Supermercados mostram cautela mesmo com baixa na taxa de juros

Supermercados mostram cautela mesmo com baixa na taxa de juros

O setor supermercadista de São Paulo não está demonstrando mais tanta certeza que as constantes reduções na Selic vão refletir no mercado. De acordo com a Pesquisa de Confiança dos Supermercados (PCS) do estado de São Paulo, realizada pela Associação Paulista de Supermercados (APAS), 61% dos empresários demonstraram pessimismo que as taxas de juros vão ficar menores, tanto agora como no futuro.

“Este pessimismo do setor supermercadista se dá porque ainda não conseguimos perceber os efeitos destas constantes reduções da Selic na economia real. Com taxas melhores para financiamento de capital de giro, crédito e investimentos irão chegar a um patamar aceitável. Estes são fatores sensíveis para o varejo alimentício que é muito conservador na sua gestão financeira e opta por trabalhar com recursos próprios”, explicou o economista da APAS, Thiago Berka.

A APAS avaliou que a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central do Brasil, em reduzir os juros básicos da economia, a taxa Selic, em 0,25 ponto percentual, passando de 6,75% para 6,5% ao ano, sinalizou ao mercado a busca por uma retomada do crescimento econômico brasileiro no curto e médio prazos, mas com compromisso da estabilidade dos preços. A entidade ainda avaliou que, com a baixa inflação e a calmaria na economia, não foi preciso cautela pelo Copom, que manteve sua tendência de quedas constantes para atingir sua meta de 6,5%.

“Na visão da APAS, estas taxas de juros beneficiam o setor supermercadista em pontos estratégicos, como, por exemplo, nas lojas que oferecem produtos como eletro e têxtil (hipermercados e grandes supermercados). Nelas, os juros baixos ajudam ao melhorar o crédito e os parcelamentos, o que aumenta as vendas”, avaliou Berka.

Pesquisa de Confiança dos Supermercados (PCS)

A pesquisa realizada pela APAS apontou, em fevereiro, que 31% dos empresários do setor demonstram otimismo geral (ambiente econômico atual e futuro). Este número é de cerca de 9,5% p.p. inferior ao resultado obtido em janeiro. Já o otimismo futuro está em 41% frente os 49% no primeiro mês do ano.

Esta queda observada no otimismo e o aumento da neutralidade advêm de um mês de fevereiro decepcionante nos índices do varejo, que apontaram queda em relação a 2017. “No caso do setor do varejo alimentício, aponta-se que o carnaval no meio do mês prejudicou as vendas que normalmente atingem um pico forte nestes dias, nas categorias de cerveja, carnes bovinas, derivados da carne, sucos e bebidas em geral. Ao contrário de 2017, que teve o carnaval concentrado no final do mês onde o recebimento de salários ajudou, a data no meio do mês não colaborou para as vendas com um consumidor ainda preocupado em pagar suas contas pessoais e dívidas tradicionais de início de ano”, enfatizou o economista da APAS, que ainda completou.

“O mês de janeiro com vendas fortes (crescimento de 3,43% em relação ao primeiro mês de 2017) demonstra que o brasileiro preferiu concentrar mais seus gastos através do 13º no Natal e no mês tradicional de férias”, finalizou.

Pessimismo em baixa e expectativas para Páscoa

Ainda sim, o fato do pessimismo do setor ter ficado praticamente igual ao mês passado, mesmo com queda nas vendas, demonstra que os empresários enxergam como um percalço natural da recuperação cíclica brasileira e que a expectativa para a Páscoa é de crescimento nas vendas. A previsão da APAS é que a data festiva do mês de abril represente um aumento real de 4% nas vendas em relação ao ano passado.


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