Estimativa de crescimento do PIB cai para 1,7%, aponta Ipea

Estimativa de crescimento do PIB cai para 1,7%, aponta Ipea

A previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) sofreu uma redução de 3% para 1,7%, conforme nova previsão do Grupo de Conjuntura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgada nesta quinta-feira (28/06). A combinação da piora do cenário externo com as incertezas sobre o cenário interno foram os fatores que levaram o instituto a reduzir sua previsão.

Em relação ao cenário externo, o estudo apontou que dois fatores, com origem nos Estados Unidos, pare­cem ter influenciado fortemente a economia brasileira: a perspectiva de uma elevação mais rápida dos juros e o recrudescimento das medidas protecionistas contra importações nos EUA. Essa mudança no cenário internacional aumentou a pressão sobre a taxa de câmbio – o real já se desvalori­zou 20% ante o dólar desde o final de janeiro deste ano. Essa desvalorização é o dobro da variação média de 10% da taxa de câmbio de países emergentes, indicando que fa­tores específicos à economia brasileira estariam amplificando os efeitos do choque externo.

Embora a percepção de risco de diferentes países emergentes tenha crescido, o risco específico associado ao Brasil aumentou significativamente mais que o referente a outros emergentes nos últimos meses. A indefinição sobre como será enfrentado o problema fiscal no país somada aos efeitos da greve dos caminhoneiros representou um choque de oferta negativo sobre a economia, com significativa perda de produto e aumento de preços, com impactos diretos e indiretos sobre as contas públicas.

O desempenho deste ano deve ser impulsionado pelo consumo das famílias (2,3% de crescimento) e pelos investimentos (alta de 3,6%). Haverá aumento também do PIB da indústria (1,4%) e de serviços (1,8%). Já o consumo do governo deverá diminuir 0,5% e a expectativa para o PIB agropecuário é de queda de 1%. Para 2019, a projeção é de um crescimento de 3% do PIB.

“No ano passado tivemos uma deflação no setor de alimentos. Neste ano, prevemos um aumento de 3,9% e, embora possa parecer, a greve dos caminhoneiros não é a principal causa desse aumento. O que deve acontecer no restante do ano é uma reversão da tendência de queda dos preços dos alimentos ao consumidor final, o que já era esperado antes da greve”, afirmou o diretor de estudos e políticas macroeconômicas do Ipea, José Ronaldo de Castro Souza Júnior.

Também é projetada inflação (IPCA) de 4,20% em 2018 e 4,30% em 2019. O impacto da greve dos caminhoneiros, bem como o aumento do dólar e quebras de safra, tanto no Brasil quanto na Argentina, afetou negativamente a inflação de vários subgrupos para o mês de maio, com destaque para “Tubérculos, Raízes e Legumes”, “Hortaliças e Frutas”, “Leite e Derivados”, “Farinhas, Féculas e Massas”.


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