Cenários para 2016

A frase que talvez melhor expresse o atual momento brasileiro do ponto de vista econômico seja de um poeta brasileiro, Ariano Suassuna: “O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso”. Para 2016, a sociedade deveria se comportar como um “realista esperançoso”. E isso porque o ano deverá ser difícil e incerto, assim, a previsibilidade em relação ao futuro ficará prejudicada.

Desse modo, a melhor maneira de acertar previsões sobre o futuro é criar condições para atingir o que se busca para o futuro. Ou seja, se um país deseja um crescimento do PIB de 3% em um ano, deve criar condições para que o país de fato cresça 3% de um ano para o outro. A crise econômica que se instalou no Brasil é derivada da crise política, a qual o país atravessa, e é grave.

Não podemos subestimar a crise econômica, mas devemos ter em mente que, em caso de pessimismo exagerado, pode se instalar um pânico maior ainda.

Para 2016, os cenários possíveis não tendem a ser muito distintos daqueles que foram projetados para 2015. Faço referência à coluna escrita nesta revista em dezembro de 2014, intitulada de “Cenários para a economia brasileira em 2015”. Assim, novamente, os possíveis cenários que se desenrolam para 2016 são basicamente três:

i) Sonho Meu; ii) Mais do Mesmo ; iii) Me Engana que Eu NÃO Gosto.

O cenário, Sonho Meu, faz referência ao que seria o essencial para um crescimento econômico mais sustentável e se baseia na retomada de fato do tripé macroeconômico:

i) Meta de inflação;

ii) Taxa de câmbio flutuante, sem intervenções do governo;

iii) Austeridade fiscal, que contemple reformas tributárias, principalmente por parte das despesas do governo.

Nesse cenário ainda se contemplam políticas mais amplas, voltadas à atividade industrial em geral, com a finalidade de aumentar a produtividade e a competitividade da economia brasileira. Assim, a economia sofreria uma desaceleração mais acentuada em 2016, mas estaria apta a apresentar taxas de crescimento maiores nos anos seguintes.

No cenário Mais do Mesmo, a condução da política econômica segue a estratégia de não se ter uma estratégia, de modo apenas a apagar o incêndio e tentar de alguma maneira controlar a inflação. Nesse cenário é contemplada a continuidade de uma inflação mais elevada e persistente ao longo de 2016, controle da taxa de câmbio de maneira mais intensiva, taxas de juros em patamares elevados e desemprego em tendência de alta, comprometendo o crescimento econômico dos anos seguintes.

Já no cenário Me Engana que Eu NÃO Gosto, o governo federal atua de modo a resgatar a credibilidade dos empresários e do consumidor, mas o cenário econômico deteriorado não auxilia nesse retorno da confiança. O Banco Central do Brasil não conseguirá atuar de maneira autônoma e o Ministério da Fazenda tende a sofrer pressão para saída do ministro, na tentativa de criar um ambiente de credibilidade. Nesse cenário é esperada uma nova desaceleração do PIB para 2016, com reflexos negativos ainda em 2017.

De maneira propositiva, necessitamos de ações mais firmes e profundas, em que destaco o ajuste fiscal mais intensivo, principalmente via corte de despesas e ações de longo prazo que privilegiem a elevação da produtividade e da competitividade. A junção dessas ações favorece a retomada do crescimento econômico brasileiro ao longo do tempo com reflexos positivos para o varejo em geral, e, consequentemente, para o setor supermercadista.

rodrigo1


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