Na rota do crescimento

Na rota do crescimento

por Renata Perobelli
fotos Ricardo Correa e Jonas Tucci

A recuperação das vendas nos supermercados é sustentável?

Não só é sustentável como muito provavelmente deve se acelerar. Isso porque a gente já viu o início de um processo de retomada; historicamente, quando uma recuperação econômica começa, ela vai se acelerando nas fases iniciais e acaba desacelerando no final, até que a economia entra em uma nova recessão. Assim funcionam os ciclos econômicos. E a gente está exatamente nesse ponto. Só há duas possibilidades de isso não acontecer: uma delas é, no meio do caminho, ocorrer uma grave crise externa e o Brasil ser impactado. Isso é possível, mas, pelo menos a curto prazo, não parece o mais provável. A segunda é termos uma crise política de proporções maiores do que tudo que a gente já teve. É bom lembrar que 2017 começou com a delação do fim do mundo do Marcelo Odebrecht, isso em janeiro. Depois, em maio, a gente teve o que foi a reprise do fim do mundo com Joesley Batista. Com dois fins do mundo, ainda assim a economia não só cresceu como foi além mais do que as pessoas imaginavam, o que deu início a esse processo de retomada das vendas, particularmente, no setor de supermercados.

Mesmo com toda a turbulência política que vivemos em ano de eleição, você não acredita em uma nova queda econômica no Brasil?

Aprendi que, no Brasil, tudo é possível. Mas está ficando cada vez mais difícil que aconteça alguma coisa nessa linha. A única possibilidade seria um resultado eleitoral que gerasse grandes preocupações. Hoje, não parece o cenário mais provável. Acredito que seja eleito alguém que mantenha políticas econômicas bastante parecidas com as atuais, que não dê uma grande guinada, e aí a economia continuará na mesma direção que ela está, podendo ocorrer recuperação e até aceleração do crescimento.

Ao sair da crise mais consciente, o brasileiro deve priorizar que produtos, na sua opinião? É a retomada geral dos supérfluos?

Toda crise deixa sequelas de longo prazo. Essa, em particular, foi a mais longa, grave e profunda da história brasileira. É bem provável que os impactos permanentes sejam maiores. Acredito nesse poder do consumidor que opta por um impacto mais sustentável em alguns hábitos de consumo, como na conta de luz, por exemplo, que não acompanha essa retomada. Especificamente no caso dos bens de consumo, o que costuma acontecer é que, depois de um longo período em que os consumidores são forçados a limitar o que gostariam de adquirir, quando têm uma folga monetária, aproveitam a sensação de alívio. Aí, sim, vão consumir um pouco mais, com a sensação, do ponto de vista pessoal, de que as coisas efetivamente melhoraram. Então, é provável que, com a recuperação da economia, produtos mais luxuosos ou considerados um pouco mais caros, eventualmente supérfluos, tenham uma recuperação maior, porque foram os que mais sentiram inicialmente. Porém, eles tendem a ser os últimos a sentir a virada.

Qual sua projeção de crescimento para este ano?

Este ano, provavelmente, como aconteceu no ano passado, a economia deve crescer mais do que as expectativas de mercado e acredito que chegue aos 3%. Em fases de recuperação econômica isso geralmente ocorre, com o crescimento efetivo batendo as expectativas. A princípio, não há porque imaginar que não vá acontecer dessa vez.

Com essa retomada do consumo, mesmo que ainda tímida, como os comerciantes devem gerir seus estoques?

Carregar estoques grandes não é bom em momento nenhum; vindo de uma crise em que, no geral, o nível de caixa das empresas é menor do que já foi no passado, faz menos sentido ainda. Então, é mais importante do que nunca manter estoques baixos. Só que esses estoques não podem ser tão baixos que impossibilitem os comerciantes de responder a um aumento súbito de demanda, que é o que deve acontecer com a recuperação de emprego que já está em curso. Ano passado foram gerados 1.800 milhão de empregos que não existiam antes. Porém, a maioria deles, empregos de péssima qualidade, informais. Com a aceleração da economia e com a aprovação da Reforma Trabalhista em novembro, é provável que neste ano a gente veja não só uma criação de vagas ainda maior que do ano passado, mas de uma qualidade melhor. E com mais renda, a gente vai ver mais crescimento de consumo, particularmente nos supermercados. E o nível de estoques precisa estar adequado a isso.

