Confiança do consumidor avança pelo segundo mês consecutivo

Confiança do consumidor avança pelo segundo mês consecutivo

O Indicador de Confiança do Consumidor (ICC) registrou crescimento de 3,47% pela segunda vez consecutiva em agosto na comparação com o mês anterior. O índice atingiu 42,4 pontos ante 41,0 pontos em julho, segundo apontam dados apurados pela Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

Embora os resultados mostrem um pequeno avanço na confiança da população, o indicador não superou os 50 pontos, o que, segundo a metodologia, aponta a diferença entre o sentimento de confiança e de pessimismo dos consumidores.

As incertezas do cenário eleitoral somadas à tímida recuperação da economia seguem afetando a confiança dos brasileiros, mesmo com a melhora do indicador no último mês, conforme avalia a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti. “O emprego e a renda são variáveis essenciais na formação da confiança, mas dependem de um ritmo mais vigoroso de avanço da atividade econômica.

O levantamento é composto por dois subindicadores: o de Percepção do Cenário Atual e o de Expectativas para o Futuro. Em agosto, o Indicador de Percepção do Cenário Atual obteve a marca de 29,8 pontos, enquanto o Indicador de Expectativas pontuou 55,0, mantendo-se acima dos 50 pontos desde o início da série, exceto em junho deste ano, quando chegou a 48,6 resultado da greve dos caminhoneiros.

A apuração, em termos percentuais, revela que 81% dos consumidores consideram ruim o desempenho da economia no momento atual, enquanto 17% acha o cenário regular e apenas 1% avalia que o quadro é bom. A principal queixa entre os que fazem uma avaliação negativa do cenário econômico é o desemprego, mencionado por 73% desses consumidores. Em seguida, aparecem a percepção de que os preços estão elevados (58%) e as altas taxas de juros (36%).

Tal percepção negativa também impacta a própria vida financeira dos brasileiros: 41% considera sua situação financeira ruim. Já 49% afirma que as finanças se mantêm regular e 10% diz que estão boas. Para os que que mencionaram enfrentar aperto, o elevado custo de vida é o principal motivo para essa percepção negativa, citado por metade desses consumidores (50%). Entre outras razões apontadas estão o desemprego (43%), a queda da renda familiar (27%), a perda de controle financeiro (10%) e os imprevistos (10%).

Aos poucos que enxergam o momento atual de sua vida financeira como bom ou ótimo, o controle das finanças teve papel fundamental — mencionado por 65%. Também foram citados aspectos, como posse de uma reserva financeira (22%), aumento dos rendimentos (19%), aumento da renda familiar (16%) e conquista recente de um novo emprego (9%).

“A crise impactou a renda dos brasileiros, que vivenciam uma situação difícil, mas ela não é a única responsável pelos problemas financeiros da população. A falta de controle dos gastos, sobretudo em momentos adversos, pode piorar ainda mais o orçamento e levar ao agravamento da inadimplência”, pondera Marcela.

Ao responder sobre as perspectivas para a economia nos próximos seis meses, 35% mostra-se pessimista e 42% disse não estar nem otimista nem pessimista. Apenas 18% afirma estar otimista. Entre os pessimistas, 57% ressalta que a corrupção é o principal motivo da expectativa negativa de recuperação do cenário econômico.

O clima de otimismo é melhor ao avaliar sobre o que esperam para o futuro da própria vida financeira. A sondagem revela que mais da metade (58%) tem boas expectativas para os próximos meses. Os pessimistas, por sua vez, somaram 8%, enquanto 29% não tem expectativas nem boas nem ruins.

O custo de vida é apontado por 49% dos entrevistados como o principal peso sobre o orçamento familiar. O endividamento é um fator que se destaca, mencionado por 17%, seguido pelo desemprego e pela queda dos rendimentos mensais (10%). Essa percepção sobre o custo de vida reflete, mesmo com a queda da inflação, a perda de renda real durante o período mais agudo da crise.

Sobre evolução de preços, 92% notou aumento das contas de luz na comparação entre agosto e julho. Para 90%, a alta foi percebida no valor dos produtos vendidos nos supermercados e 86% viu os preços dos combustíveis dispararem. Na sequência, aparecem os itens de vestuário (70%), bares e restaurantes (68%) e telefonia (65%).


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