Inovações nas operações e no ponto de venda

Inovações nas operações e no ponto de venda

A APAS Show, realizada no mês de maio, é um evento indispensável da cadeia supermercadista nacional e internacional, no qual as indústrias utilizam para o lançamento de seus produtos. No pavilhão branco desta edição, foi possível observar novidades tanto para operação da loja quanto para o ponto de venda.

por Daniela Guiraldelli
fotos Moacyr Neto

No espaço do pavilhão branco foi possível ter acesso a produtos e serviços, além de acompanhar as tendências em diversos setores, seja em produtos que promovem a alimentação saudável, seja em equipamentos para otimizar o dia a dia do supermercado. Também chamaram a atenção as tecnologias desenvolvidas especialmente para atender ao negócio do varejo. Confira, no texto abaixo, alguns destaques do pavilhão.

Gôndola saudável

A Dr. Schär destacou, na feira, a versão do seu pão francês sem glúten e sem lactose, seguindo a linha da empresa, que não usa conservantes. O objetivo é reintroduzir o produto na alimentação das pessoas com restrições alimentares.

O produto é pré-assado e deve ser finalizado na casa do cliente. “É um produto completo, que representa para o celíaco a volta do pãozinho francês à mesa. Quando se passa para uma dieta sem glúten, esse tipo de pão é um dos produtos mais difíceis de serem substituídos”, explicou a diretora de vendas e marketing da companhia, Ticiana Menezes.

Apostando em um cenário econômico mais estável, a Piracanjuba levou inúmeros lançamentos, muitos deles para atender às necessidades daqueles que buscam uma alimentação saudável. Um dos destaques foi a linha de chás gelados Viva Bem. “Achamos que o mercado de suco pronto vem perdendo consumidores, que estão procurando uma bebida refrescante, com baixo teor de açúcar. É o primeiro produto do segmento não lácteo que a empresa traz para o mercado. A expectativa é investir em um trabalho de distribuição mais pulverizado em relação à nova categoria. O chá é um produto muito democrático”, disse o diretor comercial da companhia, Luiz Claudio Lorenzo.

A Verde Campo, empresa que faz parte do Grupo Coca-Cola, lançou o Natural Way, iogurte adicionado de proteína que busca atender aos praticantes de atividades físicas. “O varejo está carente de produtos de qualidade nesse segmento. O mercado de proteínas cresce no Brasil e no mundo. É uma tendência mundial, principalmente nos Estados Unidos. Em busca de aproveitar essa oportunidade, as empresas começam a destacar a adição da proteína nos seus produtos. A nossa expectativa é de que, aqui no Brasil, o mercado de proteínas ganhe mais força”, afirmou o gerente de marketing e trade marketing, Paulo Ibri.

Já a Italac apresentou os lançamentos à base de leite desnatado de 500 ml, leite com cálcio e com fibra, além da versão zero lactose desnatada, que até então não existia no portfólio da empresa, também na opção 500 ml, para atender à demanda de famílias menores. “O mercado de produtos saudáveis não tem volta. Cerca de 70% da população apresenta algum grau de intolerância. E sabemos que, fora a questão da saúde, existe uma busca por saudabilidade”, ressaltou o gerente de marketing da empresa, Eloise Denys.

Já a Green Natural Foods, startup de alimentação com sede em Vinhedo, interior do estado de São Paulo, apresentou aos varejistas seus dois produtos da marca Bendita Mandioca. “A versão 100% natural não contém glúten, amido, lactose nem conservantes. Até o final do ano, lançaremos quatro produtos na categoria de mandioca e mais algumas opções na linha de batata doce”, afirmou o diretor da empresa, Daniel Fernandez.

Tecnologia a favor do varejo

Na área de tecnologia, foi possível encontrar inúmeras companhias que levaram soluções criadas para atender às necessidades do varejo brasileiro. Entre elas esteve a Consinco, que lançou o seu locker, dispositivo desenvolvido para trabalhar de forma integrada ao e-commerce das companhias varejistas.

