Pague rápido

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Investir em várias opções de meios de pagamento é uma maneira de atender às necessidades de diversos perfis de consumidores

por Daniela Guiraldelli

Oferecer várias alternativas para que o consumidor pague suas compras não é mais um diferencial no varejo, mas, sim, uma escolha do supermercado sobre quanto ele quer atender às necessidades de seus clientes. Deixar de disponibilizar opções desse tipo é algo que pode afastar uma parcela de compradores. “Não vejo as modalidades de pagamento como fator fidelizador. Mas a ausência dessas opções provoca o desinteresse do cliente”, afirma o diretor financeiro da Rede Super Nosso, Carlos Roberto Canuto.

E, assim como tantos outros, o mercado de meios para pagamento tem passado por transformações nos últimos anos. Os mais comuns, na maioria das lojas, são o recebimento por meio de dinheiro, cartões de crédito e débito, cheque (opção cada vez menos usada), cartões alimentação – que funcionários de empresas recebem como benefício, modalidade que também tem peso importante nesse setor –, além de opções que utilizam pontuações de programas de fidelidade e cartões de crédito Private Labels (da própria loja).

Algumas modalidades eletrônicas de pagamento estão se desenvolvendo e devem ser o caminho do futuro, entre elas o PayPal, o Android Pay e o Apple Pay, que já estão disponíveis em alguns mercados internacionais e devem ganhar força em terras brasileiras nos próximos anos. Os bancos também estão disponibilizando aplicativos para transferências on-line entre contas e há, ainda, o crescimento de moedas eletrônicas, como o Bitcoin (veja box Modelos de Pagamentos).

Devido à importância de buscar os meios mais adequados de pagamento para oferecer aos clientes, grandes players varejistas, como o Carrefour, por exemplo, optam por atuar por meio de um banco próprio no país. O Carrefour Soluções Financeiras (CSF) opera oficialmente no Brasil desde 2007 e oferece um portfólio de serviços.

De acordo com o departamento de comunicação da empresa, o Cartão Carrefour – um dos produtos financeiros do banco – tem grande relevância no varejo brasileiro, pois trabalha com bandeiras líderes de mercado, o que confere praticidade e também representa mais uma possibilidade de compra para o consumidor. O cartão é aceito em todos os pontos de venda da rede (Carrefour Hiper, Carrefour Bairro, Carrefour Express, drogarias, carrefour.com, postos de combustível Carrefour), além de poder ser utilizado em outros estabelecimentos comerciais.

 Atenção às armadilhas

Por outro lado, independentemente da decisão de trabalhar com as opções de crédito, débito, cartões próprios etc., o
varejista deve ficar atento para realizar negociações adequadas ao seu negócio, seja com bancos, adquirentes, seja com demais empresas nesse mercado. É necessário ponderar, principalmente, as taxas cobradas e o prazo de pagamento.

Também se deve avaliar a quantidade de bandeiras que cada fornecedor aceita para considerar uma decisão. É importante ressaltar que algumas das condições não são excludentes e devem, sim, ser adicionadas como forma de ampliar a base de clientes que optam por diferentes formas de pagamento. “Às vezes, o seu banco pode oferecer condições piores em determinado serviço, mas, no pacote de benefícios e no 0 relacionamento, você poderá sair ganhando”, alerta o professor de Administração da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), Artur Motta.

Quando se trata de benefícios ou auxílios que podem ser obtidos na negociação com as empresas que oferecem os meios de pagamento, o varejista deve estar atento às taxas por transação e à mensalidade, que são os fatores mais críticos.

Além de redução no custo da taxa de administração e isenção no aluguel de máquinas de captura de vendas com cartão, cabe ressaltar que, em alguns casos, o adquirente faz parte de uma cadeia de bancos. Portanto, o varejista pode conseguir taxas melhores na antecipação de recebíveis ou, ainda, em empréstimos com a garantia dos cartões.

