Faturamento do setor de bens duráveis deve voltar aos níveis de 2014

Faturamento do setor de bens duráveis deve voltar aos níveis de 2014

As vendas da cesta de bens duráveis, que inclui itens como linha branca, eletrônicos, eletroportáteis, telefonia e informática,  devem crescer 6% em 2018 na comparação com o ano passado. A estimativa é do estudo mais recente da GfK, feito em parceria com a 4E Consultoria, que indica ainda que, com esse desempenho previsto, o faturamento do setor deverá atingir um patamar em torno dos R$ 107 bilhões, níveis de 2014, antes de a crise econômica assolar o país.

O levantamento aponta que a Copa do Mundo contribuiu com os resultados do setor, que avançou 8% nos primeiros oito meses do ano. Com o evento, houve crescimento de 30% nas comercializações de TV de janeiro a agosto de 2018 ante 2017, o que alavancou os números da cesta.

A Black Friday, que será realizada no dia 23 de novembro neste ano, e é tida como uma importante data sazonal do ano (que desde 2016 desbancou o Natal, segundo informa a GfK), deverá ter um crescimento tímido, da ordem de 5% na comparação com 2017. Em sua última edição, em 2017, as vendas de bens duráveis somaram 11,7 bilhões de reais no país.

O desempenho das vendas no período natalino (9,2 bilhões de reais em 2017) já perdem, em faturamento, para o chamado saldão, que acontece nas primeiras semanas de janeiro, (faturamento de 9,7 bilhões de reais) e para a Dia das Mães, com faturamento de 9,5 bilhões de reais, de acordo com a GfK. “A explicação para esse fraco desempenho de Papai Noel é que as pessoas buscam, cada vez mais, programar suas compras de bens duráveis para pagar menos em datas tradicionalmente de descontos e de preços mais baixos”, explica a diretora da empresa de pesquisa e coordenadora do estudo, Gisela Pougy.

Outros movimentos já observados em 2018

Vários fatores contribuíram para o desempenho do setor neste ano, conforme analisa Gisela. “A greve dos caminhoneiros também afetou o setor, especialmente no canal online. Sem dúvida, 2018 foi um ano atípico por diversos elementos, incluindo as eleições, que interferem sobremaneira na confiança do consumidor” avalia.

Com um aumento bem mais expressivo, o canal online cresceu 10%, entre janeiro e agosto de 2018, em relação ao mesmo período de 2017. No Brasil, o canal online é responsável por 22% de todas as vendas de bens duráveis. Na América Latina, este percentual é um pouco mais baixo, 18%, enquanto que a Europa tem o mais alto de todos, 24%. Já na média mundial, o canal online responde por 21% das vendas de bens duráveis. Esta média aumenta bastante na região Sudeste do Brasil, 28%. Por outro lado, a região Norte é que faz menos compras através do canal online, apenas 14%.

“O canal físico ainda tem uma representação muito expressiva nas vendas de bens duráveis. Mas, hoje, para este consumidor omnichannel, ele é quem decide onde a compra será realizada. Não existe mais uma fidelidade pelo canal e sim por marca, seja ela do fabricante, seja do varejista”, finaliza Gisela.


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