Economia brasileira: resistente, mas imatura - SuperVarejo
Economia brasileira: resistente, mas imatura

Economia brasileira: resistente, mas imatura

Eduardo Giannetti, economista e cientista social pela USP, é PhD pela Universidade de Cambridge, na Inglaterra, onde lecionou por 16 anos em duas etapas. Hoje, o mineiro torcedor do Santos dá aulas no Insper. Um dos pensadores mais respeitados do país, com dois prêmios Jabuti, já publicou livros em várias línguas e, recentemente, lançou Trópicos Utópicos. Aos 61 anos, entrega-se a mais um momento sabático para escrever um novo título, na cidade de Tiradentes, seu refúgio literário. Nesta entrevista exclusiva à SuperVarejo, o economista conta que enxerga a próxima eleição presidencial como crucial para o futuro do Brasil. Para ele, a Lava Jato é um marco na história que escancarou a união perniciosa entre o público e o privado. Sobre economia, defende um crescimento sustentável e condena o amadorismo, para que o Brasil deixe de ser um país de renda média e alce um novo patamar. E ainda dá um conselho para todos: que comecem cedo a poupar para a terceira idade. Segundo ele, o pinga-pinga a perder de vista faz uma baita diferença no futuro.

por Renata Perobelli
fotos Eliane Cunha

Professor, saímos da recessão?
Definitivamente, o Brasil saiu da recessão em 2017. Já são três trimestres consecutivos de PIB positivo em relação ao trimestre anterior. E isso caracteriza o fim da recessão. Nós devemos ter o crescimento em torno de 2,5%, 3% em 2018. Não são resultados espetaculares, mas muito superiores aos que tivemos em 2015-2016.

Essa foi a pior crise que o Brasil que já viveu?
A última revisão do IBGE criou uma dúvida, porque pode ter sido a segunda pior recessão. Aquela deflagrada pelo Plano Collor talvez tenha sido mais profunda e duradoura do que essa. Entretanto, se não foi a pior, possivelmente foi a segunda mais grave.

Mas será que no Plano Collor tivemos um índice tão grande de desempregados como agora, atingindo, inclusive, todas as classes sociais?
Não tenho número referente a desemprego da época do Collor, mas a recessão não é medida pelo índice de desemprego. Ela é medida pelo desempenho do PIB, pelo crescimento e nível de atividade econômica. A diferença é que a recessão deflagrada pelo Plano Collor tinha uma causa muito definida, que era a hiperinflação seguida do confisco de quase toda aplicação financeira existente no país. Então, é quase como se uma bomba atômica tivesse caído na economia. Dessa vez, foi um problema de erros cumulativos da política econômica acompanhados de uma piora do ambiente externo.

O senhor disse que começamos a sair da recessão. Já se pode falar em crescimento ou isso é muito diferente?
Aqui, é preciso distinguir com muita clareza duas realidades distintas que se escondem por trás da palavra crescimento. Uma chama-se recuperação cíclica, outra chama-se crescimento sustentado. A primeira ocorre quando uma economia que está trabalhando abaixo da sua capacidade volta à normalidade e passa a operar mais perto do pleno emprego. É o que o Brasil está vivendo; temos muita ociosidade no parque produtivo, máquinas, equipamentos, mão de obra qualificada que não está ocupada. À medida que as condições de demanda melhoram, você tem capital no país que já pode ser rapidamente mobilizado para aumentar a produção – no caso capital físico e humano. Trata-se de uma recuperação cíclica, uma volta à normalidade. Só que esse movimento é limitado.

Por quê?
Chega um momento em que a economia já está na vizinhança do pleno emprego, com os fatores de produção como máquinas, equipamentos e mão de obra quase plenamente utilizados. Mas para continuar crescendo tem que ter investimento. Precisa formar capital novo, por meio de fábricas novas, infraestrutura e mão de obra qualificada preparada para elevar a capacidade de produção. Isso permitirá um crescimento maior, que é muito diferente de uma recuperação cíclica. No crescimento sustentado, depende-se de poupança, investimento e capacidade do país de transferir recursos do presente para o futuro, de modo a aumentar, em caráter permanente, a sua capacidade de produzir. No Brasil, não está nada claro se esse movimento terá sequência e se o crescimento se tornará sustentável. O que temos em 2017 e 2018 é, claramente, uma recuperação cíclica.