Trata-se de um armário que armazena o pro- duto comprado na internet. Ao fazer a compra no universo online, o cliente pode retirar seu produto diretamente na loja física de quem o vendeu ou mesmo em outro local escolhido pelo varejista. Após a compra, é gerado um QR Code, que pode ser lido pelo locker no celular do cliente ou de maneira impressa. Após essa leitura, a porta é aberta e a mercadoria, liberada. “É uma solução que vai muito na linha do omnichannel e chega para integrar as várias plataformas, de modo que a experiência de compra do cliente seja única”, afirmou o CEO do grupo, Flavio Barros.

Outro nome desse setor, a Datalogic destacou coletores novos, entre eles o modelo Scorpion X4, que pode ser usado de diversas formas pela empresa varejista, seja no supermercado, no centro de distribuição, seja nos depósitos. O equipamento é indicado para a realização de inventários, gestão de produtos em gôndola, separação de mercadorias, recebimento, expedição etc. “Trata-se de um equipamento que pode ser migrado da plataforma Android para Windows e vice-versa. Esse coletor vem para dar ao varejista a condição de ter um produto que agrega tecnologia internacional, com a vantagem de ser produzido no país, o que permite a possibilidade de obter o financiamento junto ao BNDES para comprar”, ressaltou o gerente de contas, Domingos Falanga.

A GS1 Brasil apresentou a solução CNP – Cadastro Nacional de Produtos. Além de padronizar o processo, ela torna possível qualificar o cadastro por meio de informações que poderão ser colocadas em até 400 caracteres, atribuindo características aos produtos vendidos. Esses dados serão informados pelo fabricante ou dono da marca (indústria). “O supermercado terá todas as informações, desde dimensão, altura, profundidade, formato etc., agregando aspectos relacionados a nutrientes, por exemplo. A médio e longo prazos, quando tivermos um cadastro robusto, teremos, também, vantagens para o consumidor final, que vai poder acessar essas informações que estarão na nuvem”, afirmou o presidente da GS1, João Carlos de Oliveira.

Ainda na área de tecnologia, a VR Software lançou a sua solução VR Connect, que é um software para relacionamento com o cliente, no qual é possível criar ofertas direcionadas para cada consumidor. “Investir em tecnologia é uma realidade, pois o setor deixou de pensar em apenas comprar e vender para pensar em gestão”, ressaltou o diretor da empresa, Vinicius Borgo.

Descartáveis

A Cia Canoinha apresentou a troca da embalagem da sua marca de papel higiênico folha dupla, que ficou mais clean. “Essa é uma linha intermediária da empresa. A nossa embalagem anterior era muito fechada, o que dificultava a interação com o produto por parte do consumidor. Agora, é possível visualizar o produto totalmente”, explicou o gerente regional de vendas, Alexandre Bachesqui.

Equipamentos e PDV

Quando se trata de inovação em equipamentos, as empresas costumam lançar o que há de melhor na APAS Show. É o caso da Jungheinrich, que destacou sua linha de máquinas elétricas composta por transpaleteiras elétricas e manuais, empilhadeiras, além de selecionador de pedidos. O mercado brasileiro tem migrado para as máquinas elétricas que, de acordo com estimativas da empresa, representam 60% das máquinas em operação. Quando se trata do varejo alimentar, a versão elétrica é ainda mais indicada do que as máquinas a combustão, nas quais existe queima de gás e a fuligem é liberada no ar, o que pode se misturar ao ambiente e afetar os produtos. “Além da questão do meio ambiente, ainda existe o denominador custo. Em uma máquina a combustão é necessário realizar manutenção preventiva a cada 500 horas de uso. Já na elétrica, é só a cada mil horas”, afirmou o diretor geral da companhia, Vigold Georg.

A Bizerba, companhia alemã que opera no Brasil desde 2015, lançou uma linha de balanças. A empresa destacou o modelo MC 500, indicado para o autoatendimento. Em qualquer seção do supermercado, como no hortifrúti, o próprio cliente pode pesar e etiquetar a sua embalagem. “O supermercado não compra apenas uma balança, mas, sim, uma solução para o negócio, pois são computadores que pesam e apresentam inúmeras funcionalidades”, explicou a gerente comercial, Valéria Bastos.

Já a Droid Digital, que atua em várias verticais de negócios destinados ao varejo, destacou sua linha de Pushers, molas que empurram os produtos na gôndola. Eles diminuem o tempo de reposição dos produtos. Com a utilização desse recurso, é possível identificar a ruptura na hora em que ela acontece. “Como a exposição é vertical, é possível aumentar a venda, além de tornar a gôndola organizada”, ressaltou o CEO da companhia, Ronald Peach Junior.

