Casino espera melhor momento para venda da Via Varejo

Casino espera melhor momento para venda da Via Varejo

Na última quinta-feira, (08/03), o CEO do Casino, Jean-Charles Naouri, afirmou a venda da Via Varejo, administradora das marcas Casas Bahia e Pontofrio, mas só quando o preço das ações atingirem valores considerados satisfatórios.

No final de 2016, quando houve o primeiro anúncio de venda, as ações da Via Varejo valiam R$ 8. De um tempo para cá, os preços registraram aumento expressivo e atingiram a faixa de R$ 26 a R$ 28. Efetivamente, com a valorização, a empresa brasileira está avaliada hoje em cerca de € 3 bilhões (aproximadamente R$ 12 bilhões).

“Estamos muito contentes de ter esperado. Tivemos várias pressões para vender a Via Varejo e fizemos bem de não ter vendido”, declarou Naouri após a apresentação do balanço anual do grupo para analistas. “Teríamos ficado com um gosto amargo se tivéssemos vendido a R$ 13”, afirmou.

Porém, a retomada da economia brasileira e também das vendas da Via Varejo – que devem crescer, de acordo com o CEO, mais de 20%, após recessão de 20% há dois anos – sinalizam perspectivas mais favoráveis para as atividades, o que deve contribuir para valorizar a companhia, segundo informações do portal Valor Econômico.

Comparativo anual

Ainda na apresentação, Naouri aproveitou para divulgar o balanço anual e destacou a “boa performance” das atividades do grupo francês no último ano. O faturamento global, de € 37,8 bilhões, cresceu 5% quando comparado com o ano de 2016.

Já o lucro operacional, de € 1,2 bilhão, teve crescente de 20%, porém descontados os efeitos do câmbio e de um crédito de impostos no Brasil, a alta registrada foi de apenas em 5,2%.

Mesmo com um ótimo desempenho, inclusive na França, onde as vendas cresceram 0,8, o mercado não foi tão bom assim. A ações do grupo caíram 3,7% ontem (08/03) e chegaram, durante o pregão, a registrar a pior queda do índice FSB da bolsa parisiense.

Ainda segundo informações do Valor Econômico, a dívida do Casino registrou aumento expressivo, passando de EUR 3,4 bilhões para EUR 4,1 bilhões. O grupo prometeu diminuí-la neste ano.

Inaugurações a vista

O grupo também aproveitou o momento para anunciar projetos de expansão em todos os países onde atua. O objetivo é continuar abrindo lojas com bom desempenho. No Brasil, por exemplo, a rede de atacarejo Assaí é um dos principais investimentos da companhia.

Na França, além do Monoprix, mais sofisticado e considerado o destaque no país, o grupo passou a ter outras duas redes rentáveis, a Franprix – com 50 inaugurações previstas em 2018, o mesmo número do ano passado – e os supermercados Casino. A Naturalia, que atua no segmento de orgânicos, deve ganhar 32 novas lojas.

Mas os investimentos não ficarão privados apenas às lojas físicas, e o Casino também reforçará seus negócios na internet. O Cdiscount, que seria a segunda maior empresa de comércio eletrônico da França, já passou por reformulações e disponibilizou novas opções de compra.

A rede Monoprix terá papel importante na estratégia de expansão das vendas online. Para isso, o grupo fez uma parceria com o britânico Ocado, líder mundial do comércio de alimentos na web, para desenvolver a entrega a domicílio. Com o acordo, os custos operacionais serão reduzidos.

Segundo Naouri, o sistema será implementado antes de 2020 e será uma importante inovação. A compra do site Sarenza na França, especializado em calçados, também passará por mudanças e desenvolverá negócios de moda, beleza e decoração na internet do Monoprix.


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