Qualidade do freezer à mesa

Qualidade do freezer à mesa

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Refeições congeladas conquistam o consumidor com variedade de opções, pratos elaborados e sabores mais próximos da comida feita na hora

Com uma nova rotina familiar, a praticidade é fator prioritário para o consumidor brasileiro, que valoriza seu tempo – quase sempre escasso –, mas não abre mão de comer bem. O cenário econômico nebuloso de 2016 trouxe novos hábitos ao brasileiro, que diminuiu a ida a restaurantes, mas buscou alternativas para manter seus gostos e suas preferências à mesa, gastando menos e sem necessariamente descobrir uma nova vertente de chef de cozinha.

Versões cada vez mais gourmetizadas, sem cara de comida congelada, graças à melhoria de técnicas de congelamento e conservação, invadem gôndolas e atraem a preferência de consumidores que buscam variedade, preço, sabor e rapidez na hora da refeição.

Com isso, empresas do setor investem continuamente na melhoria de processos que preservem as características naturais dos alimentos, melhor shelf life e saborização. “Buscamos sempre desenvolver receitas e preparos com ingredientes frescos, que tragam sabor para a mesa do consumidor, e que também atendam à demanda de quem busca praticidade no preparo das refeições aliado a um alimento de qualidade”, explica a diretora de marketing e de trade marketing da JBS Foods, Fabiola Menezes.

“Antes, tínhamos uma dona de casa que podia se dedicar a cozinhar e cuidar de sua família em tempo integral, mas, agora, essa mulher está totalmente ativa no mercado de trabalho, e teve seu tempo para as atividades domésticas reduzido”, analisa Fabíola.

A empresa, que tem entre as suas marcas a Seara, possui a linha de pratos prontos com 22 opções de produtos, sabores diversificados e sem adição de conservantes, em que se destacam arroz de forno, escondidinhos, yakisoba, acompanhamentos como estrogonofe e almôndegas, além de uma linha de lasanhas.

Praticidade

Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia), o segmento de congelados e desidratados prontos para o consumo faturou R$ 14,5 bilhões em 2015, alta de 9,84% em relação ao ano anterior.

Como explica a sócia-diretora da consultoria Vecchi Ancona, Ana Vecchi, o mercado de refeições congeladas é crescente já há alguns anos e tende a aumentar especialmente pelo comportamento do consumidor solteiro ou que mora sozinho.

“As embalagens que começaram com aquela referência de ‘tamanho família’ agora são produzidas em menor tamanho, para aquela pessoa que vai consumir sozinha, precisa e quer fazer uma refeição rápida, no jantar, no café da manhã etc.”, lembra Ana.

A indústria, por sua vez, vem se desenvolvendo no campo das comidas congeladas saudáveis, com menor teor de sódio, o que faz com que o congelado deixe de ter aquela característica de item extremamente calórico, reservado apenas para o fim de semana, e se torne um produto que pode ser consumido diariamente.

É fato que o brasileiro, anos atrás, sentia alguma restrição quanto à qualidade dos produtos congelados, porém, nota-se a preocupação crescente com o aprimoramento das receitas, do sabor e da qualidade. Com isso, o consumo passou a ser mais presente na mesa desse público.

Afinal, o produto congelado é prático, principalmente quando se considera o estilo de vida quase sempre atribulado do consumidor, que, muitas vezes, trabalha fora de casa, em longas jornadas de, às vezes, até 14 horas ao dia, sem tempo para ir para a cozinha, ou, ainda, para aquele que trabalha home based e precisa alimentar-se rapidamente.

“O congelado é uma praticidade e, se bem explorado, agrada o consumidor; prova disso são países desenvolvidos, como EUA e China, onde a participação das refeições congeladas é muito maior que a nossa”, lembra o presidente da Sociedade Brasileira de Varejo Consumo – SBVC, Eduardo Terra.

“Vale lembrar que esse mercado teve um boom durante a inflação, porém, com a estabilização, o consumidor saiu do congelado e passou a ter uma frequência maior nas lojas, optando por produtos frescos. Já na fase atual, podemos dizer que estamos passando por uma reinvenção na categoria em questão de qualidade e sabor”, sugere o especialista.

No PDV

Ana_Vecchi_2“Os supermercados devem estar muito atentos à exposição de produtos e ao posicionamento das marcas em suas gôndolas refrigeradas, pois essas são, talvez, as maiores propagandistas da comida congelada”, acredita Ana (foto).

“Na maioria deles já há uma preocupação quanto à facilitação do processo de compra. Por exemplo, é possível chegar a um supermercado, escolher um prato congelado que combine uma carne, uma raiz e um legume, e, ao lado, encontrar aqueles sacos individuais de ervilhas congeladas para complementar esse prato”, exemplifica a consultora.

