IPS cresce 0,25% em maio

IPS cresce 0,25% em maio

O Índice de Preços dos Supermercados (IPS) cresceu 0,25% em maio em comparação com abril, de acordo com a Associação Paulista de Supermercados (APAS) e a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE). Este leve aumento no índice não impediu que a inflação nos supermercados paulistas permanecesse em um patamar negativo, acumulando 0,29% de queda no ano.

“Nos meses de abril e maio, o preço do leite disparou no mercado de atacado, isso porque muitos produtores saíram do segmento após o ano de 2017 apresentando preços baixos de venda, mas com altos custos de produção. Todos esses fatores foram agravados pela greve dos caminhoneiros, que fez o leite subir 4,31% em maio e atingir 14,30% no acumulado de 2018”, avaliou Thiago Berka, economista da APAS.

Outros produtos que também podem ser considerados responsáveis diretos pela inflação do mês de maio são os tubérculos, com a batata e a cebola tendo elevações de 33% e 40%, respectivamente. Das 27 subcategorias que compõem o indicador, apenas oito apresentaram aumento. Porém, foi o suficiente para fazer o índice apresentar inflação, conforme explicou o economista da APAS. “Leite e tubérculos têm um peso importante no orçamento familiar, pois juntos somam mais de 10%. Portanto, esses fortes aumentos acabaram contribuindo para a situação observada em maio”, disse.

O destaque do mês foi a greve dos caminhoneiros, que parou o Brasil e levou a população para os supermercados, que ficaram com menos opções nas gôndolas. A expectativa era de que esse efeito da paralisação fosse sentido já nos preços de maio, porém, como a greve aconteceu somente nos últimos oito dias do mês, os impactos mais fortes serão sentidos em junho.

“Neste mês a expectativa é de mais aumentos no preço do frango e do leite. De acordo com a primeira pesquisa semanal de junho, feita pelo Procon, o valor do quilo do frango subiu 11,98%. O leite segue a mesma tendência, com alta de 8,13%”, comentou Berka.

O preço do frango havia apresentando tendência de queda, com 0,35% no mês de maio e 13,94% no acumulado do ano. Esse resultado ocorreu devido a baixa demanda e dos embargos às aves brasileiras impostos pela Rússia e outros países Europeus. Desde abril, a produção teve um início de redução, impulsionada, além do embargo, pelo preço do milho, componente da alimentação básica das aves. A paralisação intensificou essa queda de produção, uma vez que muitos pintinhos tiveram que ser abatidos, com a produção ainda por se estabilizar. Segundo a APAS, este cenário pode contribuir para a alta do preço do frango em junho.

Os produtos in natura cresceram 3,9% devido, principalmente, à alta da batata e da cebola. Já as verduras subiram 3,06%. “A cebola apresenta os maiores aumentos de preço dentre todos os alimentos no ano.  Excesso de chuvas fizeram o preço aumentar mais do que se esperava, mesmo para um período de entressafra (janeiro a junho). Além disso, o dólar mais alto ajudou a piorar ainda mais a situação devido às importações da Argentina”, avaliou Berka.

Os preços das bebidas alcoólicas tiveram deflação de 0,2% em maio, com destaque para cerveja, aguardente e vodca. No acumulado do ano, a queda desta categoria chegou a 1,41%. Já as bebidas não alcoólicas fecharam o mês com redução de 0,31%, puxando a deflação da categoria para 1,06% em 2018.

A alta do dólar ainda não afetou os produtos de limpeza, higiene e beleza. Os artigos de limpeza cresceram apenas 0,06% em maio, já os produtos de higiene e beleza ficaram com os preços estáveis. “Para que não ocorressem repasses nos preços, este segmento da indústria e o varejo ainda resistem trabalhando seus estoques”, enfatizou o economista da APAS.


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