Aumente vendas de FLV com o brócolis

Aumente vendas de FLV com o brócolis

por Mirella Scattolin

Não é segredo para ninguém que, de uns anos para cá, os hábitos alimentares dos brasileiros e dos resto do mundo passaram por grandes mudanças. O que antes era pouco discutido, hoje é pauta diária: alimentação saudável. Frutas, legumes e verduras conquistam os mais diversos paladares. Entre os destaques está o brócolis: rico em vitaminas e nutrientes indispensáveis para o bom desenvolvimento corporal e mental. O alimento é figura carimbada no cardápio dos atletas e das pessoas que tentam manter uma alimentação balanceada, visto que 100 gramas de sua porção contêm apenas 35 calorias.

Mas não é apenas o baixo teor calórico que chama a atenção. A hortaliça, que pertence à família do repolho, é um dos vegetais mais nutritivos do grupo e é uma imprescindível fonte de vitamina C e fibras alimentares. Mas, apesar disso, seu consumo está longe de ser o ideal.

“Pelo valor nutritivo, pela flexibilidade e por tudo que o brócolis traz, o consumo ainda é muito pequeno. Porém, ele tem vários benefícios, atua como coadjuvante no tratamento do câncer e tem muita fibra e baixa caloria. É uma hortaliça que, com mais informação e uma oferta constante, será muito mais consumida”, afirmou o diretor de Marketing do Grupo Sakata, Paulo Koch.

A Sakata Seed Corporation é idealizadora do Broccoli Consumption Conference, uma conferência voltada para a discussão dos benefícios da hortaliça e que tem como meta alavancar o consumo mundial do alimento. As primeiras edições aconteceram na Espanha (2007, 2009 e 2011), na Polônia (2014) e, pela primeira vez no Brasil, no final de 2017, a fim de mostrar o potencial que existe na América do Sul.

E, quando o assunto é América do Sul, quem encabeça a produção é o Brasil, responsável por 48% do total, algo que representa 290 mil toneladas anuais.

Atrás de nós vem o Equador, com 23%. O Peru aparece no terceiro lugar, com 9%. Argentina e Chile estão empatados nos 7%, enquanto os outros países que compõem o continente totalizam 6% de toda a produção.

Porém, não é fácil deter o topo de toda a produtividade sul-americana. Por ser um alimento que melhor entrega resultados quando cultivado em clima frio e temperaturas mais amenas, várias adaptações precisaram ser feitas para o sucesso do cultivo do broto no nosso país tropical.

“A cultura do brócolis é de clima europeu; portanto, no Brasil optamos por cultivo no período de inverno, semeando-se a partir de fevereiro e transplantando a partir de março, prevendo colher até o mês de outubro. Aqui, temos opção de transplante em regiões com altitudes superiores a 1.200 metros, onde ele pode ser realizado o ano todo. Porém, vale ressaltar que, mesmo com condições favoráveis de temperatura, temos períodos de chuva intensa, ocasionando, assim, riscos consideráveis de baixa produtividade e, consequentemente, possíveis prejuízos”, afirma o sócio proprietário da Buonogel, Francisco Roberto Foga.

“Temos uma unidade nessas condições, situada em Senador Amaral (MG), a 1.560 metros de altitude, onde conseguimos manter o transplante e, consequentemente, a colheita durante o ano todo, assegurando, assim, a disponibilidade de matéria-prima para nossa unidade de beneficiamento e congelamento, localizada em Itupeva”, complementa Foga.

Existem duas variedades do broto: o ramoso e o de cabeça única, também conhecido como brócolis ninja. Como o valor nutricional é praticamente o mesmo, as diferenças ficam por conta da textura e da preferência na hora da compra. “Hoje em dia, se consome bem mais o brócolis ninja, aquele que é comercializado em bandejas e envolto com papel filme”, diz o presidente do Grupo Hentona, Luis Hentona.

Esses dois tipos do vegetal podem ser encontrados no mercado, mas comercializados de diferentes formas. “O brócolis ramoso é vendido em maços, já que essa variedade possibilita várias colheitas, pois cada maço é formado por brotos que vão sendo colhidos ao longo do período da safra”, comenta Foga.

Contudo, o brócolis está também longe de viver no mundo ideal. Para o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Raphael Augusto de Castro e Melo, é preciso inclusive percorrer um longo caminho antes de dar a devida atenção à hortaliça.

“A cadeia produtiva ainda não se vê na posição de promotora do consumo, deixando a maior parte dessas ações por conta do varejo, que conta com muitos outros produtos para comercializar. Desse modo, há grande concorrência com os produtos industrializados, que recebem investimento substancial em marketing e publicidade”, afirma Melo.

Paulo Koch vai além e afirma que a atenção deve ser dada do momento do plantio até a exposição no PDV. “Acho que a rastreabilidade tem de ir desde o consumo, desde a produção, até o ponto de venda. Quando o consumidor for ao supermercado e encontrar o brócolis com qualidade e com segurança, ele vai criar o hábito, vai testar, vai adorar e vai voltar”, complementa.

Segundo dados da Broccoli Consumption Conference, o brócolis movimenta R$ 1.2 bilhão somente no varejo, o que pode ser uma boa oportunidade para supermercados crescerem o faturamento da área de FLV, com uma exposição atrativa, que contemple tanto o produto in natura como congelado e com uma exposição que valorize os seus atributos.


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