Perspectivas para o varejo em 2018 - SuperVarejo
Perspectivas para o varejo em 2018

Perspectivas para o varejo em 2018

por Flávio Boan*

*FLÁVIO BOAN é diretor executivo da FALCONI Consultores de Resultado. Tem experiência na liderança de projetos de melhoria de resultados em praticamente todos os segmentos da economia, em organizações públicas e privadas no Brasil e no exterior

A Falconi tem trabalhado há mais de 20 anos com os maiores varejistas do Brasil e alguns grandes players mundiais, bem como redes regionais de grande impacto local. Nossa experiência ao longo desses anos tem nos mostrado que, quando os ciclos de recuperação se iniciam, as empresas que se prepararam e se fortaleceram durante o período de crise saem na frente e conseguem capturar uma fatia maior do valor agregado pelo crescimento do mercado.

Projeções feitas com base em dados divulgados pelo IBGE apontam que o varejo deve crescer acima de 3% neste ano, alinhado com o aumento previsto para o PIB. Entretanto, o consumidor deve voltar às compras sem assumir grande endividamento, buscando fazer uma análise cuidadosa do custo-benefício. Há três fatores que influenciam o desempenho do varejo: renda, desemprego e preço. Os reajustes salariais, baseados na inflação, tendem a ser menores neste ano, mas a geração de empregos deve assumir o protagonismo. Novamente, o cenário é mais positivo, com alta estimada de geração de empregos.

Entretanto, em 2018 há fatores tecnológicos que não estavam presentes nos ciclos anteriores e que darão o tom dos desafios atuais. As empresas com grandes lojas físicas sofrerão ainda mais pressão do e-commerce, que continuará crescendo por conta da influência das gerações Y e Z no consumo.

Nesse cenário, muitas organizações tentam se diferenciar dos seus concorrentes por meio do investimento em tecnologia. Há estudos que mostram que a inteligência artificial ganhará cada vez mais força, criando lojas onde será possível comprar tudo sem filas e sem pagamento físico, diretamente no cartão de crédito ou em outros meios de pagamento digital. Na China, o dinheiro já cedeu lugar para o pagamento eletrônico e, na Ásia, o QR Code é uma forma de pagamento que vem se popularizando.

Entender as mudanças nos hábitos de consumo também será decisivo na captura de valor nesse ciclo de crescimento. A nova geração de consumidores prefere alugar, sem tanto interesse em ter a posse de um produto; por isso, as empresas precisam se adaptar para oferecer produtos e serviços mais baratos e novas experiências de consumo.

Os consumidores querem ter sensações mais amplas durante a compra e o uso do produto, e as empresas já começam a se movimentar nesse sentido. Várias marcas oferecem eventos inspirados em filmes, atraindo a atenção de milhares de pessoas. Não basta satisfazer e agradar os clientes, é preciso fazê-los se identificar com as marcas.

O ano de 2018 deve marcar um crescimento ainda maior do mercado de produtos usados. O re-commerce deve saltar dos US$ 18 bilhões registrados em 2016 para US$ 24 bilhões. Parcerias com sites de produtos usados têm sido uma tendência, bem como avaliar o sucesso das coleções anteriores e relançar aquilo que continua dando certo.

Dentro desse contexto de dramática transformação, boas práticas de gestão serão ainda fundamentais para a sobrevivência das organizações, em especial para os varejistas. A habilidade gerencial irá determinar sua capacidade de resolver problemas novos e prosperar nesse novo mercado. É preciso cultivar times que façam com que as mudanças aconteçam. O segredo de uma empresa preparada para as mudanças constantes é a disciplina na execução dos planos.

O método PDCA (Plan, Do, Check, Act) é simples e fácil de entender. No entanto, sua aplicação no dia a dia é complexa e seu uso por todos demora alguns anos para acontecer. Todo mundo destaca a importância do planejamento no método de gestão. Entretanto, a disciplina para avaliar a execução das ações e o alcance da meta, com consequências positivas para quem faz acontecer e negativas em caso contrário, é o segredo do sucesso. Isso faz com que a prática do PDCA seja um importante instrumento de mudanças.


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