Fruta o ano todo

Fruta o ano todo

Casa de suco transformou uma dificuldade em negócio e foi uma das pioneiras no congelamento de frutas em São Paulo

Nos anos 1970, o paulistano José Roberto Martins trabalhava em uma companhia com planejamentos para demandas sazonais no estado do Rio de Janeiro. Quando ele saiu dessa empresa, voltou ao estado de São Paulo e, com a experiência adquirida, abriu uma casa de sucos naturais no litoral paulista, onde ele levava frutas frescas da capital, sendo o forte do negócio em fins de semana e em épocas de férias.

O problema é que, no Rio de Janeiro, Martins sempre lidou com produtos não perecíveis. Em São Paulo, o negó- cio era diferente: as frutas estragavam muito facilmente. “Quando chegava um feriado prolongado, eu comprava muitas frutas. Mas o calor previsto nem sempre aparecia e, quando isso acontecia, eu perdia quase tudo que havia comprado”, explica Martins.

Depois de enfrentar esse problema por diversas vezes, ele resolveu mudar o negócio e passou a congelar as frutas. “Assim, diminuí minhas perdas e ainda consegui ter frutas o ano todo e com preços mais acessíveis, já que comprava em períodos de safra”, detalha.

Utilizar fruta congelada à época era uma inovação e a solução, inicialmente, era apenas para o próprio negócio. Mas Martins observou que o problema que ele enfrentava não era exclusivo dele e que haveria um leque de oportunidades.

O empresário conta que, ao congelá-las, passou a não perder mais as frutas. Esse foi o primeiro ganho identificado por ele. Além disso, passou a não precisar mais comprar gelo, uma vez que ele gastava muito com esse item, o que gerou um segundo ganho.

Depois do congelamento, por mais fora de época que fosse para o cultivo de uma fruta, se o cliente quisesse aquele tipo de suco, Martins tinha o produto congelado e atendia à sua vontade. Esse foi o terceiro ganho. “Se dava certo para nós, daria certo para os outros comerciantes”, lembra o empreendedor. Naquele momento, nascia, então, a ideia de ter uma fábrica de frutas congeladas.

Do início ao mercado externo

Em 1990, Martins deu início à empresa Frutamil, comercializando frutas congeladas como morango, melão, mamão e manga. Contudo, no primeiro ano, a coisa não foi tão fácil como o empresário imaginava. Essa dificuldade foi identificada uma vez que as companhias paulistanas ainda achavam estranho adquirir as frutas nessa versão. Diante dessa realidade, foi preciso uma culturalização da fruta congelada junto aos comerciantes.

POLPA CONGELADA
100% natural e consolidação nos mercados nacional e internacional
Frutamil

“Só aí os restaurantes e as lanchonetes da região da avenida Paulista começaram a adquirir o produto, porque a demanda deles era muito grande e a facilidade que a fruta congelada trazia era bastante compensadora”, explica.

Aos poucos, o sucesso daqueles comerciantes serviu de exemplo para os empresários de outras regiões da cidade. “No segundo ano da fábrica, eram tantos os pedidos que não conseguíamos mais atender à demanda. A fruta congelada havia ganhado a confiança dos comerciantes”, lembra Martins.

No começo, foi difícil o enquadramento do negócio em alguma legislação vigente, porque era algo novo no Brasil.

Mas o desenvolvimento da Frutamil, do mercado de fruta congelada e da própria legislação foi ocorrendo em paralelo. A própria polpa de fruta já foi uma evolução do segmento. “Os órgãos reguladores foram normalizando um segmento de mercado que nascia naqueles anos 1990”, comenta Martins.

Em 2004, a Frutamil abriu a segunda fábrica, dessa vez em Pratânia, no interior paulista. Essa unidade fabril conta com 4.200 metros quadrados de área construída e produz 150 toneladas de polpa de frutas por mês. No total, são 32 sabores, sendo que 80% dessa produção ficam no Brasil, enquanto que 20% vão para o exterior.

“O mercado externo para uma empresa como a nossa é de extrema importância. Em primeiro lugar, chegar até ele é o reconhecimento da qualidade de nossos produtos. Em segundo lugar, não nos limitamos ao mercado interno com suas constantes oscilações”, alerta Martins.

Para o empresário, fixar a marca no mercado externo, depois de 12 anos de exportações, é motivo de muito orgulho. “Comercializamos uma polpa 100% natural, coisa que muitas empresas concorrentes não o fazem”, destaca.

A preocupação com saudabilidade ajuda o segmento, e Martins projeta mais crescimento para a Frutamil nos próximos anos. “Não vamos misturar à nossa polpa o que não é fruta. E com informações ao nosso cliente e ao consumidor final, queremos enfatizar a importância de uma polpa de fruta 100% natural”, finaliza Martins, celebrando a qualidade do produto oferecido ao mercado.


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