Aumento dos fretes deve interferir nos custos do agronegócio

Aumento dos fretes deve interferir nos custos do agronegócio

Os novos acordos feitos para tentar acabar com a greve dos caminhoneiros podem afetar diretamente o bolso de quem vive do agronegócio. O motivo é que a proposta de preços mínimos para o frete de cargas tende a elevar os valores para os produtores e consumidores finais.

De acordo com informações portal feed&food, a maior parte dos produtos do agronegócio necessita do transporte para chegar até os seus clientes. A safra de grãos, por exemplo, possui 61% de sua produção transportada pelas rodovias brasileiras, de acordo com a Confederação Nacional dos Transportes (CNT). Em uma das rotas mais importantes do agronegócio, de Mato Grosso ao porto de Santos, o valor do frete custa atualmente em torno de R$ 153 por toneladas de soja, quase 15% do valor do produto.

Tal proposta, segundo o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG, São Paulo/SP), Luiz Carlos Corrêa Carvalho, não está de acordo com a realidade de um país que é democrático e capitalista e complementa. “A lógica de uma política pública ou natural de mercado começa a ser abandonada em torno de oportunismos ou crendices que não condizem com o que se espera para o país”, finaliza.

A constitucionalidade da medida também foi questionada. “A criação de uma tabela de valores de fretes mínimos fere, além da prática de livre mercado, a constituição brasileira”, afirmou o assistente Executivo da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC, São Paulo/SP), Lucas Trindade.

Ainda de acordo com o feed&food, em 2015, a mesma proposta de tabelamento já havia sido feita, em meio às negociações com os caminhoneiros para encerrar um protesto semelhante. Na ocasião, representantes do agronegócio já haviam criticado a oferta.

Segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), André Nassar, um das preocupações é o controle da adesão dos caminhoneiros às tabelas. Nassar ainda destacou que o valor mais alto no segmento rodoviário “impactaria a concorrência” e acabaria puxando de outros setores, como hidroviário e ferroviário.


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