Voltaremos a ver um crescimento como do governo Lula, com a nova classe média e os 40 milhões de consumidores?
A gente pode, certamente, voltar a ver. Espero que, da próxima vez, em bases menos artificiais do que foi naquela experiência nada sustentável. O Brasil, no fundo, utilizou um superciclo de commodities, que deu um ganho muito grande de renda ao país, para financiar um consumo de curto prazo. Se nós já tivéssemos usado aquela renda adicional para aumentar o investimento no Brasil, teríamos criado condição para ter um crescimento contínuo no tempo. Mas não foi a opção e tudo virou crédito ao consumidor, com antecipação de rendas e dívidas por meio de um consumo desenfreado, um surto de crescimento.

Isso é inédito na história do Brasil?
A história econômica do país sempre foi de surtos de crescimento muito intensos que geraram grandes crises. Isso foi vivido na época do Juscelino Kubistchek, no milagre econômico do Regime Militar e, de novo, a terceira experiência recente disso foi no segundo mandato do governo Lula e no governo Dilma. Então, não adianta ir com muita sede ao pote, é melhor crescer menos consistentemente do que ter um espasmo de crescimento e ficar pros- trado por um longo tempo depois. O Brasil precisa aprender e amadurecer para crescer sustentável, a fim de que não seja apenas um espasmo, uma euforia completamente insustentável.

Quem tem 30 anos, hoje, não viveu a época da inflação como quem tem 50. Esse consumidor mais jovem sai diferente dessa crise, a primeira da vida?
Tivemos um aumento muito preocupante da inflação que coincidiu, inclusive, com o período da recessão no Brasil, porque o governo Dilma, para possibilitar sua reeleição, retardou o aumento das tarifas públicas; depois, foi necessário corrigi-las. Então, tivemos uma combinação no Brasil, no início do segundo mandato dela, de economia em queda livre, recessão enorme, aumento do desemprego, inflação alta e juros elevados. Foi uma tempestade perfeita.

O combustível “congelado” foi outro problema?
A contenção teve que terminar no início do segundo mandato. Isso gerou uma inflação alta, acima de 10%, com a necessidade de elevar o juro. É muito raro no mundo você ter, ao mesmo tempo, recessão, crescimento do desemprego, inflação alta e juro alto. O Brasil teve tudo isso.

Por incompetência?
Foi um pouco o que o Mário Henrique Simonsen chamava, a princípio, de contraindução: os brasileiros, ao verem que um experimento dá errado inúmeras vezes, o repetem até que dê certo. Acho que é, talvez, o que melhor descreve o governo Dilma. E foi por isso que o Brasil passou, deu errado de novo e a gente pagou um preço extremamente elevado. No caso do governo Dilma, ela pagou o preço da sua própria sobrevivência: perdeu o mandato, não pela tecnicalidade de política fiscal, mas pelo desastre econômico que se montou no Brasil com erros sistemáticos e cumulativos na condução da política econômica. Isso começa no segundo mandato do Lula e alcança seu ápice no primeiro mandato da Dilma.

Retomando, o consumidor que enfrentou a crise e viu a demissão de perto sai da recessão com um novo comportamento nos supermercados?
Acredito que o consumidor brasileiro vai se tornar muito cauteloso e atento em relação à dívida. Nesse período recessivo, a inadimplência aumentou enormemente, chegamos a ter 60 milhões de brasileiros com dívidas em atraso por mais de 90 dias. É uma enormidade e muita gente percebeu que tinha metido os pés pelas mãos. Contou com uma situação que era transitória como se fosse permanente. Agora vivemos, na sequência, a ressaca disso. Acho que o brasileiro está começando a se curar da ressaca. Ele vai aprender que é bom ser mais cauteloso nas escolhas que faz e a valorizar mais o seu próprio trabalho, sua própria renda, de modo a não se comprometer com situações que vão custar muito caro para serem corrigidas depois.

Quando fala em valorizar o próprio trabalho, pensando ainda nesse consumidor jovem, dentro de 30 anos o número de vagas poderá cair 40%. Como sobreviver em um mercado de trabalho tão competitivo?
Estamos entrando em um período em que as pessoas, de um modo geral, vão ter que ser muito mais proativas em vez de ficarem esperando um emprego que seja para toda a vida. A saída é se reciclar, se reinventar, mudar de atividade ao longo da vida e buscar possibilidades de atuação remunerada. A postura é de iniciativa e cada pessoa vai ter que gerenciar sua carreira de maneira muito mais cuidadosa, diria até muito mais ousada, porque não haverá emprego para a vida toda.

