Inflação dos supermercados fica estável em agosto

Inflação dos supermercados fica estável em agosto

O Índice de Preços dos Supermercados (IPS), calculado pela Associação Paulista dos Supermercados (APAS) e pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), permaneceu praticamente estável em agosto de 2018, apresentando ligeira alta de 0,02% no comparativo com o mês anterior. Com este resultado, o acumulado do ano agora apresenta inflação de 3,20%.

“O preço do leite finalmente caiu, e de forma significativa. Carnes e hortifrutigranjeiros também apresentaram queda. Esses itens têm grande ponderação no cálculo do IPS, pois têm um peso alto na cesta do brasileiro. Por conta disso, o índice geral foi puxado para baixo”, avalia o economista da APAS, Thiago Berka.

Em agosto, 13 categorias dentre as 28 analisadas tiveram aumento de preço. Um cenário parecido com julho, quando a inflação aumentou em 15 das categorias, porém, diferente no mix de produtos que aumentaram. O leite, por exemplo, teve alta de 9,90% em julho e queda de 4,15% em agosto.

Destaques do mês de agosto

Como era esperado, os produtos com matéria-prima cotada em dólar voltaram a subir. O câmbio permanece em patamares altos acima de R$ 4,00, e isto força a indústria a comprar novos estoques com insumos impactados pela alta. “Esse fator impulsiona o preço médio para cima e se faz necessário estabelecer novas tabelas de vendas para o varejo alimentar” explicou o economista da APAS.

Dentre os itens que sofreram com a alta do dólar e demonstraram aumento de preços, os artigos de limpeza subiram 2,20% e apenas duas subcategorias tiveram queda de preços. Dentre as maiores altas estão água sanitária, sabão em pó e detergente, que tiveram alta acima de 3%.

Produtos de higiene e beleza tiveram alta de 1,53%. O aumento aconteceu principalmente por itens como creme dental, escova dental e shampoo, que subiram níveis acima de 2,5%.

“Tanto nos artigos de limpeza quanto nos de higiene e beleza, os produtos que possuem componentes químicos importados na fórmula, que vão desde hidróxidos especiais, polímeros, entre outros, lançaram o preço dos produtos para cima, após alta resistência da indústria para o repasse de preços”, comenta Berka.

Na categoria de industrializados, foram os panificados que mais contribuíram para o aumento na inflação: o grupo de produtos subiu 0,69%, com destaque para os pães (alta de 0,51%), e pão de queijo (elevação de 5%). Impactam também no grupo de panificados as massas, farinhas e féculas, que subiram 2,63%. Esta alta impactou o preço do macarrão e da farinha de trigo, que subiram, respectivamente, 4,44% e 5,27%.

“Todos os produtos panificados e seus derivados foram naturalmente influenciados pelo trigo, que em sua maior parte é importado da Argentina e cotado em dólar”, afirma Berka.

Se por um lado o dólar foi o vilão, a safra brasileira de hortifrutigranjeiros e do leite vieram para forçar os preços para baixo em agosto. No caso dos legumes, o tomate caiu 6%. Já nos tubérculos, a cebola, que mais subiu no ano, reduziu 27%, e a batata apontou retração de 13%.

O preço do leite, com forte influência no orçamento de alimentação do consumidor, aliviou após cinco aumentos consecutivos e registrou queda de 4,15% no mês de agosto. Essa redução se explica pela produção no Rio Grande do Sul e por uma regularização de preços por conta da demanda do consumidor, que respondeu aos aumentos consecutivos no preço e consumiu menos produto.

Os preços das bebidas alcoólicas tiveram inflação de 0,77%, com a cerveja aumentando 0,95% e sendo a principal responsável pelo aumento no grupo de produtos. Já as bebidas não alcoólicas apresentaram inflação de 1,60%, com o refrigerante registrando alta de 1,16%, e a água mineral elevação de 3,95%.


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