de mais moderno e avançado nos países mais desenvolvidos, mas aqui não funciona como lá. Por quê? Porque depende das pessoas, e o mesmo investimento que adquire precisa ser expandido para quem opera e relaciona a tecnologia, com as necessidades das pessoas e soluções para as quais foram criadas.

O crescimento do tamanho precisa, mais do que nunca, estar alinhado ao investimento do desenvolvimento de líderes. Líderes que tenham em seus indicadores o principal deles, deixar um legado de estilo, filosofia e propósito, nos quais as pessoas consigam se enxergar no centro dos objetivos. Isso para os líderes proprietários e para os líderes
colaboradores.

Recebi uma frase de um amigo e leitor, que tomo a liberdade de compartilhar aqui: “Só há uma coisa pior que FORMAR colaboradores e eles partirem… é não os FORMAR e eles permanecerem”. (Henry Ford) 

O discurso da defasagem no perfil necessário para todos os postos de trabalho é recorrente, e, na minha memória, há mais de 20 anos. Vemos empresários empreendedores não medindo esforços para seguir em frente com a expansão de seus negócios, em faturamento e número de unidades, o que é saudável para gerar novas oportunidades de trabalho. Mas é preciso escolher o que queremos para o futuro nas organizações. Temos uma juventude maravilhosa e com visíveis traços de quem busca um mundo diferente do que está aí, e felizmente para melhor. Preparar uma geração capaz de conviver no ambiente atual, e, ao mesmo tempo, contribuir para desenvolver aquilo que pode se transformar em um novo legado na relação entre o humano e o capital deve ser estratégico e com volume de investimento proporcional à frase “nosso capital mais valioso são as pessoas”. Será?

Investir em RH desenvolvendo colaboradores, em todos os níveis, com o objetivo humano em que o propósito do legado seja tão importante quanto o crescimento, e ter como consequência a solidez que só o poder econômico isolado, não garantirá que o legado se perpetue. Para que o discurso da falta de talentos e do perfil inadequado às necessidades tenha parte da solução na total reformulação do orçamento dedicado ao RH, investido na formação do futuro da organização com sólidos conhecimentos gerados e multiplicados em todas as áreas. Não dá para atribuir a responsabilidade ao mercado por não ter profissionais qualificados. Se conhecemos o país em que vivemos, sabemos que depende de nós a solução adequada a nossa necessidade.

Captura de Tela 2016-10-20 às 12.47.00Ao avaliar pessoas internas para novas posições, a riqueza das opções de talentos está diretamente ligada ao quanto e ao como investimos em desenvolvimento. Quando é de qualidade esse investimento, necessitamos menos do excesso de critérios e de avaliações, pois essa história já vem sendo contada há um longo tempo, e o risco do erro e do tempo perdido é quase zero.

Essa responsabilidade se estende a todos os líderes atuais que podem, junto às suas equipes, desenvolver uma positiva revolução no ambiente, na capacidade e na forma de sua área ou na unidade de gerar resultados. Invista tempo, dê oportunidade, acompanhe e estimule o aprendizado constante. Permita a inovação, que rejuvenesce as relações e a estratégia de resolver problemas e estabelecer relacionamento com quem faz.

Façamos isso de forma continua. Façamos inspirados na frase de Henry Ford. Façamos por um legado que mostrará, por meio do orçamento investido e do conhecimento gerado, um time apaixonado pelo que faz e pela empresa que trabalha, revelando o verdadeiro valor das pessoas nas organizações. É possível! Coragem e vamos agir.

alcione


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