Higiene oral e HPC

Já a Start Química apresentou seu primeiro SKU na categoria de higiene oral, a linha Bianco, que traz creme dental, enxaguantes, fios dentais e escovas. “Esse creme dental traz nanopartículas que reparam o esmalte dos dentes, algo que todo mundo perde no decorrer da vida. É um produto de maior valor agregado e com benefícios diferenciados”, explicou o vice-presidente da companhia, Marcos Pergher.

Em higiene, o Grupo GTex apresentou aos supermercadistas a renovação da marca de amaciantes Baby Soft, que foi adquirida no ano de 2017 e, agora, traz novas fragrâncias e embalagens. “Modernizamos o produto para posicioná-lo de uma forma mais premium no mercado, para fazer frente a nomes fortes desse setor. Também estamos trazendo fragrâncias diferenciadas, além do lava-roupa em pó”, afirmou a diretora de relações públicas, Talita Santos.

Crianças em alta

Mais uma vez, o consumidor infantil não foi esquecido pela indústria. Empresas como a Lolly destacaram o copo da coleção Tip, que traz novos desenhos, pode ser vendido solto ou, ainda, ser empilhado no ponto de venda. Já a Copag, especialista em jogos de baralho, apresentou dois modelos de casinhas cartonadas que fazem parte da linha infantil da companhia, produzidas em parceria com a Mattel. “É uma casinha que é vendida desmontada e deve ser montada com os pais. Uma é a casa da Polly, que tem todos os ambientes de uma casa tradicional. O outro lançamento é o estúdio fashion da Barbie”, descreveu a responsável pelo marketing da empresa, Mariana Dall’Acqua Tatimoto.

Alimentos e bebidas

Tradicional marca na categoria de chás, comemorando 117 anos em 2018, a Leão apresentou dois novos sabores da sua linha premium, a Sense. Uma delas é a versão com laranja, gengibre e pimenta rosa. A outra leva mamão, cenoura e folha de laranja. O produto também passará a ser comercializado em embalagens com 10 bags, e não mais 16. “O objetivo é democratizar o acesso ao chá premium. O tíquete médio diminui para que mais pessoas possam consumir o produto”, disse o diretor de vendas, Marcelo Correa.

Já a Seara destacou, na APAS Show 2018, sua linha de suínos, que agrega cortes e pratos prontos que entregam praticidade ao consumidor. Uma delas é a embalagem a vácuo, na qual a empresa coloca porções pequenas, de 600 gramas, com cortes que o consumidor já acessa na categoria de bovinos, como o bife de alcatra suíno, além de filé mignon e picanha suína.

“Mapeamos que o brasileiro come muito pouco carne de porco. Quando olhamos o frango, percebemos que 80% come a proteína três vezes por semana e o mesmo acontece com o bovino. Já o suíno é consumido duas vezes ao mês, sendo esse número ainda um cálculo básico”, ressaltou a responsável pelo marketing, Marcelli Ferreira.

Modelo de negócio

A Jr Agroplásticos, em parceria com a Banco de Caixas, desenvolveu uma caixa dobrável para se adequar ao ambiente do varejo brasileiro, com o peso que manda a legislação, condição que antes só era encontrada no modelo importado. A Banco de Caixas lançou na edição da APAS Show 2018 um modelo de negócio no formato de franquia, que visa padronizar as caixas em redes de supermercado. “As grandes redes do Brasil já são atendidas por empresas com esse modelo de negócio, só que o custo é quase inviável para as redes médias e pequenas. Então, vamos atuar com foco nesse varejista, para que haja uma padronização de todo o seu FLV”, afirmou o diretor administrativo da empresa, Luciano Vilela.

Na prática, a empresa faz um contrato com o supermercado para auxiliá-lo no controle e na manutenção do estoque de embalagens. Por meio de um aplicativo que controla a transferência da carga do fornecedor para a loja, é realizada a logística reversa da caixa, para que ela seja higienizada e devolvida ao fornecedor. “Não existe, hoje, uma estrutura de higienização na maioria das cidades do Brasil. Por isso, pensamos no modelo de franquia, para oferecer essa condição ao pequeno varejista a um custo acessível”, explicou.


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