No caminho certo

No caminho certo

por Nathalie Gutierres 

No dia 28 de novembro, a Associação Paulista de Supermercados promoveu a segunda edição do evento Segurança dos Alimentos Global Markets APAS, que tem a proposta de discutir as questões relacionadas a esse importante segmento que envolve os supermercados. Realizado no Centro de Convenções da entidade, o evento repetiu o sucesso de sua estreia e lotou o espaço, com mais de 400 participantes

A colaboração se mostrou como um dos relevantes temas em pauta para a promoção da segurança dos alimentos, apontando que, quando os diferentes stakeholders do negócio, assim como os órgãos públicos, atuam juntos, toda a cadeia de abastecimento é beneficiada. O evento também deixou claro que ainda há vários desafios nesse setor, como explicou o Secretário Municipal de Saúde de São Paulo, Wilson Modesto Pollara. “Ninguém sabe qual é o limite de tempo que é possível manter nas prateleiras um produto aberto e fatiado. A perda de validade não é instantânea. Precisamos de estudos para verificar essa questão”, exemplificou.

Caroline, da UFS: auditorias e certificações a partir de janeiro de 2018

Certificação em foco

Os palestrantes ressaltaram que a certificação das empresas fabricantes contribui para que os diferentes processos desempenhados sejam assegurados e, consequentemente, problemas relacionados à segurança dos alimentos sejam evitados.

“A segurança é importante e é por isso que surgiram as normas. Mas o enfoque não é só no controle, é na prevenção. Monitorar as atividades serve para checar se ações estão sendo feitas de forma correta”, explicou a diretora da Food Design, consultoria especializada para a cadeia de alimentos e parceira na realização do evento, Ellen Lopes.

As empresas da área de alimentos que são certificadas mostram que são vários os resultados conquistados, como contou o CEO da Faleiro (empresa que atua no segmento de salgados, refeições e sobremesas), Antônio Faleiro Neto.

“Os funcionários entenderam que era preciso mudar e então conseguimos corrigir processos após as auditorias. Não perdemos nenhum cliente por conta da qualidade após ajustar os processos e agora não temos nenhum problema de não-conformidade”, explicou Neto. E não é apenas nas empresas que processam alimentos que tem ocorrido a busca pela certificação. Os produtores de FLV também estão cada vez mais trabalhando nesse sentido, como detalhou o gerente de QSMS (Qualidade, Saúde, Meio Ambiente e Segurança) e Segurança Alimentar da Morangos Santa Mônica, Rafael Akitoshi Saito.

“Começamos a  buscar a  certificação porque vimos como oportunidade de elevar o conhecimento na região onde atuamos. Temos produção que depende do varejo e o varejo depende de nós”, afirmou Saito, dizendo que a empresa implementou a norma GFSI em 2016 e, no mo- mento, a companhia passa por auditoria de adequações. O representante da Fazenda Rio Bonito, que também atua no segmento de hortifrúti, Alex Gordon Lee, foi enfático ao tratar da necessidade da certificação das empresas. “A certificação significa sobreviver ao mercado, oferece oportunidade de ter padrão de melhor qualidade nos  processos e  prepara a  empresa para o crescimento”, ressaltou.

O processo de certificação, no entanto, encontra diver- sos obstáculos pela frente, principalmente com a mu- dança de cultura por parte do quadro de funcionários. “Notamos que havia profissionais que não atendiam à expectativa. E nosso objetivo era trabalhar com a melhor qualidade do mercado”, contou o proprietário da Can- dahar Esfihas Abertas, Rogério Candahar.

Com os colaboradores ajustados para atuar diante de tais demandas, é preciso apostar neles, como contou a chefe de qualidade da Coca-Cola Brasil, uma das principais empresas patrocinadoras do evento, Cristiane Borili Rosa. “Nós trabalhamos a liderança com formação, coaching, para ter ferramentas que contribuam com o comprometimento das pessoas”, explicou.

E, assim, ficou nítido que, ao padronizar os processos e ajustar a forma correta de trabalho, as companhias conseguem ir além do que poderiam. “Desse modo, podemos trabalhar de forma a prever o que vem pela frente e não reagir diante do inesperado”, finalizou o diretor sênior de segurança alimentar internacional do Walmart, Dan Fone.

Programa Global Markets APAS

Em 2016, foi lançado o programa de certificação que dá nome ao evento, iniciativa introduzida ao mercado brasileiro pela APAS em parceria com a Food Design, e fundamentada no Protocolo Internacional da GFSI (sigla para Global Food Safety Initiative ou, em português, Iniciativa Global de Segurança de Alimentos).

O Programa Global Markets APAS tem a proposta de implantar a gestão de segurança de alimentos, de forma que as companhias de todos os tamanhos obtenham a certificação relacionada aos produtos comercializados, garantindo, então, que os supermercados forneçam produtos seguindo um padrão.

“A ideia do Programa é fundamentada na colaboração e na formação de redes de trabalhos. Essa colaboração consiste na atuação do Comitê de Segurança Alimentar da APAS que abraçou a ideia e, claro, na participação das redes de supermercados”, apontou Ellen, da Food Design.

Integrando o Global Markets, a International Featured Standards (IFS) participou pelo segundo ano consecutivo do evento. “Acompanhamos desde o início e, como a APAS escolheu a nossa plataforma para as auditorias, foi natural ser um dos patrocinadores principais do evento”, contou a representante da IFS, Caroline Nowak.

E a IFS dá sequência nos processos de certificação no Brasil, segundo explicou Caroline. “Primeiro, nós fizemos os últimos passos do alinhamento dos requisitos adicionais do grupo APAS, depois treinamos os auditores. Vamos começar com as primeiras auditorias a partir de janeiro de 2018.”


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