“O supermercado deve sempre aproveitar a concorrência entre as empresas e se atualizar sobre as melhores condições do mercado. O que pode ter sido uma boa negociação no passado não necessariamente pode ser uma boa condição hoje. Fomentar a concorrência entre essas empresas e ouvir novas propostas pode baratear ainda mais suas operações”, indica o professor de MBA de Gestão Empresarial da Escola de Negócios do Centro Universitário Celso Lisboa, Haroldo Monteiro.

As taxas cobradas pelas operadoras costumam variar por ramo de atividade, volume e valor médio das transações. As alternativas também podem ser físicas, como leitores para celular ou máquinas tradicionais. O supermercadista precisa fazer uma boa pesquisa e ter as contas na ponta do lápis, pois as opções podem ser mais ou menos vantajosas conforme o faturamento da empresa, que transacionará eletronicamente. O ideal é que essa pesquisa envolva empresas do mesmo setor e porte.

Crédito e débito

Entre todas as opções disponibilizadas no mercado, oferecer pagamentos por meio de débito e crédito é, hoje, uma obrigação por parte do supermercado. Entre os nomes desse setor está a Getnet – empresa de tecnologia do grupo Santander –, que tem no segmento supermercadista uma área importante na estratégia da empresa. “O setor de supermercados está em crescimento e tem inovado na forma de apresentar produtos e serviços aos clientes na ponta. A Getnet irá lançar em breve uma oferta exclusiva para clientes dessa área, que foi desenhada para atender empresários e players desse ramo, que precisam de soluções customizadas de acordo com a necessidade do dia a dia dos negócios”, afirma o CEO da empresa, Pedro Coutinho.

Os pagamentos realizados via cartão de débito são disponibilizados pela Getnet em até 24 horas úteis para o cliente varejista, sendo as operações via cartão de crédito concretizadas em até 30 dias a partir da data da compra. O varejista também tem a opção de receber as vendas do crédito à vista e parcelado em até dois dias, pelo serviço de antecipação de recebíveis.

Outro nome desse mercado, a Rede (Itaú/Unibanco) oferece ao varejista diversas opções de recebimento. Entre elas está o Flex, modalidade na qual o supermercado altera sua condição comercial e passa a receber em dois dias úteis. Mediante pagamento de uma taxa de desconto diferenciada, também é possível receber vendas realizadas no crédito à vista ou parcelado como se fossem vendas a débito, sem precisar esperar 30, 60 ou 90 dias. A vantagem dessa modalidade está na possibilidade de o supermercado utilizar os próprios recursos do estabelecimento para manutenção do fluxo de caixa, permitindo negociar maiores descontos com os fornecedores, aumentar o estoque ou mesmo reformar o estabelecimento, ou, ainda, estabilizar as entradas de caixa, ficando menos sujeito a variações sazonais.

“Além da opção do Flex, que permite receber todas as suas vendas em dois dias úteis, para transações no débito o varejista receberá o pagamento em até um dia útil. Para transações no crédito à vista, em 31 dias. E para o parcelado sem juros, a primeira parcela da venda é paga em 31 dias após a data da compra e as outras, a cada 30 dias”, explica o diretor da Rede, Rogério Vasconcelos Costa.

Cartões próprios e maquininhas

Não menos importante, cresce a adesão de varejistas ao cartão próprio ou Private Label, uma vez que se trata de uma estratégia usada pelas bandeiras para fidelizar o cliente. Por essa razão, também surgem novas empresas de olho nesse mercado. “Acreditamos que o maior benefício que o cartão marca própria pode trazer ao varejista é o conhecimento de sua clientela mais fiel. Assim sendo, nossos serviços estão voltados a incentivar e a possibilitar o estreitamento na relação entre o supermercadista e o seu consumidor”, analisa o diretor comercial da Senff, Werther Luiz Liconti. Para o executivo, ao conhecer a base cadastral e as transações que cada cliente faz na loja, é possível realizar diversas ações para aumentar a participação nas vendas. “O tíquete médio do cartão próprio sempre é maior em comparação com os demais meios de pagamento”, ressalta.

