O ano novo e a economia brasileira

O ano novo e a economia brasileira

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Passado o ano de 2016, devemos levar o aprendizado de como uma economia rica e próspera pode ser afetada por uma herança de incompetência econômica e pela herança de um governo incompetente, com sérios reflexos no emprego e na renda e, consequentemente, no poder de compra da população. Mas, pensando em como 2017 pode ser diferente e um ano marcado pela retomada do crescimento econômico, alguns pontos de atenção devem ser destacados para que possamos, de fato, sermos todos propositivos no sentido de contribuir para que a retomada do crescimento econômico, de fato, seja viabilizada.

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Do ponto de vista da equipe econômica e do governo federal, é importante que a condução da política econômica, tanto monetária quanto fiscal, esteja alinhada no sentido de deixar a casa arrumada para o momento da retomada. Em relação à política fiscal, se faz necessário a sinalização de que os gastos serão controlados, mas mais do que isso, de que serão mais eficientes. Já em relação à política monetária, a atenção deve estar voltada para o controle da quantidade de moeda em circulação, para que o controle da inflação de fato seja viável, a fim de trazer mais previsibilidade para os empresários e para que a população possa recompor seu poder de compra, ou, ao menos, manter.

Do ponto de vista dos empresários, é fundamental aproveitar a provável redução da taxa de juros para buscar oportunidades de investimentos em inovação e elevação da produtividade das empresas ou até mesmo na aquisição, na ampliação ou nas reformas. Aliado a isso, o momento é de um maior gerenciamento em custos e despesas com vistas a uma maior eficiência no que diz respeito aos gastos. Há muita oportunidade de economia nas empresas do ponto de vista do aumento de produtividade e da redução do desperdício, e isso se faz com gerenciamento constante dos custos e das despesas. Mas, de modo geral, seja pelo lado dos custos ou dos investimentos, é importante que o empresariado esteja preparado para a retomada do consumo das famílias, o que se refletirá na utilização da capacidade ociosa e na elevação de produção e das vendas.

Do ponto de vista dos consumidores, o cuidado com o orçamento é fundamental, o que não significa apenas cortar gastos, mas ter gastos mais eficientes, focar na negociação, buscar oportunidades e promoções no sentido de ter uma relação custo-benefício eficiente. O emprego e a renda não devem mostrar sinais de recuperação no primeiro semestre, mas a inflação será menor, o que proporciona uma melhora no poder de compra. Aliado a isso, os primeiros sinais de recuperação da economia, que pode ocorrer no segundo semestre, tende a elevar a confiança dos consumidores. E maior confiança se reverte em maior consumo, principalmente de bens duráveis, o que, por sua vez, auxilia na retomada da indústria, que gera mais renda e emprego, proporcionando um ciclo virtuoso. Aqui vai o reforço de que essa possível retomada exige que os empresários estejam preparados para que o aumento de consumo não gere elevações de preços e inflação. Portanto, deve haver harmonia entre o consumo e a produção.

Há uma frase do físico dinamarquês Niels Bohr que traduz o real momento da economia brasileira: “Fazer previsões é difícil, especialmente sobre o futuro”. E, de fato, está difícil prever algo diante de tantas incertezas e surpresas ao longo do caminho. Assim, mais do que prever, é importante estar preparado para o que está por vir. Há uma agenda de longo prazo que necessita ser discutida, sim, como as reformas política, da previdência e trabalhista. Mas as agendas do empresário e do consumidor não irão parar e esperar por tudo aquilo que esperamos de tais reformas.

Assim, os cenários para a economia em 2017 são diversos, e me parece difícil tentar prever algo mais concreto. Será um ano diferente, no qual teremos que acompanhar muito de perto diversos setores e captar todos os possíveis sinais, por meio da análise dos dados, para que haja um direcionamento para onde a economia caminhará. Mas ao que tudo indica, será um ano em que o PIB deve apresentar algum crescimento, que em nossas projeções deve ser da ordem de 1%, e, assim, diante da queda da inflação, o setor de supermercados deve apresentar um crescimento real em torno de 2% a 3%.


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