A Revolução Tecnológica impacta fortemente o varejo dos supermercados?

O varejo e a tecnologia estão muito ligados porque a tecnologia facilita a vida e poupa tempo do comprador. Isso já vem acontecendo na parte de vendas online há muito tempo e, cada vez mais, está sendo trazido para as lojas físicas.

Por visitar diversos varejos pelo mundo, quais foram as experiências que você destacaria pensando em supermercados e tecnologia?

Duas experiências me chamaram a atenção na Europa: a primeira foi em um pequeno mercado em Londres, já há muitos anos, quando vi pela primeira vez o moderno self-checkout, onde o próprio cliente passa os produtos por um sensor e faz o pagamento. Em Madri, cada carrinho de supermercado tinha um leitor de código de barras com sensor, onde você já passava o produto. Na hora da saída, não precisava nem parar no caixa.

O e-commerce é uma séria ameaça? Ou é uma ferramenta que agrega valor ao negócio, desde que bem trabalhada?

O e-commerce pode ser tanto oportunidade quanto ameaça. É uma ameaça para quem não o abraça e não o vê como uma parte da estratégia. O que eu vejo cada vez mais é o omnichannel se tornando importante. Por isso, tantas cadeias de e-commerce estão passando a ter lojas físicas e a Amazon é o exemplo mais marcante desse movimento no mundo inteiro. Na minha opinião, essa é a tendência. E, mais do que isso, a possibilidade de uma compra ser feita na loja física para entrega em casa ou feita no e-commerce para pegar o produto na loja, de forma presencial. No fundo, o conceito que está por trás é a comodidade do consumidor. E os dois, tanto a loja física quanto o e-commerce, de forma complementar, para mim, são o que oferecem a melhor estratégia.

Você acredita em disrupção no segmento? Como os varejistas podem se prevenir?

No setor de varejo e em todos os outros, na minha opinião, não é uma questão de acreditar em disrupção, ela já está acontecendo e não é de hoje. O exemplo mais marcante no varejo é o registrado nos Estados Unidos, nos últimos 12 anos, de 2006 a 2018, com a valorização das ações da Amazon, que subiram mais de 4.000%. Em contrapartida, o Walmart foi o único que também teve uma pequena valorização, de pouco mais de 20%. E outras cadeias muito tradicionais de varejo, ao contrário, tiveram quedas brutais, algumas de 98,99%, sem falar nas que quebraram por conta do processo de disrupção.

O Triple A Academy é uma plataforma digital exclusiva para assinantes. Que público busca atingir com esse portal?

O Triple A nasceu para resolver o problema da falta de conhecimento sobre revolução tecnológica. As pessoas e as empresas precisam entender o que está acontecendo; caso contrário, correm um risco enorme de ficarem obsoletas, com grandes dificuldades no futuro. Só que falta tempo e é nisso que focamos com o Triple A: fazer com que as pessoas invistam de 5 a 10 minutos do dia para se informar sobre as novidades mais importantes em termos de revolução tecnológica, inovação, disrupção, no Brasil e no mundo. Assim, poderão tomar as melhores decisões. Não é só saber, mas agir. Isso já está acontecendo, a partir de algumas ideias que a gente disseminou; novas empresas começam a surgir e grandes empresas adotam estratégias a partir das ideias que a gente dissemina. O objetivo é esse, ajudar a criar uma cultura de inovação, de disrupção, tanto nas grandes empresas quanto nas empresas que nascem, para ajudar o Brasil a ser um país inovador e prepará-lo para a revolução tecnológica.

Diante das mudanças globais, como se proteger dos atropelamentos?

A única forma de se proteger das mudanças que estão acontecendo, em primeiro lugar, é entendê-las e, e em segundo, calcular os impactos no que você faz. A partir daí, planejar as mudanças. Não há a opção de tentar escapar delas, tudo acontece cada vez mais rápido, em maior quantidade. Nunca tivemos tantas tecnologias disruptivas chegando ao ponto de maturação ao mesmo tempo. São veículos autônomos, impressão 3D, blockchain, inteligência artificial, robótica, realidade virtual e realidade aumentada. Enfim, a gente tem que abraçar e transformar isso em oportunidade.