A pessoa pode ter a sua profissão e também um hobby que a alimente profissionalmente?
De repente, o hobby vira profissão e é o que acontece muitas vezes. A pessoa jovem começa a fazer alguma coisa por prazer, porque ela gosta; de repente, percebe que pode ter uma renda a partir daquilo e se vê com um grande negócio nas mãos. Mas, de novo, é uma postura diante da atividade. O que o jovem tem que fazer, no fundo, é uma combinação do que ele gosta muito de fazer com o que o mercado demanda e pode remunerar. A hora que consegue encaixar as duas coisas, a vida está feita. Ele resolveu o problema com duas equações: vocação e remuneração.

Para sair e dar esse passo, é preciso empreender. Como não errar nessa tarefa?
Impossível, não há empreendedor que não tenha, em algum momento, errado. É uma atividade na qual muito raramente se acerta de início e para sempre. Não conheço nenhum grande empreendedor no mundo que não tenha sofrido alguns reveses. O que mais me chama a atenção, nesses grandes empreendedores, é a perseverança; é como se os reveses que teriam abalado a vida de uma pessoa normal, no caso deles, não abalaram. Fico impressionado de ver a capacidade das pessoas de absorver golpes e colocar seus fracassos na parada de sucessos.

E em relação à questão das vendas no varejo, elas vão crescer? Qual será a meta para 2018?
Aquela euforia que tivemos entre 2010 e 2012, acho que não virá tão cedo. Era tudo muito artificial e, ali, muita gente errou, porque imaginou que fosse permanente. Quando o Brasil cresceu 7,5% em 2010, muita gente imaginou que o país tinha virado um tigre asiático, como a China. E o tempo mostrou que era um equívoco, não era nada disso; pelo contrário, as bases daquilo eram muito frágeis. O que certamente vai continuar afetando o mundo do varejo é a revolução tecnológica em que estamos, em que os meios de venda, distribuição e relação com o consumidor estão mudando muito rapidamente.

São vários canais de venda?
Mudaram os canais de venda, o uso da internet, a digitalização e o meio de distribuição. Tudo isso, por um lado, é ameaça para quem está estabelecido, mas é oportunidade para quem está buscando algum tipo de inovação.

Por que o Brasil, que é de renda média, não consegue se tornar um país de alta renda, desenvolvido? Uma excelente pergunta: nos últimos 70 anos, só 12 países do mundo venceram a armadilha da renda média, ou seja, se tornaram países de alta renda.

Por que armadilha?
Porque são situações que enredam o país e ele não consegue dar o passo…

Patina e não vai?
Isso mesmo. Tem uma característica comum a todos que passaram por isso: eles aumentaram a sua presença no comércio internacional, aumentaram a exportabilidade do PIB. Há os países que aumentaram as vendas de produtos industriais e há os países da periferia da Europa que elevaram a venda de serviços: turismo e trabalho. Um terceiro grupo de países reforçou a exportação de commodities, minerais, energia e produtos agrícolas. O Brasil, imagino, vai ser uma combi- nação dos três. Não é só commodities, não é só serviço, não é industrial. Para escaparmos da armadilha da renda média, devemos aumentar nossa presença no comércio internacional por meio desses três caminhos. Já estamos fazendo um pouco melhor em commodities. É muito difícil imaginar o Brasil passando de renda média para alta renda se não trabalhar muito bem o comércio internacional. Vender para o mundo e comprar do mundo.

Quando o senhor começa a falar de todos esses setores, remete à época do Collor, que abriu o mercado com as montadoras…
Foi uma abertura aos trancos e barrancos e não teve consistência no tempo, tanto que continuamos sendo um dos países mais fechados ao comércio internacional. A proporção das importações no consumo do brasileiro é ínfima comparativamente ao resto do mundo. É muito menor que na Índia, no Canadá e em todos os países. A contrapartida disso é que a gente também exporta uma proporção muito pequena do que produz. É uma economia que ficou muito fechada nela mesma e compromete a competição, a produtividade e tudo o mais.

