O que esperar em 2017

Rodrigo Marianopor RODRIGO MARIANO revista@supervarejo.com.br

O objetivo de um governo federal, do ponto de vista da economia, é se utilizar da política econômica para manter elevados os níveis de produção, emprego e renda com estabilidade de preços. Portanto, desse ponto de vista, é possível verificar que o governo federal, ao longo dos últimos anos, não foi capaz de cumprir sua função básica no que diz respeito à economia.

O descaso de governos passados e o descompasso da política econômica por parte do governo federal, tanto do ponto de vista da política fiscal, com excessivos gastos e má gestão dos gastos públicos, e pela falta de coordena- ção da política monetária, fizeram a economia entrar em um cenário deplorável e que levará anos para se recompor e trazer crescimento da renda das famílias.

Em 2016, o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 3,6% em relação a 2015, atingindo R$ 6,2 trilhões no ano. Em 2015, a economia já havia recuado 3,8%. Vale ressaltar que desde 1931 a economia brasileira não registrava dois anos consecutivos de queda no PIB. E todos os setores apresentaram queda, e até a agropecuária que, ano após ano, registra crescimento, teve resultado negativo (-6,6%). Outros destaques negativos foram a queda expressiva da indústria, que teve queda anual de 3,8%, e a Formação Bruta de Capital Fixo, com queda de 10,2%, o que é dramático, já que em 2015 já havia sido registrado queda de 14,1%.

É importante ressaltar que a queda na formação bruta de capital fixo é preocupante, pois, sem investimento, a economia demora mais para sair da crise, e, para ter investimentos, deve haver confiança, que é o fator importante para a retomada dos investimentos produtivos por parte dos empresários. A equipe econômica atual está atuando neste sentido e, por meio da redução gradual da taxa de juros, vem buscando elevar a confiança dos empresários para a retomada dos investimentos produtivos.

Do ponto de vista do setor supermercadista, o destaque negativo é a queda no consumo das famílias, que teve recuo de 4,2%, prejudicando o desempenho do varejo brasileiro, e, consequentemente, impactou o setor supermercadista. O comércio apontou queda de 6,3%, e os reflexos são sentidos em todos os segmentos do setor, incluindo o setor supermercadista, que vem sofrendo com a redução da atividade econômica, que se traduz em redução do emprego e da renda da população, e assim tem contribuído para a redução do ritmo de vendas dos supermercados. Em 2016, a queda no faturamento do setor supermercadista paulista foi de 2,73%.

Ao longo de 2016, foi verificado um alinhamento maior entre a indústria de alimentos e bebidas e o varejo supermercadista, no sentido de contribuir para que o desempenho das vendas não fosse tão impactado diante do cenário econômico que se deteriorou dia após dia. Assim, cair 2,73%, enquanto o PIB caiu 3,6%, demonstra algum ritmo diferenciado do setor de supermercados, que pode ser caracterizado pelas negocia- ções constantes entre varejo e indústria, no sentido de oferecer mais promoções aos consumidores para que o consumo não fosse afetado de maneira tão expressiva. Essas negociações, porém, acabaram prejudicando as margens das empresas supermercadistas, que já são baixas, quando comparadas com demais atividades do comércio varejista.

A notícia boa é que a situação econômica atual sinaliza um ponto de inflexão na queda da atividade econômica, ou seja, ao que tudo indica, chegamos ao fundo do poço e estamos parados. Em outra analogia, no primeiro trimestre de 2016, a economia se encontrava na estrada errada e se distanciando cada vez mais do caminho correto. Já o último trimestre de 2016 sinalizou que estamos parados, porém, na estrada correta. Assim, o próximo passo é iniciar um processo de caminhada rumo à retomada do crescimento econômico que, em 2017, deve ocorrer de maneira lenta e gradual, e somente será mais percebida de maneira disseminada em alguns poucos setores no último trimestre do ano, que compreende os meses de outubro, novembro e dezembro.

Se as expectativas se confirmarem, provavelmente 2017 se encerra com um crescimento da economia brasileira em torno de 0,5% a 1%, o que tende a trazer um crescimento real para o setor de supermercados entre 1% e 2%. Diante da expectativa de ganhos reais na renda da população com reflexos positivos para o consumo e investimento, isso pode abrir caminho de esperança para o desempenho da economia em 2018.


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