Falando em mercado de trabalho, dá para cravar quando os 14 milhões de brasileiros que perderam o emprego serão recontratados?

Bom, dos 14 milhões que chegaram a ficar desempregados, 2 milhões saíram do ranking. Esse número vai continuar caindo ao longo dos próximos anos. Então, a gente deve ter, nessa próxima rodada do ciclo econômico, vários milhões de brasileiros voltando a ter emprego. Exatamente quanto tempo vai durar o processo, não dá para saber, porque vai depender do que vai ser feito pelo próximo presidente. Mas tem tudo para ser um ciclo que, no mínimo, deve durar mais alguns anos.

A geração de millennials vive o desapego de carros, casa etc. Como ficará o consumo desses jovens? Os varejistas precisam se reinventar?

Sem dúvida, há uma mudança de padrão de consumo ligado à geração e também devido à influência global da mais grave crise econômica que atingiu os Estados Unidos e a Europa desde a década de 1930. Com a Crise de 2008, um número gigante de jovens ficou sem emprego, sem grandes perspectivas e, ao ver o carro parado e a casa com quarto vago, resolveu experimentar serviços como AirBnb e Uber. Gostaram e, sim, houve uma mudança no padrão de consumo. Aqui no Brasil, a maioria nunca teve essa experiência de colocar a posse em segundo plano; assim, tenho dúvidas se, em países emergentes como o nosso, a sociedade está pronta para movimentos da mesma magnitude. O último ponto é que a gente precisa separar os produtos; pode acontecer com bens duráveis que são imóveis e carros, mas não vai acontecer nunca com alimentos.

Em menos de 10 anos, a população de idosos no Brasil deve chegar a 38 milhões de pessoas, ocupando 20% da pirâmide populacional, segundo o IBGE. É triste e preocupante envelhecer no país?

É óbvio que as condições dos idosos no Brasil estão absolutamente distantes das ideais, muito longe disso. O fato de os idosos viverem mais é um sinal positivo. Indica que, apesar de todos os problemas, a saúde da população brasileira vem melhorando, assim como a alimentação. O segundo aspecto é que o Brasil tem um cenário atípico em que os idosos têm uma situação muito melhor que a dos jovens. O percentual de jovens brasileiros na pobreza é superior a 30% e o de idosos na mesma condição é de 7%.

Hoje, os gastos públicos com a terceira idade, com 26 milhões de idosos, comprometem a infância?

Claro, isso explica boa parte dos problemas brasileiros. Porque, como a gente gasta demais em Previdência, falta dinheiro para a educação básica. A maioria das pessoas sai da escola desqualificada e, por isso, improdutiva. A consequência acaba sendo o salário baixo e o nível de vida ruim, que limita a renda no Brasil como um todo. Alguns países fizeram exatamente o modelo contrário. No caso brasileiro, de cada R$ 10 gastos pelo governo, R$ 9 vão para pessoas acima de 65 anos e o principal gasto é a Previdência. Apenas R$ 1 segue para a faixa etária de 0-15 anos, para a educação. No caso da Coreia do Sul, por exemplo, desses R$ 10, R$ 4,50 vão para a população acima de 65 anos e R$ 5,50 para os menores de 15. O resultado é que a Coreia, se a gente for pegar a média da última década, ocupou o primeiro lugar do exame do PISA, que mede a qualidade dos alunos do ensino médio. E o Brasil oscilou na faixa da sexagésima quinta posição.

A injeção na educação faz diferença?

Certamente, alunos bem formados e mais bem preparados elevam o nível das faculdades, das pesquisas que resultam em empresas líderes nos setores de tecnologia, como celulares e automóveis. O resultado, ao longo de seis décadas, é que a Coreia do Sul, que tinha uma renda per capita que representava 1/4 da brasileira, hoje é 4 vezes maior que a nossa. O valor médio da aposentadoria na Coreia é o dobro da brasileira. Isso deixa claro que nós estamos fazendo as escolhas erradas.

Como os empresários de supermercados podem agregar valor e oportunidade aos idosos?

