Mudanças no consumo de alimentos

Mudanças no consumo de alimentos

por Bruno Paro*

*Diretor executivo do Ibope Conecta. MBA pelo IESE Business School (Barcelona) e bacharel em Economia pela PUC-SP. Desde 2017, também preside o Comitê de Tecnologia e Pesquisas Digitais da ABEP.

Muitos clientes me procuram para questionar o comportamento do consumidor diante da crise. A resposta, embasada em nossos estudos, indica a mudança de diversos hábitos, sim. O consumidor está ficando mais velho, informado e exigente. Mas, seguimos questionando: em que o brasileiro está mudando, de fato, o seu consumo?

Em um levantamento realizado por nós em julho deste ano – Ibope Conecta, referência em pesquisas online no país –, identificamos que o internauta brasileiro está trocando marcas de alimentos mais caras por outras mais econômicas. De acordo com o estudo, 69% dos entrevistados estão fazendo a troca por alimentos de marcas mais baratas.

A pesquisa mostra, também, que 68% dos internautas que estão experimentando alimentos de marcas mais econômicas se sentem satisfeitos com elas. Eis que surge uma nova pergunta: quão fiéis esses consumidores serão a essas marcas assim que a economia reaquecer e o poder de consumo aumentar?

Sem dúvida, essas empresas que ganharam novos consumidores têm grande oportunidade de mantê-los clientes. Será necessário conhecê- los cada vez mais, o que é possível investindo em pesquisas para entender seus hábitos de consumo, comportamento de compra e para identificar oportunidades de agregar mais valor aos seus produtos e serviços.

Nós identificamos, ainda, nessa pesquisa, que os usuários de internet no Brasil estão evitando comer fora de casa (2/3 dos entrevistados) e metade destes (49%) começou a receber mais amigos e família em casa em vez de sair.

Por outro lado, os internautas têm posto a mão no bolso apenas quando avaliam a qualidade do alimento. De acordo com nosso estudo, 65% deles estão dispostos a pagar mais por uma marca quando acreditam que ela tem qualidade superior em relação às outras. Fidelidade, entretanto, está em baixa: apenas 26% está disposto a pagar mais caro por uma marca que consumia com frequência. Ou seja, percebe-se que o consumidor está cada vez mais racional no consumo, e o preço, mais do que nunca, tem sido critério fundamental na compra. Como lidar com esse contexto?

Estudos da unidade do Ibope Inteligência que analisam shopping, varejo e imobiliário defendem a ideia de que, nesse cenário, o valor é mais importante que o preço, ou seja, deve-se proporcionar o desconto e transformá-lo em algo mais vantajoso e não simplesmente em uma redução de preço. Outra recomendação é se preparar para o atendimento e promover seus serviços e produtos, fisgando esses novos clientes, já que dificilmente haverá uma segunda oportunidade. Por isso, o primeiro contato com esses novos clientes precisa ser bem executado, desde o atendimento, passando pela comunicação na embalagem ou em peças publicitárias, até a qualidade e a experiência percebida de toda a jornada de consumo. Por fim, e não menos importante, o consumidor está mais qualificado e desconfiado. Tenha cuidado com as propagandas “espertas” ou enganosas e evite promessas falsas ou vazias. Prepare-se, capriche na sua comunicação e transmita o sentimento de uma compra inteligente a fim de fidelizar os novos clientes.


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