Há de lembrar que o consumo desses pratos ainda tem sua grande concentração em consumidores A e B. São eles, em sua maioria, adultos, jovens, que vivem sozinhos, ou casais que trabalham fora e chegam mais tarde em casa e optam pela praticidade.

Por essa razão, o melhor mix para um supermercado é feito a partir dos estudos que os gestores fazem da curva ABC de produtos, do perfil dos consumidores – quantos são solteiros jovens, solteiros mais velhos, quantos casais jovens, quantos casais mais velhos, shoppers etc.

É sempre uma combinação da análise da curva ABC dos produtos atrelada ao perfil dos consumidores daquele bairro, daquele local. “Para abastecer as gôndolas, é importante que o varejista faça o consumidor entender, no caso de lançamentos, principalmente, que existe um novo produto e qual o benefício que ele traz para aquele perfil de determinado consumidor que frequenta a loja”, ressalta Ana.

Na opinião do diretor de trade marketing da BRF, Fabrício Amorim, ainda que mais da metade dos shoppers da categoria seja de mulheres das classes A e B, a maior parte delas economicamente ativa, o consumo não é mais tão concentrado nos solteiros. “Os congelados têm sido opção constante na mesa de famílias inteiras”, diz.

Para Terra, os três fatores que determinam esse tipo de compra são: preço, apelo de conveniência e comodidade. “Mas vale citar que os que não determinam também, que são os menos saudáveis ou saborosos, são um desafio para a indústria, que precisa achar um equilíbrio.”

Um bom exemplo disso, segundo o presidente da SBVC, é a migração das carnes para a categoria congeladas. Segundo ele, o tempo de vida útil do produto é muito maior, porém, muitas pessoas ainda optam pelos produtos frescos. O desafio é conquistar o brasileiro para a compra.

Outro fator que merece atenção por parte da indústria de refeições congeladas, além da saborização e shelf life, é aumentar a sua acessibilidade e o seu consumo também para as famílias e pessoas mais velhas, e não apenas para os solteiros ou casais.

Quem aposta em novidades que vão além das citadas acima, para atender a nichos específicos, é a Schär, com

sua linha de refeições sem glúten, que inclui pizza e lasanha. “A linha de congelados representa, hoje, 12% do faturamento da Schär na Europa, que possui duas fábricas exclusivas para o desenvolvimento desses produtos”, explica a diretora comercial e de marketing, Ticiana Menezes. A categoria de produtos para restrição alimentar vem crescendo consistentemente ao longo dos últimos dez anos no Brasil, e é preciso sinalizá-la bem no ponto de venda, pois a informação é um dos maiores influenciadores de compra da categoria.

Potencial

Apesar de reduzirem a intensidade de consumo de pratos prontos congelados, os lares gastaram mais com a categoria em 2016, segundo a Kantar WorldPanel. O efeito dos repasses expressivos de preços movimentou também a importância de marcas low tier, que ganharam mais espaço nesse mercado.

A categoria de congelados depende amplamente de inovações, e hoje o principal fator de compra desses produtos é um portfólio variado somado a um preço competitivo. “Por muito tempo a categoria ficou estagnada, com pouca diferenciação entre as ofertas dos principais fornecedores e as poucas novidades para o consumidor”, explica o diretor de trade marketing da BRF. Por essa razão, os lançamentos são importantes para reforçar diferentes atributos dentro da categoria, como saudabilidade dos pratos e versatilidade de públicos.

Comparada a outras categorias de alimentos, a de congelados ainda apresenta grande oportunidade de crescimento em penetração. “Mesmo os consumidores frequentes de congelados ainda consomem um número limitado de categorias, com concentração de vendas em lasanha, hambúrguer e empanados, e são normalmente compras por impulso”, aponta Amorim.

O principal fator para estimular esse tipo de compra é a disponibilidade de portfólio variado, com muitas opções de sabores e tamanhos, além, é claro, da disponibilidade de espaço para o armazenamento no freezer dos lares.

De maneira geral, os congelados são muito rentáveis para o varejista. Além disso, do ponto de vista mercadológico/comportamental, a categoria está alinhada com as tendências de consumo e tem um potencial imenso de crescimento, por ser uma categoria menos madura, com oportunidade de incremento em penetração e frequência de compra.

“Esse potencial de crescimento se confirma também quando comparamos nossos números de consumo com os de países desenvolvidos, que, em média, têm consumo per capita de congelados cinco vezes maior que o brasileiro”, lembra Amorim.

Na hora de abastecer as gôndolas:

  • Ofereça um amplo portfólio, sempre atento à exposição das inovações da categoria;
  • Garanta que os produtos e as marcas de maior valor agregado estejam expostos antes dos demais no fluxo do consumidor;
  • Assegure o espaço por marca conforme o share de mercado de cada fornecedor.

O share de mercado é o reflexo da escolha do shopper, e, por isso, deve receber atenção especial.


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