Doce tradição

Doce tradição

Docile completa bodas de prata, construídas sobre o alicerce da tradição de 80 anos da família Heineck na fabricação de balas e doces no Brasil.

por Fábio de Lima     fabio.lima@supervarejo.com.br

A Docile, uma das principais fabricantes de balas e doces do Brasil, está completando 25 anos. Estamos falando de um quarto de século, o que por si só já seria uma tradição. Mas se perguntarmos aos sócios da empresa – os irmãos Alexandre, Fernando e Ricardo Heineck – desde quando a família fabrica guloseimas, a resposta vem em preto e branco: tudo começou em 1936.

Para contar com detalhes essa história, ninguém melhor do que um personagem que a viveu. “O meu pai trabalhava em uma fábrica de balas em Lajeado (RS). Havia outra fábrica, que estava fechada na cidade. Ofereceram os equipamentos dela ao meu pai e ele aceitou”, conta Nestor Heineck, 80 anos, filho de Natalício e Irene Heineck e pai dos sócios da Docile.

Portanto, a empresa de 25 anos traz consigo o know-how de três gerações. “As balas eram feitas artesanalmente, por meu pai e minha mãe, e embrulhadas em papel colorido”, conta Nestor, dizendo que marca ou informação na embalagem ainda nem existia.

“Toda a produção era entregue ao comércio da cidade por meu pai, de bicicleta, levando a mercadoria em um pequeno bagageiro”, rememora Nestor, ressaltando o trabalho incansável, dia e noite, dos seus pais e de duas ou três máquinas manuais. “Tudo era muito simples nas fábricas daquela época.”

Passada de bastão

Desde muito jovem, Nestor ajudou na fábrica. Ainda criança, nos anos 1940, ofereceu sua mão de obra, embalando os produtos. Adolescente, já nos anos 1950, contribuiu para a automação da fábrica, ajudando na escolha de equipamentos mais modernos.

Por conta do crescimento, a empresa de Natalício acabou recebendo investimento de algumas pessoas próximas, entre familiares e amigos, que acabaram se tornando pequenos sócios, mas que não faziam parte da operação ou mesmo das decisões. Até que nos anos 1960, antevendo  a aposentadoria do pai, Nestor comprou a parte dele nessa “sociedade”.Captura de Tela 2016-11-25 às 14.32.13

Naquela época, o Brasil vivia seus anos de desenvolvimento industrial, e o empresário soube transformar um negócio familiar em uma grande fábrica, ao ponto de, décadas mais tarde, vendê-la como uma das maiores do Brasil, comercializando balas e doces para todo o território nacional e para mais de 40 países.

A família Heineck fundou a fabricante de balas e doces Florestal, hoje também uma das principais do segmento no país, embora não mais pertencente
à família }

Terceira geração

A terceira geração da família Heineck estudou e trabalhou fora da empresa do pai. Poderia seguir outros caminhos ou mesmo ter negócios que nada tivessem a ver com balas e doces. Poderia, mas não o fez. Assim, em 1991, surge, na cidade de Lajeado (RS), a Docile, que foi batizada naquele momento com outro nome: Glucoamido.

Anos mais tarde, já com o nome Docile, a empresa passou a fabricar balas, doces e refrescos em pó e a olhar atentamente para o mercado consumidor do Nordeste. Abriu um filial na região metropolitana do Recife, em um prédio alugado, na cidade de Jaboatão dos Guararapes.

Em 2013, a Docile construiu uma fábrica na cidade de Vitória de Santo Antão, zona da mata pernambucana. “Essa unidade segue padrões internacionais, com tudo que há de mais moderno em tecnologia e segurança de trabalho. E planejamos com condições de diversificar nossa produção e fazer da Docile uma empresa ainda mais forte”, conta o sócio e diretor comercial da Docile, Alexandre Heineck.

Daquele momento em diante, a unidade fabril do Nordeste, com 7 mil metros quadrados de área construída, em um espaço total de 40 mil metros quadrados, vem ganhando mais importância no negócio da Docile.  Ela possui pouco mais de cem funcionários. Na sede, em Lajeado, outros 720 funcionários completam o quadro de colaboradores da empresa. O portfólio total é de mais de 200 itens, entre balas de goma, refrescos em pó, balas de gelatina, marshmallows, entre outros.

“O Nordeste sempre foi um mercado muito importante para nós desde o final dos anos 1990, principalmente pelo grande consumo de refresco em pó. As altas temperaturas também contribuem para isso”, comenta Heineck, enfatizando que a ida para o Nordeste brasileiro não foi por acaso e que, além de Pernambuco, estados como Bahia e Maranhão são dois grandes consumidores de produtos da marca.

Atuar no Nordeste exigiu da Docile um mix de sabores que também valorizassem as frutas da região. Refrescos em pó nos sabores cajá, caju e graviola foram incorporadas no portfólio da empresa.

“Estamos em muitos mercados pelo mundo e sabemos da importância de valorizar sabores locais. Hoje, a Docile exporta para mais de 50 países”, afirma Heineck.

A receptividade do povo nordestino à empresa e aos produtos da marca sempre foi muito boa. Esse é outro ponto de destaque que a Docile encontrou em Vitória de Santo Antão. “Temos uma mão de obra disciplinada, funcionários aplicados no trabalho e com gosto pelo que fazem”, destaca Heineck.

{ Vitória de Santo Antão conta com 130 mil habitantes, e, embora não seja uma cidade grande, está a apenas 50 quilômetros do Recife, o que faz com que seja atrativa para as indústrias que abastecem o mercado da região Nordeste }

O empresário explica que gestão de pessoas é uma preocupação muito grande da Docile. “Gostamos de gente e valorizamos isso dentro da empresa”, afirma Heineck, acrescentando que a empresa pode, ano após ano, ajudar no desenvolvimento da região, inclusive qualificando ainda mais os trabalhadores, e sabendo que ainda tem muito que aprender. “Essa troca de informações é enriquecedora para todos.”

Heineck diz que um dos motivos do sucesso da Docile é o respeito que ela tem ao consumidor. “Além de um bom sabor no doce, o consumidor busca alguma coisa que o desperte ao consumo, que o encante”, ressalta. “A empresa está sempre oferecendo ao mercado produtos de qualidade e trazendo novidades que vão ao encontro das expectativas desses consumidores.”Captura de Tela 2016-11-25 às 14.31.51

“Esses 25 anos foram difíceis. Os bons resultados vieram com muito trabalho, mas valeu a pena todo o esforço”, relata Heineck. E a boa relação familiar também é algo bastante valorizado pelo empresário. “Na Docile, entendemos que o trabalho de nós três, irmãos, é complementar. Extraímos o melhor de cada um”, destaca.

Por fim, Heineck reconhece que os 25 anos da Docile têm muito a ver com os 80 anos da família na fabricação de balas e doces. E o pai, Nestor, é a síntese de tudo isso. “Meu pai é muito especial. Ele é fonte inspiradora para sermos melhores profissionais e pessoas a cada dia. Renovamos nossas expectativas para continuar em uma boa caminhada tendo nele o nosso exemplo”, conclui Heineck.Captura de Tela 2016-11-25 às 14.31.42


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