Novo capítulo na história do ex-Secos & Molhados

Novo capítulo na história do ex-Secos & Molhados

Parte da história musical do Brasil ao integrar a banda Secos & Molhados, da qual foi membro original e fundador, Gerson Conrad volta ao estúdio após um hiato de 37 anos sem lançar nenhum disco e apresenta o álbum Lago Azul, disponibilizado pela gravadora Deck. Em um bate-papo com a SuperVarejo, ele contou um pouco sobre sua trajetória na música e como foi a produção de seu novo CD.

SV: Qual a importância do Secos & Molhados para a sua formação musical?

GC: O Secos & Molhados foi o grupo que me possibilitou entrar profissionalmente no show business e no mercado fonográfico. Naturalmente, sou muito grato a isso e à sorte de ter participado desse trabalho. Mas a minha formação musical se iniciou quando eu ainda era menino, quando meus pais investiram na importância da educação musical.

SV: Como foi sua evolução na música após a participação nesse projeto?

GC: Após a dissolução do S&Ms, em agosto de 1974, gravei dois discos. O primeiro, Trem Noturno, com participação da atriz/cantora Zezé Motta (Som Livre, 1975) e o segundo, Rosto Marcado (Continental, 1981). Acredito que meu trabalho como compositor evolui em um processo natural desde então.

SV: Por que você demorou 37 anos para lançar um álbum?

GC: Por uma questão de bom senso. Venho de um histórico que foi um divisor de águas para o mercado fonográfico em nosso país. Não era relevante lançar trabalhos independentes que me limitariam a vender poucos discos em minhas apresentações ao vivo, sem atingir nem de perto uma distribuição em território nacional. Na certeza de que um dia

as chamadas gravadoras me ouviriam, aguardei o momento oportuno para um novo trabalho. Confesso que não me dei conta de que haviam se passado 37 anos, mas, como digo em minha composição Estação, que abre o CD Lago Azul, “Tudo tem sua hora e o seu lugar…”.

SV: O que você fez nesse intervalo de tempo?

GC: Desde o fim do S&Ms jamais me ausentei dos palcos e há mais de 45 anos estou na estrada. Contudo, acabei ficando fora da chamada grande mídia por não ter gravado discos, muito embora sempre tenha conseguido notas de jornais ou rádios para minhas apresentações/shows.

SV: Como surgiu a ideia do álbum Lago Azul? GC: No início de 2017 comecei a registrar em estúdio meu material inédito de composições, sem a intenção de lançar

como CD. Ao final desses registros, percebi que tinha material para pelo menos uns três ou quatro discos. A escolha do repertório o álbum foi uma questão de primeira emoção. No

momento certo, houve interesse por parte da gravadora Deck em conhecer esse trabalho e, assim, firmei contrato, possibilitando minha volta ao mercado fonográfico da maneira que eu esperava.

SV: Quais foram as influências para a produção do disco?

GC: Acredito piamente que, se o Secos & Molhados estivesse na ativa nos dias de hoje, estaríamos fazendo um som muito próximo do que apresento nesse novo CD. Como expliquei, fui um dos compositores do S&Ms, naturalmente deixei minha marca registrada nos discos da época.

SV: Como foi o processo de produção do CD?

GC: Foi muito tranquilo pelo fato de que entrei em estúdio sem a obrigação de produzir um disco. Então, tive a liberdade de produzir e dirigir sem interferências. Com a colaboração de meu guitarrista/maestro e arranjador, Aru Jr., e a facilidade de seu estúdio virtual, tudo fluiu com muita naturalidade.


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