Flores para espantar a crise

Flores para espantar a crise

Cresce o número de supermercados brasileiros que comercializam flores no formato autosserviço. Primeiro foram as redes nacionais, há 15 anos. Agora, o foco se volta para as redes regionais.

por Renata Perobelli

Com a chegada da primavera, supermercados investem nas promoções de flores e mix de jardinagem. O frescor e a alegria dos vasos e buquês enfeitam a loja e atraem o consumidor que compra, geralmente por impulso, orquídeas, tulipas, begônias, violetas, kalanchoes, suculentas, lírios e antúrios, entre outras.

Além da venda de ocasião, os supermercados que trabalham a seção sentem que o cliente passa a visitar a loja com frequência diante da oferta constante do produto vivo, de boa qualidade. Isso repercute diretamente no faturamento e na participação de mercado do estabelecimento, conforme afirmam gerentes de lojas entrevistados pela SuperVarejo. A lucratividade é alta devido às margens mais largas em relação às demais mercadorias.

A facilidade de comprar flores em supermercados e hortifrútis fomenta o negócio, tendo em vista que a maior parte das floriculturas físicas fechou suas portas. A rede Dalben – com três lojas em Campinas – foca no cliente de maior poder aquisitivo, segundo explica o comprador de FLV, Miguel Robério Teixeira.

Além de enfeitar a loja, a comercialização de flores e plantas ornamentais se torna um grande atrativo, um chamariz para o cliente. E o comerciante que usa isso a seu favor contabiliza o aumento de consumidores nas lojas.

Atualmente, 28% da produção nacional de flores vai para os supermercados, pets e lojas de bricolagem. Só o setor de autosserviço nos supermercados faturou mais de R$ 400 milhões, como mostram os dados da Ibraflor – Instituto Brasileiro de Floriculturas.

No ano passado, a recessão derrubou pela metade os negócios com flores e ornamentação em toda a cadeia, do atacado e autosserviço às floriculturas físicas e virtuais. A Veiling Holambra, que é a maior cooperativa de produtores de flores e plantas da América Latina e responde por 45% do mercado nacional. 

A virada

Neste primeiro semestre, os negócios melhoraram, para alívio de produtores e varejistas. Os 380 associados já comercializaram, este ano, 140 milhões de unidades, sendo 87 milhões de flor de corte, 41 milhões de flor em vaso e outros 12 milhões de ornamentais. Para a gerente comercial da cooperativa, Rachel Osório, “o brasileiro recuperou seu otimismo e, por menor que seja, faz toda a diferença. Agora, ele se anima a pegar uma flor, um vaso, uma folhagem da prateleira e a colocar no carrinho”.

Por esses números, é possível afirmar que o consumidor anda espantando a crise e o estresse com flores e vasos verdes. Procurando diversificar, a Veiling – que fica a 130 km de São  Paulo,  na cidade de Santo Antônio de Posse, ao lado do polo produtor de flores Holambra – aposta agora nas cadeias regionais de supermercados.

De olho no consumidor que gosta de fazer um agrado ou curte plantas, donos de redes locais começam a investir no produto, que requer um manejo especial para evitar quebras. A maior preocupação dos pequenos e médios supermercadistas está no transporte, e com razão. Especialistas aconselham o caminhão isolado, que mantém a temperatura ambiente para a maioria das plantas. No caso de tulipas, entrega só em carros refrigerados.

A jornada é longa e delicada entre o campo e a loja na cidade, “só uma logística eficiente garante rentabilidade e frescor aos buquês e vasos”, explica o gestor de FLV e flores da rede Savegnago – com sede em Sertãozinho (SP) e mais de 40 lojas espalhadas pelo interior paulista –, Danilo Balco da Cruz, que já trabalha há 13 anos com o produto vivo. Em cidades quentes, o cuidado é redobrado com as espécies mais sensíveis, como a begônia e a gérbera.

Lidar com flores pode ser bonito e agradável, mas não é um trabalho fácil; pelo contrário, é árduo, “todo mundo tem que comprar a ideia”, esclarece Cruz. Dependendo da loja e do público, o negócio pode levar dois anos para engrenar. Depois de um transporte correto, o sucesso ou o fracasso no ponto de venda ocorre com a manipulação.

No PDV, phalaenopsis, crisântemos, gérberas, orquídeas, lisianthus, astroemerias e uma gama enorme de variedades merecem dedicação dos funcionários, tal a perecibilidade e as quebras que podem ocorrer devido a isso. Também saem bastante as plantas ornamentais, como palmeira, pimenta e hibisco.

As melhores datas, com promoções planejadas em parceria com produtores, são dia das mães, dia da mulher, entrada da primavera, dia dos namora- dos, dia da vovó e dia dos pais.

A consumidora Ana Denise Debullara prefere esse canal de abastecimento por causa do preço mais em conta, em relação à floricultura. “Como eu gosto muito de flores em casa, vamos comprar onde é mais barato”, diz. Ela sabe certinho a agenda de entrega do produto nas lojas próximas à sua residência. Quando vai a algum evento, como aniversário ou visita, não pensa duas vezes antes de comprar a flor já embalada, em supermercados, pela economia e praticidade.

Direto à fonte

A venda de flores na Veiling Holambra acontece por leilão ou por meio de intermediação direta com os produtores da Cooperativa. As maiores redes de supermercados mantêm boxes no pavilhão de comercialização.

A Benassi, que é uma das maiores distribuidoras de frutas, verduras e legumes da América Latina, decidiu abraçar a oportunidade, para atender o cliente supermercadista. Incrementou o portfólio com orquídea, kalandiva, bonsai, violeta, jiboia e samambaia, entre outros.

A empresa mantém uma operação exclusiva, em uma área de 1.300 metros quadrados, para atender de forma restrita as lojas da capital e Grande São Paulo. Uma equipe de 18 pessoas opera e distribui os itens.

O administrador de empresas Bruno Benassi, com 33 anos, pertence à terceira geração do Grupo. Adora ver sua casa florida e estimula o crescimento em toda a rede.

“Esse tipo de operação funciona dentro de um contexto no segmento de hortifrúti. Ao agregar flores, a Benassi registra aumento de 50% no faturamento da Grande São Paulo e 75% em volume ao longo do ano”, explica Benassi. O produto é encontrado em lojas da Grande São Paulo e Grande Campinas, além do Vale do Paraíba, Jales, São José do Rio Preto, Santa Fé do Sul e Fernandópolis.


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