Heineken pode encerrar atividades em duas fábricas em Pernambuco

Heineken pode encerrar atividades em duas fábricas em Pernambuco

A Heineken está avaliando a possibilidade de fechar duas fábricas em Pernambuco, visto que, no último ano, a operação no estado acumulou prejuízo de R$ 90 milhões.

A vice-presidente de assuntos corporativos da empresa holandesa, Nelcina Tropardi, afirmou que a companhia está estudando encerrar as atividades das fábricas do estado e que o governo já foi comunicado. Porém, o mesmo não comentou sobre o assunto.

De acordo com informações do Valor Econômico, a Heineken, que fabrica uma das cervejas mais vendidas no país, dobrou de tamanho após adquirir a Brasil Kirin, dona da Schin, em 2017.

Porém, junto com as 12 fábricas, que elevaram a capacidade de produção de 20 milhões de hectolitros para 50 milhões, a companhia herdou processos judiciais complexos, que levantaram a questão de fechar fábricas no nordeste, já que as outras fábricas da companhia não teriam condições de suprir a produção dessas duas unidades.

Entenda o caso

A disputa em Pernambuco – desde 2015 – aconteceu logo após a distribuidora Mediterrânea, da empresária Luciana Hazin, entrar com pedido de recuperação judicial para renegociar dívidas de cerca de R$ 100 milhões, o maior credor é a Heineken, com crédito em torno de R$ 50 milhões.

Ainda segundo o portal Valor Econômico, na época, a distribuidora conseguiu na Justiça a prorrogação compulsória do contrato de fornecimento que tinha com a Brasil Kirin – vendida para a empresa holandesa em fevereiro de 2017.

Hoje em dia, a única atividade da Mediterrânea é distribuir produtos da Heineken. Faz entrega ao varejo – com exclusividade – na parte norte da região metropolitana do Recife, abrangendo Olinda e na Paraíba.

Segundo o advogado Rodrigo Cahu Beltrão, que defende a empresária no processo, a ideia da fabricante é assumir a distribuição da cerveja no local que a Mediterrânea tem exclusividade, sem pagar nenhuma indenização por rescisão contratual.

No processo, Luciana levanta a questão de que a Heineken estaria praticando preços expressivamente baixos em áreas próximas às de atuação da Mediterrânea, originando concorrência desleal.

A empresa holandesa tem distribuição própria em Recife e Jaboatão dos Guararapes. No entanto, afirma que não tem interesse em assumir as atividades nas áreas onde a Mediterrânea pratica e informou que trabalha com seis distribuidores em Pernambuco e dois na Paraíba.

O Valor comunicou que em decisão de primeira instância, a Heineken foi obrigada a fornecer cerveja à distribuidora garantindo margens de lucro à Mediterrânea de 27,5% para produtos retornáveis e de 17,5% para os descartáveis.

A Heineken respondeu recorrendo ao Tribunal de Justiça de Pernambuco, mas o pedido foi rejeitado pelo desembargador Stênio Coêlho, da 6ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Pernambuco e foi estabelecida uma tabela de preços, determinando, por exemplo, que uma lata de cerveja de 473 ml devesse ser vendida à distribuidora por R$0,33.

Com isso, a companhia holandesa atribui as perdas as decisões judiciais obrigando que a empresa vendesse cervejas para a Mediterrânea abaixo dos preços de mercado.

Desfecho

Após alguns embates na justiça, foi mantido o entendimento de que a Heineken, além de manter o contrato com a Mediterrânea, deverá seguir a tabela dos preços determinada pelo desembargador Coêlho. A companhia holandesa não contestou mais a manutenção do contrato, mas não está de acordo com o tabelamento dos preços.

Do outro lado do mundo

Indo de encontro com as dificuldades financeiras em território nacional, a Heineken anunciou no início deste mês a compra de uma participação de US$ 3,1 bilhões (cerca de R$ 12 bilhões) da China Resources Beer, a maior cervejaria da China, a fim de competir diretamente com a Anheuser-Busch InBev, empresa de bebidas e cervejas belgo-brasileira, pelo posto de maior fabricante de cerveja estrangeira do mundo.

Após a compra, a cervejaria holandesa terá uma participação de 40% da companhia chinesa, fabricante da Snow, marca mais vendida do país.


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