Medidas que os varejistas de pequeno porte devem adotar para sobreviver no cenário atual - SuperVarejo
Medidas que os varejistas de pequeno porte devem adotar para sobreviver no cenário atual

Medidas que os varejistas de pequeno porte devem adotar para sobreviver no cenário atual

por Rafael Tiercelin dos Santos*

*Graduado em Engenharia Mecânica e pós-graduado em Administração. Destaca-se na liderança de projetos no setor privado, com atuação nos segmentos de varejo, comunicação, financeiro e público.

O cenário de baixo crescimento econômico em 2017 gerou diferentes reflexos no varejo brasileiro, conforme resultados da pesquisa publicada pela Euromonitor International em 2018.

Antes de mergulharmos nos impactos no setor, é importante entendermos o contexto nacional. O ambiente de retração da economia nos anos de 2015 e 2016 (redução do PIB de 3,5% em ambos os anos) e de baixo crescimento em 2017 (aumento do PIB em 1%) teve como reflexos diretos o aumento do desemprego e a redução do poder de compra da população. Com isso, observou-se a migração de parte dos consumidores de hipermercados e supermercados para o atacarejo e para as lojas de vizinhança, canais que registraram maiores crescimentos no varejo.

Segundo a pesquisa da Euromonitor, o atacarejo cresceu 11% no Brasil em 2017, bem acima do crescimento médio do varejo alimentar como um todo, que foi de 3,7%. Contudo, esse crescimento no atacarejo não se deu de forma homogênea, concentrou-se nas grandes redes nacionais, como Assaí, Atacadão e Mart Minas, que apresentaram uma elevação na participação de mercado, de 54% para 68%, no período de 2012 a 2017, enquanto redes regionais menores registraram uma queda de 46% para 32%, no mesmo período.

Qual é o segredo do sucesso?

O canal de atacarejo é caracterizado pela oferta de produtos a preços baixos. Mesmo com a tendência observada nos hipermercados e supermercados, de aumento dos itens vendidos em promoção, as principais redes de atacarejo têm conseguido manter o diferencial em preços para esses canais e, ainda assim, estão aumentando a rentabilidade.

Isso só é possível por meio da adoção de práticas de gestão que permitem oferecer preços mais baixos devido à uma estrutura de baixo custo e com um nível de experiência de compra que se aproxima cada vez mais dos hiper/ supermercados, atraindo clientes dos demais canais de varejo da seguinte forma:

  • Racionalização dos custos logísticos, aumentando a utilização dos espaços em loja para estocagem e reduzindo, assim, a necessidade de intermediários como os Centros de Distribuição.
  • Readequação do modelo de loja com foco na redução de custos operacionais, com maior utilização de iluminação natural, em contraponto ao crescente uso de ar-condicionado, por exemplo.
  • Melhoria da experiência de compra para os clientes, com corredores mais amplos, limpeza e serviços de apoio.
  • Ações de CRM e fidelização do cliente.

Já as lojas de vizinhança capturam a busca de maior conveniência pelos consumidores que querem comprar em pequenas quantidades, em locais mais próximos às suas residências, mesmo que com preços mais elevados. Aliadas à uma estrutura operacional enxuta, conseguem margens maiores em relação aos hiper/supermercados. Os modelos implantados pelas grandes redes, como Carrefour Express, Mini Extra ou Minuto Pão de Açúcar, competem diretamente com pequenos lojistas, que muitas vezes se veem forçados a encerrar as atividades por não adotarem as mesmas práticas gerenciais.

Nesse caso, as práticas de gestão diferenciais estão ligadas à capacidade de operar com um menor nível de complexidade e uma oferta de mix de produtos adequado às necessidades do dia a dia.

O uso de ferramentas de analytics torna mais assertiva a definição do sortimento em função das características de compra de cada loja, impactando também no dimensionamento de estoques e nos gastos de logística. O dimensionamento correto é fundamental, considerando o modelo operacional desse tipo de loja.

Para manter a competitividade e garantir a sobrevivência, redes menores de atacarejo e pequenos lojistas de bairro devem, portanto, investir na revisão dos processos de gestão, incorporando práticas já utilizadas pelas grandes redes. Isso permitirá a revisão da estrutura de custos de operação e logística, além de melhorar a assertividade comercial.


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