Temos que passar por mudanças em todos os setores para que a população que está envelhecendo tenha mais saúde e qualidade de vida. Isso vai desde empregar gente com mais idade, coisa que atualmente não acontece, até fazer alterações nas leis. A Reforma Trabalhista foi um passo na direção certa, ao flexibilizar a possibilidade de contratos de trabalho. Se eu quiser contratar um idoso para uma jornada de quatro horas diárias, faço isso sem problemas. Afinal, sabe-se que muitos gostariam de trabalhar, mas em um ritmo condizente com a idade. E aí as empresas precisam encontrar soluções para aproveitar todo esse conhecimento e experiência, não abrir mão deles. Mas, ao mesmo tempo, precisa fazer isso de uma forma que não esgote quem não tem a mesma força física dos jovens.

Onde investir neste momento?

A queda na taxa de juros torna todos os investimentos em renda fixa menos atraentes e força os investidores a buscarem alternativas. O que explica, diga-se de passagem, por que a gente teve altas em outros ativos, como a Bolsa, as criptomoedas e o mercado imobiliário. O setor de imóveis, em especial, se beneficia da melhora da economia e dos juros baixos. Até agora, a alta nos imóveis é bastante moderada, porque havia um excesso de oferta, de maneira geral. Aliás, diversos varejistas que tinham caixa aproveitaram a queda de preços e compraram imóveis e terrenos em locais onde, antes, não teriam condição de investir, porque os valores se tornaram muito mais atraentes. É provável que esse movimento de elevação de preços continue, porque está no início e tende a crescer.

Eleição presidencial: qual é a tendência do brasileiro neste pleito pós-recessão?

Acredito que a maior chance é a da vitória de um candidato que siga as linhas econômicas atuais, porque até outubro a recuperação econômica provavelmente vai estar mais estável. Os sinais mais claros de retomada vão favorecer os candidatos com políticas econômicas alinhadas com as adotadas nos últimos anos e diferentes das que eram praticadas no governo Dilma. Em resumo, não acho que teremos uma grande mudança no perfil econômico, mas ainda é muito cedo para dizer quem vai ganhar a eleição. Na minha opinião, a chance de candidatos desalinhados com isso, particularmente candidatos de esquerda, é baixa, até porque a estratégia do PT de manter a candidatura do Lula, que será impugnada quando o TSE a julgar, entre a segunda quinzena de agosto e a primeira de setembro, impede outros candidatos, como Ciro Gomes e Marina Silva, de crescerem e ocuparem esse espaço. A economia funciona como um transatlântico, se você não dá uma grande guinada, ela continua como está. No nosso caso, é de crescimento econômico.

Um outsider tem chance de ganhar?

Avalio que sim e as chances são reais. Não há como ter certeza, mas o que me leva a crer nisso é que no mundo inteiro tem acontecido. Nos Estados Unidos, com Donald Trump, que não era um político tradicional. Na França, com Macron. Não consigo acreditar que, no Brasil, com tudo que tivemos, não haja o surgimento de candidatos fortes, competitivos, de fora da política. Quem será, eu ainda não sei.

Como empreender no Brasil nessa virada? Que dicas você dá?

Cuide do seu caixa. Mesmo com a economia melhorando, não será de forma marcante para todos em um primeiro momento. Para você aproveitar o que vem depois, não pode morrer no meio do caminho. O que faz uma empresa morrer são as dificuldades de caixa. Apesar de cuidar do caixa, não deixe de fortalecer a vantagem competitiva que você tem. Significa o seguinte: crie coisas melhores, aprimore produto, serviço, atendimento, processo, situação financeira, se fortaleça e inove. Porque, inevitavelmente, a recuperação vai chegar no seu setor, no seu negócio. Se estiver bem posicionado nesse momento, vai poder surfar e surfar bem esse movimento de oportunidades. No fundo, foram criadas por você mesmo e não pela crise. Dizem que na crise surgem as oportunidades. Eu não acho, acho que somos nós que temos que criá-las.

Como fazer parte da história e não ser atropelada por ela?

O objetivo tem que ser escrever a história, não fazer parte dela. A única forma de não ser atropelada pela história é fazendo a história. A gente faz história ousando, inovando, fazendo diferente. É o que eu estou tentando fazer a meu modo.