Quais os riscos para a economia mundial em caso de conflito internacional envolvendo a Coreia do Norte?
O risco geopolítico aumentou muito com a vitória do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A imprevisibilidade das relações internacionais, hoje, é muito grande. E acredito que potências regionais, principalmente a Coreia do Norte, vão testar essa nova situação da política americana. Vão querer saber se os Estados Unidos protegem ou não, regionalmente, os países vizinhos, como Japão e Coreia do Sul. O Brasil, felizmente, está fora da zona de conflito e de uma ameaça mais direta. Mas à medida que isso leve à muita incerteza no mundo e a uma queda das tropas internacionais, inevitavelmente o Brasil também será afetado.

Aí o câmbio dispara?
Isso é uma coisa curiosa de 2017. O Brasil não foi para a beira do precipício, apesar da crise política de enormes proporções, com o vazamento da delação e da gravação do presidente da JBS afetando diretamente o presidente da República. O câmbio, depois de alguns dias que se desvalorizou, se recuperou. A Bovespa entrou em queda muito acentuada e, rapidamente, a situação se reverteu e ela voltou a valorizar. O Brasil passou por um grande teste de estresse da crise política de maio, sem sofrer um colapso. A nossa economia, hoje, está mais resistente do que era no passado.

Grandes empresários afirmam que a economia se descolou da política. O senhor acredita nisso?
Não acredito plenamente nisso e acho que, se o resultado da eleição for muito ruim, isso vai comprometer seriamente o desempenho da economia. Pode até mesmo comprometer essa recuperação cíclica que está em andamento, mas a incerteza política virá na eleição.

Que cenário o senhor traça para a eleição presidencial em outubro?
Vejo dois cenários muito claros para a dinâmica eleitoral no Brasil. Um com Lula e um sem Lula. Se ele for candidato, caminhamos para a polarização, porque rapidamente terá o cenário de Lula versus anti Lula, e o espaço vai ficar totalmente preenchido por essa polaridade. Nesse cenário, vejo também muita judicialização da campanha, porque a questão jurídica de o Lula ter ou não legalidade como candidato e como eventual presidente vai ser muito presente no debate.

E a eleição sem Lula?
Acho que será de pulverização, teremos dispersão e um número grande de candidatos. Na prática, a definição de dois ou três candidatos com chance real de alcançar o segundo turno vai ocorrer bem próximo à votação. Vai lembrar um pouco a dinâmica de 1989, em que havia 17 candidatos e só poucos meses antes é que se definiu que os candidatos competitivos eram Lula, Brizola e Collor.

A Reforma da Previdência tem possibilidade de não passar?
Acho difícil imaginar que o governo Temer consiga levar a bom termo uma reforma da Previdência, até porque estamos em um ano eleitoral, em que as coisas vão estar conturbadas e pautadas pela dinâmica da campanha. Se passar essa reforma minimalista, é um primeiro passo, mas está muito longe de ser todo o enredo. O assunto, infelizmente, vai voltar, porque a dinâmica demográfica brasileira é muito forte, acentuada. Hoje, temos oito brasileiros de 15 a 64 anos aptos a trabalhar para cada brasileiro acima de 65 anos. Em 2060, teremos uma relação de 2,3 para 1. Ou nós mudamos preventivamente ou a transformação virá de forma dolorosa, como no caso do Rio de Janeiro, com folhas de inativos caras e pesadas, assim como as de muitos estados brasileiros.

O senhor defende muito menos Brasília e mais Brasil. O que precisa ser refeito?

O dinheiro público tem que ser gasto o mais perto possível de onde ele é arrecadado. Dentro do que estou propondo, só vão para o Governo Federal e a União dois tipos de recursos: os que financiam atividades específicas do governo central, como diplomacia, segurança externa, Banco Central, órgãos reguladores e a redistribuição inter-regional. O resto não deve ir para Brasília para voltar. Os recursos devem ficar perto de onde foram arrecadados. É lá que tem que acontecer a saúde, a segurança, a educação, a infraestrutura, o saneamento… E isso não está acontecendo.

Por quê?
Porque os municípios não têm recurso nem capacitação; assim, vivem de pires na mão pedindo liberação de verba no governo central. Está totalmente errado, pois 85% dos municípios brasileiros praticamente não arrecadam, vivem de mesada.

