Inadimplência das empresas cresce 9,41% no mês de junho - SuperVarejo
Inadimplência das empresas cresce 9,41% no mês de junho

Inadimplência das empresas cresce 9,41% no mês de junho

O volume de empresas com contas em atraso e registradas em cadastros de inadimplentes cresceu 9,41% no último mês de junho na comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados são do Indicador de Inadimplência da Pessoa Jurídica apurado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Trata-se da alta mais acentuada desde setembro de 2016, quando o indicador havia registrado crescimento de 9,61%. Na comparação mensal, isto é, entre junho e maio de 2018, sem ajuste sazonal, houve crescimento de 0,46%.

De acordo com o indicador, o aumento em junho nos atrasos em nome de pessoas jurídicas foi puxado, principalmente, pela região Sudeste, cuja variação foi de 16,11% no período. Em segundo lugar ficou a região Sul, com alta de 5,16%. Depois aparecem o Nordeste (3,84%), Centro-Oeste (3,55%) e Norte (2,06%). A alta expressiva na região Sudeste é influenciada pela revogação de uma lei no estado de São Paulo que exigia por parte dos credores uma carta com Aviso de Recebimento (AR) antes de efetivar o registro de atraso.

Com o fim da lei, que burocratizava e tornava mais caro o processo de registrar uma dívida no banco de dados, muitas das negativações que estavam represadas entraram na base de dados de forma mais abrupta, contribuindo para um aumento da inadimplência não apenas na região Sudeste, mas no Brasil como um todo.

Outro indicador também mensurado pelo SPC Brasil e pela CNDL é o de dívidas em atraso. Nesse caso, o crescimento foi de 7,9% entre junho de 2018 e o mesmo mês do ano passado. É a segunda maior variação na base anual de comparação desde setembro de 2016, quando o índice apresentou alta de 10,31%. Na comparação mensal, houve crescimento de 0,31%.

Entre os segmentos credores, ou seja, as empresas que deixaram de receber de outras empresas, o destaque ficou por conta do setor de serviços, que engloba bancos e financeiras, cuja alta foi de 9,82% na quantidade de atrasos. Em segundo lugar ficou a indústria, com crescimento de 7,19%, seguido do comércio, com alta de 3,23%.

O único ramo a apresentar queda na quantidade de atrasos dentre os setores credores foi o da agricultura, com retração de 1,03%. Em termos de participação, 70% das pendências de empresas são devidas ao setor de serviços, 17% das empresas comerciais e 12% da indústria.

Embora o volume de quitações tenha crescido sucessivamente desde abril deste ano, no acumulado em 12 meses, ainda há uma queda de 0,86% na quantidade de dívidas que foram colocadas em dia. Já quando se observa o número de empresas que saíram das bases de negativados, houve crescente de 1,34% no acumulado de 12 meses.

A alta no número de devedores que recuperaram o crédito foi puxada pela região Sudeste, onde a recuperação de crédito cresceu 8,05% nos últimos 12 meses. Por outro lado, todas as demais regiões apresentaram quedas. A mais acentuada foi observada no Nordeste (5,17%), seguida do Sul (4,65%), Norte (2,57%) e Centro-Oeste (0,93%).

Do total de empresas que conseguiram “limpar o nome” em junho, 47% atua no ramo do comércio e 39% é do setor de serviços. Já as indústrias respondem por 10% da fatia total das que saíram da lista de devedoras.

“Após apresentar recuos seguidos no período mais agudo da crise entre 2015 e 2016, o cenário de recuperação de crédito começa a esboçar uma reação nos últimos meses, acompanhando a tendência de melhora da economia. Porém, mesmo com as últimas altas, as perdas acumuladas com a recessão ainda não foram totalmente recuperadas. Para os próximos meses, espera-se que ainda haja um cenário de dificuldade, uma vez que as expectativas de crescimento da economia e do mercado de trabalho foram revisadas para baixo”, analisou a economista-chefe da SPC Brasil, Marcela Kawauti.


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