A Reforma da Previdência consegue ser aprovada neste ano? Há risco de a Previdência quebrar? Em quantos anos?

O governo não conseguiu fazer a Reforma da Previdência neste ano, mas tenho poucas dúvidas de que o próximo presidente, seja ele quem for, fará. A Previdência nos modelos atuais é absolutamente insustentável por duas forças: a primeira é um processo de envelhecimento da população; portanto, temos cada vez mais gente aposentada e menos gente em idade de trabalho. São os que estão trabalhando que pagam a Previdência daqueles que já se aposentaram. Com menos gente trabalhando, a receita acaba sendo proporcionalmente menor e, com mais gente aposentada, a necessidade de recursos cresce. A conta não fecha. Para completar, a expectativa de vida no Brasil e no mundo vem crescendo e muito. A consequência é que, depois de aposentadas, as pessoas recebem por mais tempo. Como resultado, há um desequilíbrio brutal que só vai crescer, com três ou quatro possibilidades. A primeira delas é trabalharmos por mais tempo e, diga-se de passagem, era o cerne da Reforma, e eu acho que é a melhor opção. A segunda possibilidade é uma redução do valor dos benefícios, que vai piorar a qualidade dos idosos no Brasil. A terceira é um aumento no valor da contribuição, que também não seria bom, porque faria com que as pessoas ficassem com menos renda disponível. A quarta possibilidade é o sistema quebrar e aí vai ter uma geração que, dependendo da idade de quem estiver lendo isso agora, é a própria ou a dos filhos; haverá um grupo que vai contribuir, mas não vai chegar a receber. E é por isso que uma Reforma é absolutamente inevitável, ela vai acontecer com toda a certeza.

Inflação baixa no Brasil e inflação alta nos Estados Unidos. Qual o impacto para a economia e para o dia a dia do consumidor?

A inflação, hoje, no Brasil e nos Estados Unidos, está em níveis bastante parecidos. A diferença é que lá a gente está vendo um processo de aceleração de alta da inflação e esse padrão está perto do normal. Já no Brasil, não só a inflação está estabilizada como ela está muito abaixo do padrão histórico brasileiro. Por que isso importa? A inflação brasileira baixa e relativamente estável permite que a taxa de juros esteja caindo, que é o que está acontecendo. Já nos Estados Unidos, ocorre o contrário. Com a alta de juros e menor disponibilidade de crédito, o que a gente deve ter é uma desaceleração da economia por lá. Já no Brasil a  gente vê o oposto, o movimento de aceleração do crescimento econômico.

Na prática, o consumidor vai ver isso? Por que essa redução de juros não é perceptível na ponta?

A queda de juros chega e até já chegou à ponta. Só que tem um detalhe: como a taxa de juros no Brasil é absurdamente elevada, mesmo com tudo que já caiu, ela continua altíssima para o consumidor final. Segun- do lugar: apesar de já ter chegado, atingiu menos do que deveria por algumas razões. Uma delas é a inadimplência no Brasil, que estava alta, em parte por conta de desem- prego muito elevado, em parte pela recessão mais longa e profunda da história brasileira. Isso gerou problemas para as empresas, em particular; a inadimplência nos empréstimos para as empresas subiu muito. Outro ponto importante: bancos não querem emprestar por causa das incertezas eleitorais e políticas. Eles se viram com muito medo de serem mais agressivos e emprestar a taxas mais baixas. À medida que o cenário eleitoral ficar mais claro, e se sinalizar, como eu acredito, a vi- tória de um candidato mais alinhado com as políticas econômicas atuais, provavelmente os bancos vão começar a ser mais agressivos e isso vai beneficiar o consumidor.

O Brasil tem jeito? Qual sua projeção para 2021, terceiro ano do novo presidente?

Difícil ter uma projeção para o terceiro ano de um presidente que a gente ainda não tem certeza de quem será. O que eu consigo ver, daqui até lá, não havendo muitas mudanças, grandes trancos nas linhas econômicas, é um crescimento ao longo desses três anos, maior do que as pessoas imaginam, porque é o que sempre acontece em fase de recuperação econômica. Exatamente onde nós estaremos em 2021 é muita pretensão minha dizer.


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