E o novo governo vai ter de aumentar mais impostos para continuar gerenciando?
De jeito nenhum, se tem uma coisa que o Brasil não precisa é aumentar a carga tributária. É a última coisa em que temos que pensar. Já estamos em um país em que 44% da renda nacional é administrada pelo governo. Você vai jogar mais dinheiro na mão?

Mas eles podem querer, aí cabe ao povo…
Ah, querer, eles sempre vão querer! Por isso que a carga tributária está aumentando no Brasil desde 1988. Todos os governos aumentaram.

Mas o que é preciso acontecer para que seja dado um basta nisso?
Estou propondo, aqui, um Estado Federativo para valer com cidadania tributária.

O povo precisa ir às ruas?
Precisa de pressão, de eleição. A eleição de 2018 é uma enorme chance de a população, de a sociedade civil se manifestar diante de tudo que nós descobrimos graças à operação Lava Jato. Nós abrimos o câncer, diagnosticamos a doença e escancaramos a deformação patrimonialista do Estado brasileiro. Os nossos governantes agem e se pautam por um comportamento no qual a sociedade existe para servir a eles e não eles para servir à sociedade.

O que lhe causou mais indignação nessa questão da Lava Jato, ao longo de todo o processo?
Entre tantas outras coisas, constatar que duas empresas colocaram o Estado brasileiro na sua folha de pagamento.

Lava Jato é a solução?
É a condição necessária, mas não  o suficiente para corrigir essa deformação. Considero a Lava Jato o mais importante acontecimento da atualidade na vida pública brasileira, como foi a redemocratização na década de 1980 e a estabilidade monetária na década de 1990. Ela mostrou o grau de deterioração a que chegou a relação entre público e privado na vida brasileira, o incesto monstruoso na condução dos negócios no Brasil.

Falta austeridade na punição aos envolvidos?
Não pode afrouxar nem amolecer. Aí, é uma avaliação muito difícil de se fazer, mas acho que alguns acordos de leniência foram longe demais. E acho que está faltando castigo e punição exemplar para quem mentiu nas delações premiadas.

Independentemente de quem vencer a eleição, qual deve ser a primeira missão? A reforma política?Teremos que fazer, inevitavelmente, um ajuste fiscal, que não precisa ser instantâneo, mas que coloque o endividamento brasileiro em uma trajetória sustentável. Na economia, a questão fiscal vai dominar em um primeiro momento. Considero fundamental, também, a reforma política, porque temos que melhorar a condição de governabilidade no Brasil.

O que o senhor recomenda ao cidadão comum?
O cidadão brasileiro precisa se dar conta de que a sua terceira idade, a sua velhice vai depender muito da sua capacidade de formar uma poupança previdenciária. E a nossa sociedade, de um modo geral, ainda é muito desatenta. Recomendo, fortemente, que o jovem comece a pensar muito cedo em constituir uma poupança da qual possa se beneficiar no momento em que não estiver mais trabalhando.

Previdência privada ou particular?
O que for, mas faz muita diferença começar cedo. O padrão brasileiro é a pessoa demorar muito para iniciar e, quando dá a partida, quer fazer uma coisa heroica, mas não vai dar o mesmo resultado. Assim que começar a trabalhar, aplique o método das pequenas doses. O efeito cumulativo faz uma diferença que as pessoas não têm ideia, porque a reserva vai se compondo no tempo. Não adianta chegar aos 40, 50 anos e descobrir que vai ter que poupar. Por maior que seja o esforço, não vai dar uma fração do que teria sido se você tivesse começado lá atrás, aos 20 e poucos anos.

Como o senhor vê a sua vida em 2018?
Não posso reclamar, porque consegui me organizar para fazer o que eu gosto. Não sou uma pessoa rica, mas tenho liberdade, sou dono do meu tempo.

O cidadão Eduardo vai ao supermercado com frequência?
Vou uma vez por semana. Não faço pesquisa de preço. Não tenho empregada, lavo minhas próprias louças e roupas. Faço a minha cama, tenho uma faxineira que vem meio período por semana. A minha vida, nesse aspecto, é simples. Então, quando vou ao supermercado, é um luxo que me permito, compro o melhor e sou muito seletivo, não fico comparando preço, gosto de qualidade. Esse é meu modo de vida. Faço tudo em casa, mas, na hora de ir ao supermercado, não sou pão-duro, não!


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