Coordenação é a palavra de ordem para a retomada do crescimento econômico

Em uma de suas entrevistas, Mario Henrique Simonsen afirmou que “economia é assunto que precisa ser abordado por líderes pragmáticos, imbuídos de preceitos éticos, mas nunca fanatizados por ideologias”. Ao analisar a nova equipe econômica do governo Temer, essa frase parece bem oportuna. Isso porque reflete a necessidade atual de profissionais da equipe econômica que atuem de maneira pragmática, com os preceitos éticos e sem o fanatismo ideológico.

Parece estar claro que o caminho é longo, difícil e complexo, mas precisa ser iniciado, mesmo que a passos lentos. Ao que tudo indica, o ritmo de retração do PIB está desacelerando, e, em breve, este pode mostrar sinais de recuperação, ao menos em alguns dos setores de atividades. E, tais sinais, terão impacto direto na confiança dos empresários e dos consumidores. Isso porque, vale relembrar, a teoria econômica tradicional afirma que a demanda depende das expectativas sobre o futuro e da taxa de juros real, ou seja, duas variáveis que impactam tanto os empresários quanto os consumidores. Diante disso, qualquer expectativa positiva em relação ao futuro já cria um ambiente com a confiança mais elevada, que contribui para um ambiente de negócios favorável.

Mas o ambiente favorável para ser sustentado ao longo do tempo deve ter a seu favor a boa condução da política econômica, que passa pela coordenação da política monetária com a política fiscal. Essa, talvez, seja uma condição mais que necessária para alcançar resultados positivos para a economia brasileira de maneira sustentável. Ao longo dos últimos anos, foi negligenciada a coordenação da política monetária e da política fiscal, principalmente por fatores ideológicos, o que parece ser fator minimizado na formação da nova equipe econômica.

O entendimento de que as políticas fiscal e monetária na economia brasileira são dependentes auxilia no planejamento mais assertivo por parte do governo federal para atender o objetivo da política econômica, que é manter elevados os níveis de produção, emprego e renda, com estabilidade de preços. E, para isso, possui como instrumentos a política fiscal e a política monetária para atingir tais objetivos. E, ao sinalizar a coordenação das políticas fiscal e monetária para a sociedade, aliada aos primeiros resultados positivos da economia, a equipe econômica se fortalece junto ao legislativo, criando um ambiente propício para a apresentação de projetos que possam resolver alguns problemas estruturais da econômica brasileira, que garantiria o crescimento de longo prazo.

De modo geral, as primeiras ações da nova equipe econômica sinalizam para uma maior harmonia e coordenação da política econômica, porém, essa percepção e sua continuidade dependerão do comportamento no curto prazo das variáveis econômicas mais sensíveis e perceptíveis à população, como o emprego, a renda e a inflação.

As projeções mais otimistas apontam uma recuperação, mesmo que lenta, já a partir do segundo semestre de 2016, em algumas atividades econômicas, o que refletirá em uma desaceleração da retração da economia, o que já é um sinal positivo e um reflexo da maior confiança diante da nova equipe econômica. A junção desses fatores, aliada à estabilização no ritmo de desemprego e da desaceleração da inflação, pode contribuir positivamente para o desempenho do setor supermercadista, e, de modo geral, para o varejo brasileiro, que, provavelmente, apresentará um desempenho mais favorável daquele verificado em 2015.

rodrigo1


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