Algumas bandeiras varejistas realmente ressaltam a importância de se oferecer cartão próprio como meio de pagamento. De acordo com o diretor administrativo e financeiro da Rede Savegnago, José Roberto Borsoni, o Private Label é o meio mais eficiente para a fidelização do consumidor no varejo. “Temos o cartão próprio, além das opções crédito, débito e alguns vouchers. No Brasil, as taxas ainda são muito altas. Com o crescimento da concorrência, o mercado tem se tornado mais competitivo”, analisa Borsoni.

Mais uma provedora dessa modalidade, a Acesso oferece soluções em meios de pagamento pré-pago. Entre os seus produtos estão os cartões com marca de terceiros, o Cobranded. Esses cartões são personalizáveis de acordo com a solicitação de cada parceiro; por isso, não possuem unicidade de tarifas e características, as tarifas variam para cada projeto.

“O canal supermercadista é um dos mais importantes para a nossa empresa, por diversas razões. Uma delas é que o setor é a nossa maior rede de distribuição de cartões e também um importante ponto de recarga. Entendemos que os supermercadistas e a Acesso podem, mutuamente, se beneficiar dessa parceria. Nós, gerando tráfego de clientes para o varejo e o supermercado, oferecendo nossos produtos e serviços, como o de recarga do cartão”, afirma o CEO da empresa, Paulo Kulikovsky.

Idealizadas para “democratizar” o mercado dos meios de pagamento, principalmente para os pequenos comerciantes ou prestadores de serviços, as máquinas crescem a demanda por parte do varejo. Entre os nomes dessa tecnologia está o PagSeguro, solução de pagamentos do grupo UOL. A empresa atua em cinco frentes: aceitação de pagamentos on-line, adquirência, conta digital, pagamentos presenciais via POS (Leitor Mini, Minizinha, Moderninha Wifi, Moderninha Pro) e emissão de cartão. “Nos últimos anos, ampliamos a aceitação de bandeiras de cartão de débito, crédito e refeição, nos tornamos adquirentes e emissores, e também lançamos nosso próprio cartão pré-pago”, conta o diretor comercial e de marketing, Alexandre Magnani.

O diferencial do PagSeguro, segundo Magnani, é o modelo de negócio ofertado, sem aluguel nem taxa de adesão para adquirir a máquina. Também não há uma taxa mensal de conectividade. “A solução oferece, ainda, uma plataforma
de pagamentos on-line completa, para os supermercadistas que desejam vender pela internet com segurança”, explica.

Em parceria

Mais uma alternativa para firmar bons acordos com as empresas de meio de pagamento é contratar serviços financeiros através de parcerias com grupos ou cooperativas. Essa é a estratégia da Rede Super Nosso, que é associada à Rede Brasil de Supermercados (união de varejistas de todo o Brasil).

“Negociar por meio da Rede Brasil é uma boa forma de conseguir bons acordos, padronizar taxas e outras condições. Isso nos permite ser mais competitivos e abrir mais o leque de opções de pagamento ao cliente. Quando toda a Rede fecha um grande pacote de negócios com uma instituição, conseguimos, obviamente, melhores taxas”, afirma Canuto, da Rede Super Nosso.

É dessa maneira que atua o Sicoob, uma cooperativa financeira em que os resultados financeiros são divididos entre os cooperados. Uma das opções trazidas em meios de pagamentos é a maquininha de cartões que oferece as tecnologias sem fio, com fio, TEF (PinPad) e e-commerce.

“A Sipag foi lançada há quase dois anos e chegou para complementar o portfólio de produtos e serviços da cooperativa, que agora tem uma opção mais justa, econômica e próxima para utilizar. Não só a maquininha, mas todos os produtos e serviços oferecidos em uma cooperativa são mais baratos e vantajosos, sem contar que o associado participa dos resultados, por ser um dos donos”, diz o superintendente de adquirência, Marcel Sebastian de Freitas.

Diante dessas opções apresentadas pelas empresas, cabe ao supermercadista analisar qual é a solução que pode se encaixar no seu negócio, de acordo com seu tamanho, faturamento e, principalmente, com as características de pagamento dos seus clientes. Vale consultar especialistas e também buscar concentrar suas transações em uma única empresa, para conseguir melhores negociações. Assim, oferecer as modalidades certas para seus consumidores irá refletir diretamente no seu faturamento.


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