O guri cresceu

O guri cresceu

Fundada em 1967, a Cooperativa Piá é líder em iogurtes no Sul do Brasil e acaba de ampliar a fábrica para atender á demanda e conquistar ainda mais o mercado

por Amaro Dornelles

Cooperativa Agropecuária Petrópolis Ltda., que iniciou suas atividades no fim da  década de  1960, tendo como objetivo valorizar a produção de leite de seus associados, cresceu muito nesses 50 anos. Hoje, além das unidades de processamento de leite e de processamento de frutas, conta, ainda, com duas fábricas de rações, dois centros de distribuição, dois postos de recebimento de leite e uma rede de supermercados e agropecuárias com 17 lojas.

A cooperativa, que é conhecida pela marca Piá, apresentou, em 2016, um faturamento recorde de R$ 708 milhões. No segmento iogurtes, segundo dados da Nielsen, a cooperativa segue na liderança da região Sul, com 18,2% do mercado. Levando em conta só o Rio Grande do Sul, ela detém 33%.

Créditos: Mauro Stoffel
Jeferson Smaniotto, atual presidente da Piá

Como, porém, uma cooperativa do  interior do  Rio Grande do Sul conseguiu se consolidar como uma das principais do país? Para entender o motivo do sucesso da Piá é necessário voltar ao começo do século passado. Mais precisamente a 1902, quando o padre Theodore Amstadt, imigrante alemão, chegou ao povoado de Nova Petrópolis. Assim como a palavra de Cristo, ele pregava o cooperativismo.

A semente de suas ideias germinou na terra fértil da serra, onde vive a colônia germânica do Rio Grande. “Na verdade, a Piá nasceu de um projeto binacional Brasil-Alemanha para fomentar o crescimento em regiões subdesenvolvidas, onde os pequenos agricultores não tinham garantias de vender seus produtos. Além de não alcançarem produtividade, eram carentes de organização e força para criar uma estrutura comercial competitiva”, recorda o então presidente da Cooperativa Piá do Sul, que ocupava a posição quando a reportagem foi feita, Gilberto Kny (ele foi sucedido por Jeferson Smaniotto – foto).

Dentro desses parâmetros, a cooperativa foi fundada com 213 associados, todos inspirados tanto por lideranças religiosas luteranas e católicas como por lideranças sindicais. 

O espírito de cooperação permitiu a união de pequenos e médios agricultores, que ganharam viabilidade comercial graças à assistência técnica permanente. E, consequentemente, maior produtividade.

Entretanto, a produção só alcançou o mercado em novembro de 1972, graças à chegada de especialistas em tecnologia e gestão, vindos da Alemanha. O grupo geriu a Piá por seis anos, sem qualquer custo para os associados.

Arquivos históricos mostram que a produção inicial era de 2 mil litros por dia, distribuídos pelos municípios serranos, principalmente por Gramado, Canela e Caxias do Sul. Ainda em 1972, com o início da industrialização do leite – e o fornecimento de insumos agrícolas como parte da assistência técnica –, começou a trajetória de inovação e crescimento.

O grande salto foi dado na década de 1980, quando os cooperados passaram a produzir iogurtes, aproveitando o alto conceito da Piá junto aos consumidores. A resposta do mercado confirmou as expectativas e, em 2001, a marca passou a investir pesado em produtos de maior valor agregado, tendo o iogurte como carro-chefe. De lá para cá, a linha vem aumentando ano após ano e a Piá já é líder absoluta no Sul. “É a única região do Brasil onde as multinacionais não conseguem chegar perto da líder”, orgulhava-se Kny. 

Em 2013, entrou em operação a nova indústria de processamento de frutas, com capacidade para trabalhar com até 5 mil toneladas por mês. “Nosso objetivo é manter o ciclo de inovação, ampliação e modernização do nosso parque industrial”, resumiu o então presidente.

O ano de 2014 foi quando a cadeia do leite gaúcho enfrentou a sua pior crise em 50 anos, com seguidas denúncias de adulteração do produto. Mesmo assim, a Piá registrou crescimento de 8,7%, chegando a R$ 653 milhões, contra os R$  600,6 milhões obtidos no ano anterior.

Em Nova Petrópolis estão 5.710 dos 18 mil associados da Piá, sendo 248 produtores de leite. No município encontram-se também 104 produtores de frutas. De acordo com a cooperativa, o setor apresenta-se em franca expansão. Esses produtores são responsáveis pela entrega de figo, uva, morango, pera, marmelo, pêssego, goiaba, ameixa e abóbora.

A Piá do Sul é um grande instrumento a serviço da viabilização socioeconômica de pequenos e médios agricultores associados, como lembrava Kny. “Há garantia comercial da venda dos produtos e na prestação de serviços técnicos permanentes, para que eles tenham novos conhecimentos, novas tecnologias, tendo propriedades competitivas e viáveis  economicamente”, enfatizou.

A localização da cooperativa é estratégica, pois está próxima da região metropolitana de Porto Alegre. “Mais de 40% da população gaúcha está a menos de 90 quilômetros da nossa indústria, o que nos deixa fortalecidos  comercialmente”, explicou Kny.

Hoje, a cooperativa recebe diariamente 500 mil litros de leite de 85 cidades gaúchas. “Somos líderes no segmento fermentados e, aos poucos, estamos chegando ao Sudeste, a partir de São Paulo. Começamos a ‘encorpar’ em 2001. Com aprovação da assembleia dos cooperados, a Piá concentrou investimentos em uma indústria capaz de competir de igual para igual com os grandes ‘players’ mundiais”, contou.

No dia 17 de março deste ano, a cooperativa inaugurou a ampliação de sua nova fábrica em Nova Petrópolis. Com investimento de R$ 85 milhões, a Piá vai triplicar sua produção.

Das 150 toneladas/dia de fermentados (bebidas lácteas e iogurtes), manteiga, requeijão, doce de leite e doce de frutas, a unidade produz hoje 450 toneladas/dia. Conta com nova estrutura de equipamentos, capaz de modernizar a fermentação e o envase de iogurtes, a recepção do leite e a produção de requeijão e doce de leite, além de beneficiar os produtores rurais.

Entre os segredos da marca para chegar aos resultados crescentemente positivos está o incentivo aos produtores da cooperativa. Além da assistência técnica, os cooperados ainda recebem valores bem acima da média estabelecida pelo Conselho Regional do Leite (Conseleite). “Que fique muito claro. Somos uma cooperativa de verdade. Não somos mais uma dessas marcas de fachada, que apenas aproveitam isenção fiscal. Honramos nosso sistema com práticas sociais”, falou, à epoca, Kny.


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