Qual o EPI para proteger-se de uma liderança insustentável (insuportável)?

Qual o EPI para proteger-se de uma liderança insustentável (insuportável)?

Desastres relacionados ao meio ambiente, em todas as suas formas de vida, têm tido frequência, intensidade e consequências cada ano mais irreparáveis. Acontecem nas mais diversas formas e em todos os ecossistemas, deixando sempre um rastro de destruição irresponsável. Todos nós sofremos ou causamos pequenos acidentes e incidentes domésticos, e, ao vivenciar estes, aprendemos que sempre estão associados à negligência, à desatenção, às atitudes inseguras, à falta de prevenção. Nos grandes desastres não é diferente, mas nestes casos está presente um líder ou grupo de líderes, que, por meio de sua gestão, deveriam garantir a segurança. Na grande maioria das situações, acabam agindo de forma imprudente ou inconsequente e de alguma forma deixam de cumprir o seu compromisso maior, a PRESERVAÇÃO DE TODAS AS FORMAS DE VIDA. Colocar a geração de resultados acima dos cuidados da vida, não apenas desta, mas de outras gerações futuras, tem levado os envolvidos a praticarem uma gestão inconsequente e sem a justa aplicação das regras de segurança que deveriam preservar ambiente e pessoas, e não tentar reparar parte dos estragos causados.

É inegável a evolução dos programas que algumas empresas têm levado à prática como forma de reduzir o número de acidentes, em especial os acidentes de trabalho com o trabalhador. Mas a maioria ainda é para cumprir uma lei, não está em seu DNA de operação, não é um propósito de existência da organização.

Outro tipo de estrago, este mais silencioso e pouco visível, tem sido sentido pelos colaboradores de empresas que colocam o resultado acima de qualquer coisa, mesmo que nas aparências verbalizem um discurso de foco em gente, cuidado com pessoas. Pesquisas têm comprovado a queda assustadora do nível de engajamento dos funcionários nos últimos 20 anos. Por que será que as pessoas têm reduzido em ciclos frequentes seu grau de engajamento?

A resposta é simples, embora a evolução desse comportamento seja um tanto complexa. A causa raiz está na liderança das empresas. Desde a cúpula até os níveis mais táticos de liderança, seguindo um caminho de causa e efeito até chegar ao colaborador. O agravante é que da média liderança para baixo os sintomas de desalinhamento, desmotivação, falta de comprometimento são praticamente os mesmos, o que fragiliza a execução de qualquer estratégia tornando processos vulneráveis.

Pessoas nas empresas são chamadas de recursos, e num discurso batido, no qual este recurso é o mais importante para a empresa. Mas o que falta, além de praticar, é entender e tratar recurso humano como um recurso valioso natural, que, se maltratado e atacado, também sofre estragos e reage.

Programas de Desenvolvimento de Liderança (famosos PDLs), muito bem escritos no papel, nada resolvem se não forem executados e praticados com a proximidade e a cumplicidade de todos os níveis. Só um programa não garante que o desenvolvimento de seus líderes ou a preparação dos sucessores destes traz o sucesso desejado. Ao olhar as melhores empresas para trabalhar, encontramos exemplos muito positivos e que podem servir como inspiração. Mas o universo a ser tratado é de milhares de empresas que, se aplicada essa avaliação, estarão muito distantes de um lugar motivador para trabalhar e ser feliz.

Desde que o mundo ficou “menor”, advento produzido pelos efeitos da globalização e da internet, que como consequência trouxeram todas as formas e meios de aproximar continentes, mercados, culturas e pessoas, a propagação de uma liderança insustentável se mostra devastadora, e hoje não mais tão silenciosa.

Por enquanto, a maioria tem usado como EPI para se proteger desse tipo de liderança uma atitude simples e triste: aqui não fico mais. Muitos nem gostariam de deixar aquela empresa, mas como diz a frase já bem batida: “As pessoas não deixam as empresas, deixam seus líderes”. Deixam a cultura criada e praticada pelos líderes.

Recentemente, participei de um fórum de executivos muito conhecido e bem avaliado, no qual um palestrante mencionou a seguinte frase: “O que está funcionando ou não em suas empresas, foram vocês líderes que colocaram lá!”.

O primeiro passo para conseguir trabalhar isso é saber exatamente como está o clima em sua empresa e reconhecer que esta resposta é percebida, saber que é possível mudar para melhor, e iniciar a correção do que já é ou pode ser tornar um “desastre ambiental”.

alcione


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